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Cidadania e Sociedade

CORONAVÍRUS NO REINO UNIDO

Tiago Corais

Irei começar o artigo por falar na ida aos supermercados, onde encontraremos, certamente, os mesmos problemas que em Portugal, as prateleiras de arroz, massas e enlatados vazias. Para espanto meu e sem ainda conseguir perceber a razão também aqui a prateleira de papel higiénico está vazia. Apesar de já não frequentar os espaços lúdicos, nem as principais ruas de Oxford, no café do supermercado vi muita gente descontraída a degustar o seu pequeno-almoço inglês. Tenho dúvidas se a estratégia que o Reino Unido está a seguir faz o efeito pretendido ou existe um relaxamento generalizado da população.

Por falar em estratégia Reino Unido… ainda tenho algumas dúvidas em interpretar a sua estratégia no combate ao Coronavírus, mas aparentemente e para já é diferente de colocar toda a população em quarentena. As escolas, universidades para já continuam abertas, as empresas também, apesar de que muitos dos seus colaboradores estão a trabalhar de casa. Segundo alguns post no Facebook os comboios e metros para Londres estavam vazios. Infelizmente não é o meu caso, que tenho que me deslocar para ir trabalhar. Ou seja, a estratégia será retardar ao máximo a quarentena generalizada da população, apesar de aconselhar as pessoas com mais 70 anos, grávidas e os grupos mais debilitados a ao isolamento por 12 semanas. Aconselham a evitar todos os eventos sociais, como a ida ao pubs, teatros, cinemas. Foram cancelados todos os grandes eventos, como a Premier League, corridas de cavalos, as eleições locais foram adiadas por um ano, e por aí em diante. Os espaços públicos como por exemplo os transportes públicos estão a ser limpos com mais frequência. Segundo o Governo de forma a retardar o pico, terá de ser toda a população a mudar os seus hábitos, lavando as mãos mais frequentes, não cumprimentar com beijos, nem apertos de mão. Se tiverem alguns dos sintomas leves do coronavírus, como temperatura superior a 37º, tosse e resfriado, aconselham toda a família a ficarem em casa 14 dias e só ligarem para os serviços de saúde se tiverem febres altas e problemas respiratórios.

Os argumentos que estão por trás desta estratégia são por um lado, se fecharmos as escolas e os pais que têm de ir trabalhar quer nos serviços nacional de saúde, na indústria alimentar e em todas as outras actividades indispensáveis para que consigamos viver no conforto das nossas casas, tendo filhos e não tendo outra alternativa deixam os seus filhos com os avós. Ou seja, haveria o risco de contaminar o grupo, que segundo estudos disponíveis até ao momento, estão incluídos nos mais frágeis e assim sendo teria efeitos ainda mais devastadores. Um argumento muito rebuscado e esperemos que funcione!

O objectivo de momento no discurso político Britânico é proteger as pessoas mais vulneráveis , ou seja, as pessoas mais velhas. Por outro lado, se tivermos o vírus por mais de seis meses e se, logo no início dessa pandemia, ficarmos em casa, em Maio, quando estaremos no auge desse vírus, as pessoas relaxarão e sairão, o que significa que contribuíam para uma segunda “onda de contaminação” e desta forma iriam infectar ainda mais pessoas e o Serviço Nacional Saúde não terá capacidade para tratar todos os casos.

Outro princípio assumido é que este vírus poderá não ser sazonal e estará connosco por muito tempo, sendo assim precisamos de gerar imunidades para que a maioria da população esteja imune a infecções nos próximos anos. Não tendo ainda uma vacina, que por norma demora dois anos a desenvolvê-la e comercializá-la, a única maneira de desenvolvermos essa imunidade é que a maioria da população seja infectada, excepto nos mais idosos.

Toda a sua estratégia está a ser aconselhada por reputados especialistas neste assunto, no entanto eu acho que estão a tomar decisões muito arriscadas para todos e se correr mal, poderemos assistir a uma grande tragédia. No entanto também é importante sermos honesto e termos em mente que este vírus não será resolvido apenas durante o próximo mês, porque estamos de quarentena em casa, infelizmente será uma longa jornada e precisamos de nos preparar para isso.

Vejo muita gente a dizer que agora a Economia não interessa, mas na minha opinião é fundamental hoje termos uma estratégia robusta que minimize o seu impacto. O Estado mais uma vez vai ter que ajudar se ficarmos em quarentena perto de três meses ou mais, para que todos continuem a receber e a pagar as suas contas. Mas cada um de nós também pode contribuir. Por isso, é fundamental que todos continuem de suas casas a alimentar a economia, paguem os ginásios, incentivem os cafés e restaurantes que frequentam a comprarem vouchers, se tiverem serviços de limpeza continuem a pagar, paguem os infantários e sejamos criativos na forma de criarmos uma economia “virtual” e social. Em vez de decidirem não pagar porque não precisam dos serviços, façam ao contrário, paguem-nos mesmo que nesta fase não precisem deles. Porque vai haver um amanhã depois disto tudo, irão precisar deles novamente e eles poderão deixar de existir.

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