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Cidadania e Sociedade

NO SABER POUPAR….

José Castro

Numa sociedade consumista, onde se criam necessidades “fictícias” continuamente, fica difícil resistir a comprar o que se deseja, dada a publicidade “agressiva” e ao “neuromarkting” cada vez mais profundo! Se todos somos alvos dessas técnicas, os jovens são os eleitos dada à sua inferior maturidade psicológica. Esta também permite uma maior influência dos colegas para adquirirem qualquer produto (roupas, telemóveis, …) para que assim possam ser aceites pelo grupo!

Ganhar dinheiro (de forma ética) requer trabalho (e muito). Os vencimentos médios no nosso país são insuficientes para que uma família (pequena) tenha estravagâncias! O salário mínimo permite apenas sobreviver! Em Portugal o endividamento familiar (particulares) em agosto de 2019, atingia os 140 mil milhões de euros, um novo recorde da década, verificando-se uma variação homóloga de 0.3%. Os portugueses devem 42 mil milhões de euros em crédito ao consumo e outros fins, sendo este o valor mais elevado desde junho de 2010, antes da crise da dívida europeia e do resgate financeiro do país!

Se uma grande percentagem do endividamento ocorre por situações inesperadas, como desemprego, situação laboral instável, penhoras, etc, outras ocorrem por mera incapacidade de gerir adequadamente o “ministério das finanças familiar”! Porque tal acontece?

Acontece porque o orgulho e a vaidade são muito fortes….e quem padece destes exageros quer mostrar aquilo que não é! E a forma de o fazer é “exibir” os bens materiais exteriores, de preferência mais caros ou melhores, que os do vizinho ou familiar! Só que esses bens custam dinheiro, o rendimento líquido mensal é pouco e os cartões de crédito adiantam-se para satisfazer desejos, para dar essa falsa alegria, que em breve se irá tornar um pesadelo!

Valerá a pena férias de “ilusão” quando não se tem forma de as liquidar?

Valerá a pena o automóvel com mais extras ou de gama superior e ficar “entalado”?

Valerá a pena uma casa com inúmeros quartos para uma familia pequena?

Obviamente que gerir o “ministério das finanças familiar” significa fazer cativações! Como fazer uma gestão adequada dos rendimentos?

Em primeiro lugar, após saber quanto “entra” mensalmente precisamos de saber quanto “sai”! Quais os custos fixos mensais? (Estes não devem ultrapassar 25% do rendimento líquido mensal familiar). Quais os custos extras em alguns meses? Há pois que saber com rigor o saldo final disponível!

Em segundo lugar e garantida a sustentabilidade básica é pois necessário criar um fundo de emergência. Para isso será necessário uma “cativação” mensal de cerca de 10% do saldo disponível e “alimentar” o referido fundo ao longo do tempo até conter cerca de dez vezes o rendimento mensal familiar líquido. Esta “almofada” permitirá controlar algum imprevisto, que vai sempre ocorrer!

Estas sugestões poderão assim evitar dissabores mais tarde. Desta forma pode, pontualmente dar um “miminho” a si e aos seus, pois, se afinal “ a riqueza é consequência do trabalho e da poupança” como dizia Benjamim Franklin, “ uma grande riqueza é uma grande escravidão” como dizia Séneca.

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