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Saúde e Vida

O QUE PODE A CERA FAZER AOS SEUS OUVIDOS

Carla Guimarães Cardoso

A cera é, em última análise uma consequência do local em que é produzida. O canal auditivo externo é o único local do nosso corpo em que uma cavidade em fundo de saco, isto é, sem separação do orifiício de entrada do orifício de saída é revestida por pele. Assim, os agentes externos responsáveis pela remoção da camada superficial de células mortas da nossa pele não actuam no canal auditivo. Isto levanta um problema, como remover esta camada? A cera representa uma resposta a esta questão.

A cera é assim uma mistura de células epidérmicas mortas e de secreções glandulares. As glâdulas sebáceas secretam gordura (lípidos) como ácidos gordos de cadeia longa saturados e insaturados, esqualeno e colesterol. Estes são os responsáveis pelo aspecto gorduroso da cera. As glândulas ceruminosas segregam peptídeos.

As relações quantitativas entre estes 3, determinadas genéticamente no cromossoma 16, originam os 2 tipo de cera que encontramos no ser humano, cera seca e cera húmida. A cera húmida, mais pegajosa e de cor acastanhada tem uma concentração superior de lípidos. A cera seca, em regra mais clara tem uma concentração mais baixa (50% versus 20%). O modo de transmissão pais filhos segue o modelo Mendeliano sendo a cera húmida autossómica dominante em relação à seca.

Na população pediátrica a cera é me regra mais líquida do que no adulto.

Para além de resolver o problema da descamação da pele a cera também limpa e lubrifica o canal auditivo.

Tem também uma acção antibacteriana e antifúngica ao manter um ph ácido (entre 4 e 5) no canal auditivo externo.

A acumulação de cera e consequente formação de rolhões de cerumen é um problema extremanente frequente. Pode provocar uma diminuição auditiva, acufeno (zumbido), tonturas, dor e aumento do risco de infecção.

A acumulação de cera pode dever-se a razões anatómicas, como uma canal auditivo estreito, a queratose obliterante (aumento da produção de queratina), mas o principal factor é comportamental – a limpeza do canal auditivo com cotonete.

Ao limpar o ouvido está no fundo a tentar remover a camada protectora do canal auditivo externo, fomentando a infecção e, ao mesmo tempo a aumentar o risco de impactar o ouvido com cerumen.

Assim, tal como diz o ditado, os olhos e os ouvidos limpam-se com os cotovelos.

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