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Cidadania e Sociedade

DIA DE NÃO COMPRAR…O SUPÉRFLUO

José Castro

Os próximos dias, em especial a próxima sexta-feira (negra), serão os dias mais aliciantes para o consumismo. A baixa de preços é sempre tentadora. Todos nós ficamos algo “incomodados” quando vemos um produto que compramos recentemente ser vendido a um preço consideravelmente mais baixo! É pois natural procurar algo que necessitamos neste período de rebaixas, quando sabemos o verdadeiro preço desse artigo meses antes e o seu preço atual. Pois, caso contrário, podemos acabar por pagar “metade do dobro do preço do produto”!

Se uns festejam o “Black Friday,” outros curiosamente festejam o “Buy Nothing Day,” o “Dia de Não Comprar Nada”. Provavelmente, a escolha da “porta do meio” ou seja o “equilibrio” será a proposta mais interessante. Isto é, comprando estritamente o que se vai utilizar, evitando tudo o que é supérfluo e só satisfaz o mero vício de acumulação de coisas inúteis. As coisas inúteis são aquelas que totalmente operacionais, não são utilizadas mas ficam guardadas à espera de o serem. Só quem já mudou de casa e teve de transportar todos os “tarecos,” descobriu um sem número de objetos que simplesmente ali estavam guardados e como não faziam parte da nossa memória, jamais iriam ser utilizados. Pior que isso, é que constatamos que temos, por vezes, mais que uma unidade desses produtos. Compramos a segunda unidade precisamente porque esquecemos que tínhamos a primeira, muito bem guardada! É pois uma boa ocasião para doar aquilo que para nós já é supérfluo ou repetido, pois pode efetivamente ser prioritário para outra pessoa.

Uma outra prática que é urgente implementar na nossa sociedade é a reparação de determinado produto. Estamos (infelizmente) habituados a substituir imediatamente um produto usado, estragado, por um novo, pois é mais fácil e menos incomodativo, mas frequentemente sai mais caro do que o restaurar ou compor. Não deixa de ser interessante constatar que existe sempre mais procura das lojas de “arranjar sapatos” nos anos economicamente mais difíceis. Porque não continuar a ter a mesma atitude? Curiosamente, e no mesmo sentido, a União Europeia aprovou uma “Diretiva Europeia de Conceção Ecológica”, que obriga os fabricantes de vários eletrodomésticos não só a prolongar a vida útil dos mesmos, como a serem energeticamente mais eficientes e passíveis de reparação utilizando ferramentas ditas “normais.”

Assim, caro leitor, não se deixe “hipnotizar” pela publicidade intensiva, pelas falsas necessidades que o capitalismo (não ético) cria e não se esqueça que, se o objetivo é poupar umas “lecas,” não gastar dinheiro ainda é a melhor forma de o fazer!

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