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Cidadania e Sociedade

LEGISLATIVAS 2019 E AGORA…

Tiago Corais

Há quatro o PAN (Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza), surpreendeu com a eleição de um deputado e nas legislativas 2019 não só este partido cresceu elegendo quatro deputados, como mais três novos partidos elegeram pela primeira vez os seus deputados. Acredito que a pulverização do voto veio para ficar e que poderá ser benéfico para a Democracia, desde que seja acompanhado de sentido de responsabilidade por todos os partidos representados na Assembleia da República. Ou seja, que todos aceitem a grande responsabilidade que os eleitores o derem, defendendo as suas ideias e proposta, mas também sejam capazes de construir as pontes necessárias para que haja governabilidade. Para isso, terão que em simultâneo influenciar os outros na implementação das suas “bandeiras”, mas terão também que ceder noutros para que interpretem a vontade dos eleitores nas Legislativas 2019.

Governar sem maioria absoluta é bom para a Democracia porque obrigatoriamente se tem que debater e negociar as políticas, mas poderá ser muito mau se constantemente houver instabilidade política, eleições com frequência, ou o País parar por isso. Não nos podemos esquecer que a pulverização do voto dificulta e muito a governabilidade e se não houver responsabilidade dos partidos com assento na Assembleia da República, como a própria história nos ensina é a nossa liberdade e a Democracia que estão em risco.

O Partido Socialista como partido que governa e que tem dado sinais disso, tem a obrigação de promover a negociação e de estar receptivo a receber propostas dos outros, definindo até onde pode ir (como fez com a “Gerigonça”, quanto à posição da Nato e União Europeia). No entanto em Democracia os outros partidos também têm a responsabilidades de proporcionar a estabilidade política para os próximos quatros anos. A Esquerda nesta matéria tem uma responsabilidade acrescida depois de na anterior legislatura “quebrar o muro” e ter sido capaz de construir um aliança de esquerda capaz de garantir a estabilidade política durante quatro anos. Nesta legislatura, toda a esquerda (PS, BE, CDU e Livre), sem renegarem as suas diferenças e bandeiras, têm a obrigação moral de darem garantias aos Portugueses que serão capazes de novamente garantir uma estabilidade política para os próximos quatros anos.

Acho importante começar o artigo desta forma, porque estar na política e representar os cidadãos no parlamento é uma grande responsabilidade e dessa forma é fundamental que no seu exercício sejam capazes de interpretar os anseios dos Portugueses que de forma “codificada” e através do voto lhes transmitem as suas vontades. Uma Democracia sem estabilidade política será corroída por dentro e dessa forma a confiança dos eleitores não pode ser traída, por interesses partidários.

PARTIDOS TRADICIONAIS VS NOVOS PARTIDOS

Nestas legislativas a grande novidade foi a eleição de novos partidos e desta forma eu gostaria de neste artigo dar algum espaço a eles.

Como vimos com o PAN, a vantagem de ser eleito para a Assembleia da República será essencialmente a cobertura que a comunicação social dará a estes partidos, quer agora na Assembleia da República, quer nas próximas eleições legislativas. A forma como serão capazes de gerir as suas agendas e passar a sua mensagem nela, será o factor de sucesso ou insucesso no futuro.

O Iniciativa Liberal, de forma muito eficiente na sua mensagem, definindo muito bem o seu público alvo, uma comunicação simples e criativa tem atraído de alguma forma um público que acha que se paga muitos impostos, que o Estado tem demasiada presença, vendendo na minha opinião a falácia da “Liberdade de Escolha”. E, apesar de no seu discurso afirmar que as ideologias acabaram, o seu mérito é claramente trazer para o debate político de forma frontal essa discussão. Dessa forma, sendo eu um fervoroso adepto da igualdade de oportunidades, pela coesão social, do sucesso do colectivo como sociedade, defensor de uma escola pública de qualidade que proporcione a mobilidade social e achar que tem que haver um equilíbrio entre o individualismo e o colectivo acho que vale a pena não fugirmos a esse debate. A Democracia sai a ganhar com a divergência e eu não tenho duvidas que o Socialismo Democrático transformou para melhor a nossa sociedade e irá continuar a fazê-lo. Por isso, sempre que achar necessário estarei aqui a argumentar e valorizar os valores em que acredito.

Sendo fundamental não ignorar a sua mensagem, devemos desmistificar algumas das suas ideias, pois “liberdade de escolha” é quando existem políticas que suportam a igualdade de oportunidades e uma sociedade coesa. Infelizmente num mundo em que 1% tem mais riqueza do que 50% da população mundial, com uma crise na habitação em que é difícil a nova geração comprar ou arrendar casa, que apesar das novas tecnologias, em Portugal cada vez as jornadas são maiores e os salários cada vez mais pequenos, com a redução do poder de compra da classe média, dar “liberdade de escolha” é garantir a universalidade na educação, na saúde e o direito a uma habitação de qualidade para todos. Na minha opinião são as políticas públicas que poderão contrariar o estado em que chegamos e uma justiça mais eficaz que mitigue a corrupção que nos está a corroer.

Sobre o Livre, também tenho uma grande expectiva, pois acho importante que haja um novo partido à esquerda do Partido Socialista, Europeísta que através da argumentação, da moderação no debate seja capaz de estancar o populismo, as falácias da extrema direita e em boa verdade, como partido novo, com novas perspectivas, mais adaptado ao dias de hoje, “leve” na sua organização e com anseio de inovar na política seja capaz de influenciar positivamente o Partido Socialista. No entanto, nestas primeiras semanas tenho visto um Livre diferente do partido fundado pelo Rui Tavares, que se tem radicalizado na sua agenda. Certamente isso tem acontecido como resposta ao “nervosismo” criado em alguns sectores da sociedade portuguesa contra a sua deputada e por isso, estou na esperança que com o tempo haja alterações. Não só que as pessoas aceitem melhor as diferenças da deputada Joacine Tavares Moreira, como a deputada seja capaz de fazer mais pontes, especialmente com quem até já simpatizou com o Livre e agora a critica. Responder de forma “agressiva” a quem a poderá apoiar não será a melhor opção. Mas, como estamos no inicio desta nova legislatura vamos aguardar para percebermos até onde poderá ir este partido.

Sobre o Chega, não gostaria de ocupar muito espaço, apenas dizendo que é um partido que acho que não tem as soluções para os nossos problemas e poderá ser perigoso pelo seu discurso populista. Infelizmente a corrupção instalada na sociedade portuguesa, o estado da nossa justiça poderão ajudar ao crescimento deste partido. Por isso, é fundamental para bem da Democracia que a nossa justiça seja mais célere e justa, que a comunicação social faça o seu trabalho de forma responsável, preocupada mais em transmitir factos e não ser apenas sensacionalista para captar audiências, que a população em geral tenha a noção que nem tudo que lê, quer seja na comunicação social ou nas redes sociais, é verdade e que os decisores políticos tenham o combate à corrupção como uma prioridade nas suas agendas políticas.

Termino com um conselho à Conferência de Líderes para que se adaptem ao “novo figurino do Parlamento” com partidos representados apenas com um deputado e não contribuíam para que aos olhos dos Cidadãos e eleitores interpretem as suas decisões como uma forma de não darem voz aos novos partidos, pois isso não só será custoso aos partidos “tradicionais” como alimenta a demagogia e o populismo, colocando perigo a própria Democracia no futuro.

Viva à Democracia! Viva Portugal

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