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TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS – IMPLICAÇÕES NA ESCOLA ATUAL

Isabel Madureira

Atualmente, a escola assenta num critério de uniformidade, ou seja, um tronco comum de programas e de disciplinas, em que é suposto que todos aprendam a mesma coisa, da mesma forma e ao mesmo tempo. Assim, os melhores alunos, aqueles que apresentam um QI mais elevado, são, em teoria, os mais bem-sucedidos. E os outros? Aqueles que apresentam dificuldades persistentes? Como podem aprender, se o ensino é ministrado da mesma forma para todos? O que é que acontece quando estes alunos não conseguem acompanhar as matérias, o ritmo dos colegas e o professor? Como criar dinâmicas na sala de aula para todos os alunos?

Howard Gardner, nas suas pesquisas sobre a inteligência humana que tiveram por base as neurociências e a ciência cognitiva, concluiu que a conceção da inteligência não é singular, ela possui várias facetas.

Foi esta pesquisa que possibilitou o surgimento da Teoria Das Inteligência Múltiplas.

Inicialmente, Gardner descreveu sete tipos de inteligência, mas mais tarde ampliou a sua teoria e acrescentou uma outra, passando assim a oito. Quase todos os seres humanos possuem estes oito tipos de inteligência, embora possam ter uma ou duas mais desenvolvidas. São raros os casos em que o ser humano não possui nenhuma inteligência.

A Inteligência Lógico-matemática que consiste na capacidade para usar os números e raciocinar bem. Os processos usados por esta inteligência são a categorização, classificação, cálculo, inferência.

A Inteligência Linguística que é a capacidade de usar palavras, seja oralmente, seja por escrito. Por isso, as pessoas com esta capacidade manipulam com grande segurança a sintaxe e a linguagem.

A Inteligência Espacial cuja capacidade e perceber com grande precisão o mundo visuo-espacial.

A Inteligência Corporal – Cinestésica que consiste na habilidade do uso do corpo para expressar ideias e sentimentos. Essas habilidades implicam, naturalmente, boa capacidade de equilíbrio, coordenação, velocidade e força.

A Inteligência Musical que se relaciona com a capacidade para perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais.

Pessoas com esta inteligência têm sensibilidade para o ritmo, melodia, timbre.

A Inteligência Interpessoal é aquela que envolve a capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivação e sentimentos dos outros. Esta inteligência é bastante valorizada nas relações pessoais, pois requer saber interagir com os outros com cooperação, valorizar a organização em grupo, desperta o espírito de liderança.

A inteligência Intrapessoal que tem a ver com o autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base nesse conhecimento. Esta inteligência implica a autodisciplina, autoconhecimento e autoestima.

A Inteligência Naturalista que inclui a perícia para conhecer inúmeras espécies da fauna e flora. Ela abrange também a capacidade para conhecer outros fenómenos naturais.

Depois desta explanação, a pergunta que se impõe é a seguinte: Que papel tem a Teoria das Inteligências Múltiplas para o desenvolvimento de estratégias diferenciadas na sala de aula/escola?

Esta teoria conduz, necessariamente, a uma nova conceção de escola, pois indica-nos que os alunos têm inteligências e estilos de aprendizagem muito diferentes. Podemos categorizar, essencialmente, três estilos de aprendizagem: Visual, que abrange alunos com habilidades para conhecer, interpretar e diferenciar os estímulos recebidos visualmente; Auditivo, que abrange alunos com habilidades para conhecer, interpretar e diferenciar os estímulos recebidos pela palavra falada, sons e ruídos; Cinestésico, que abrange alunos com habilidades para conhecer, interpretar e diferenciar os estímulos recebidos através do movimento corporal. Os estilos de aprendizagem são formas pessoais de apropriação do saber. Definem à partida as competências mais e menos fortes dos alunos.

