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Cidadania e Sociedade

EMERGÊNCIA SOCIAL – EMERGÊNCIA ECONÓMICA

Rui Canossa

Neste momento de emergência social que vivemos, por causa da pandemia provocada pelo Corona Vírus, há uma outra pandemia, esta económica, que se não for contida vai ter resultados imprevisíveis. A Comissão Europeia de um crescimento de 2.5% para o todo europeu já antecipa uma recessão de 1%, ou seja, uma perde de 3,5 pontos percentuais. É que a economia tem medo de tudo, quase hipocondríaca.  Do que aconteceu, do que está a acontecer, do que vai acontecer e, principalmente, do que poderá acontecer. Por isso mesmo os estímulos para os agentes económicos são muito importantes de forma a condicionar comportamentos.

Quando vemos os países a fecharem um a um, como peças de um dominó em queda desenfreada, é fácil perceber que a seguir o mesmo vai acontecer às empresas. Quando tudo pára, também pára a entrada de receitas, mas os custos continuam. A perpetuação de uma situação destas, onde o dinheiro sai e não entra na mesma proporção, vai levar a constrangimentos enormes de tesouraria, à impossibilidade de pagar créditos bancários e no limite, a falências.

Por isso é fundamental tomar medidas já. De todo. As empresas precisam de mais crédito e, sobretudo, precisam de respostas. Deixo aqui sete ideias que podem fazer a diferença e que têm de ser tomadas já. Uma, duas três, quatro… ou todas juntas. Não há tempo a perder.

Moratória de capital de juros para créditos de empresas. Em economia usa-se a expressão stand still, ficar parado. Congelar as responsabilidades financeiras das empresas até que esta situação dure. É a única forma de garantir que muitas não deixem de pagar os seus créditos junto dos bancos. Esta medida pode vigorar durante um, dois ou três meses e depois ser avaliada se tem de continuar ou não.

Garantir que a falta de pagamento não signifique a passagem desse crédito para a lista negra dos bancos. Além de implicar consequências nos bancos em termos de capital (problema neste momento menor), implica também consequências para quem deixa de pagar. É crucial impedir que essas empresas entrem numa espiral de mal parado da qual não conseguem sair.

Garantir a conversão de créditos de curto prazo das empresas que não podem cumprir por dificuldades de tesouraria em crédito de médio ou longo prazo. Para que este movimento não tenha impacto nas contas dos bancos devem ser considerados como crédito novo. Estes créditos que resultam do impacto económico da crise devem ter todos garantia pública.

Com o fecho de atividades é obrigatório arranjar forma de as empresas poderem cortar nos custos de pessoal. Estamos numa fase em que existe de facto uma redução temporária do horário de trabalho, mas sem o respetivo ajuste de custos. Todas as empresas necessitam de ajuda neste aspeto. Além de legislação especial é necessário arranjar fundos públicos que paguem a totalidade ou parte dos custos com o pessoal de que foi temporariamente dispensado.

Finalmente, olhar paras as famílias. Por exemplo, é impensável que quem vai para casa cuidar dos filhos ganhe apenas 66%. O salário diminui, mas em muitos casos os custos até aumentam, nomeadamente da alimentação, luz, água, gás. Este valor tem de ser de 100%.

Moratória de capital ou de juros para o crédito à habitação pelo tempo que durar a crise e aumento subsequente do prazo total do empréstimo no mesmo espaço temporal ou do valor de prestações futuras. No caso de quem arrenda casa deve ser feita também uma moratória garantindo que o valor futuro das rendas é atualizado de modo a restituir aos poucos o valor que ficou por pagar.

Finalmente, a nível europeu é necessário garantir que o risco da dívida dos países do Sul não sobe. As compras do BCE devem ser dirigidas a Portugal, Itália, Espanha e Grécia.

Não há tempo a perder. Tem de ser já!

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