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Cidadania e Sociedade

O VÍRUS QUE PROÍBE OS AFETOS

Isabel Pinto da Costa

Os afetos estão cada vez mais a desaparecer entre as pessoas, cada vez mais as pessoas se privam de manifestar o que sentem, o que querem dizer aos outros. O que gostariam de viver e sentir pelo outro é dito através do toque e dos afetos e cada vez mais é substituído por mensagens, por videochamadas, por WhatsApp, por Facebook, por Instagram, ou seja, por redes sociais e não presencialmente. Com este vírus, no nosso universo atual, é que os afetos vão desaparecer por completo, mas agora é uma questão de moralidade, de responsabilidade civil, de honestidade para connosco próprios e para com quem nos está próximo.

Os afetos podem esperar, sempre existiram e é uma característica do ser humano, é isso que nos distingue dos outros animais, por isso vamos só adiar, não vamos acabar com os mesmos e a prevenção é a melhor arma da inteligência humana.

Se tivermos de ficar em casa porque o vírus assim o definiu, então vamos aproveitar para dedicarmos tempo a nós mesmos, a fazer coisas que passamos a vida toda a queixarmo-nos que não temos tempo, como cuidar da nossa mente, do nosso corpo, do nosso espaço casa e fazermos uma identificação maior do espaço com a pessoa que somos atualmente; ou seja, no dia a dia guardamos coisas que já não usamos mais, já não gostamos mais e o espaço já não está em harmonia com a nossa vida atual. Logo, agora que o que não nos falta é tempo, para nos dedicarmos a nós, pode ser forçado, mas é um tempo que os outros, que não estiveram em risco, porque não estiveram em contacto com o vírus merecem da nossa parte esse respeito.

Resguardem-se assim dos olhares dos demais, ou seja, evitem as multidões onde por norma as pessoas têm tendência a ser mais afetuosas, nos encontros sociais com os amigos, onde os afetos mais uma vez vão estar muito presentes. Troquem as brincadeiras dos vossos filhos em parques infantis, ou idas ao cinema ou ao shopping por sessões de cinema em casa onde não faltam as pipocas e os bolos caseiros, e onde a alegria e os risos podem na mesma existir! Só não podem existir os abraços, mas tudo o resto está lá presente e o que importa é que tudo está salvaguardado e tudo foi levado com grande respeito no sentido de salvaguardar a nossa e a segurança dos outros.

O lema é sempre nos preservarmos e preservar quem está à nossa volta, viver o máximo tempo possível sempre será o lema da espécie humana e o COVID-19 não vai destruir esta vontade de todo o ser humano.

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