Assim sendo, no processo de ensino e aprendizagem, os professores terão, obrigatoriamente, que ter em conta os aspetos individuais de cada aluno, o seu estilo de aprendizagem e a sua inteligência. Esta metodologia de ensino tem de ser diferenciadora e orientada pelo princípio do direito de todos à aprendizagem, essencial para dar resposta à heterogeneidade de alunos que frequentam a escola atual e fator decisivo para a inclusão de todos os alunos. O professor não deve ensinar todos os alunos como se eles fossem um só.

Face ao exposto, podemos afirmar que, atualmente, a diferenciação pedagógica se tornou obrigatória nas práticas letivas, uma vez que a escola é orientada por princípios de equidade e o direito de todos à aprendizagem. Todos nós temos consciência de que esta tarefa não é fácil, pois exige planificações diferentes dentro da turma, que devem ser feitas de forma atempada e intencional, adaptadas aos estilos de aprendizagem dos alunos. Saliente-se que estas planificações não podem ser replicadas noutras turmas, pois cada turma tem uma diversidade muito grande de alunos, com capacidades e estilos diferentes. Então, podemos dizer que, diferenciar significa diagnosticar as necessidades dos alunos e organizar as tarefas que sejam adequadas a cada aluno e às suas necessidades, estilos e ou preferências de aprendizagem.

É esta a noção de escola do futuro, ou seja, cada um aprende da forma que melhor se adapta a si. A preocupação dos professores não se centra nos melhores alunos, pois esses serão sempre bons em todas as disciplinas e serão sempre bem-sucedidos, esta centra-se nos alunos que apresentam um fraco desempenho nos testes que envolvem conhecimentos e que apresentam dificuldades permanentes e persistentes na aprendizagem.

O trabalho de Gardner favorece uma visão integral da cada individuo e a valorização da multiplicidade na sala de aula.

Desafio lançado. Eu sei o quão é difícil diferenciar, mas “bora lá” experimentar.

One thought on “TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS – IMPLICAÇÕES NA ESCOLA ATUAL

  1. Izabel Madureira.
    Seu artigo é extraordinário. Dentro das concepções palpáveis. Acontece quê ; quanto maior desenvolvimento para explorar a capacidade humana, maior se torna o desafio de trazer prazer a vida daqueles que têm um pouco mais facilidade e dinâmica de aprendizagem. De um modo geral, como você mesma diz no início do artigo, está faltando a criação de um método eficaz para atender à todos simultâneamente. Eu acredito que as disciplinas poderiam ter maior visibilidade e aceitação se houvesse uma adaptação natural e conjunta numa estrutura coletiva. Separar os mais avançados e capacitados do grupo, não criará excelência por naturalidade, mas certa ojeriza social. Portanto ; creio que o melhor caminho seria estimular aos melhores, a indução de competitividade entre eles, para arrebatar entre os colegas com menos capacidade, o avanço desejado entre o grupo. Qualificar por estímulo e premiar; aqueles que naturalmente irão sobressair-se. Nesse caso, o instrutor deverá competir conjuntamente para assessorar o grupo, e, interferir somente quando se fizer necessário. O professor na maioria das vezes, se coloca como sumo sacerdote das conveniências humanas. Um erro grosseiro, pois ele próprio como aprendiz e concorrente da evolução, deve respeitar a natureza das consequências aleatórias e as proezas que esta propõe. Um discípulo têm toda liberdade de superar a seu mestre, independente de tempo e lugar. Aquele que ensina, têm a obrigação sempre de deixar em suas preleções, a chance do aprendiz tornar-se um cientista pesquisador na área que melhor lhe apraz. E praticar diariamente a dialética como instrumento voraz do conhecimento. E exibir com naturalidade e sapiência, a máxima socratiana, ‘…só sei que nada sei ‘”. Ao abrir esse leque expansivo da inteligência quebrando todos os tabus das incongruências humanas, poda-se com naturalidade todo tipo de arrogância e mal-estar, produzido pela capacidade instintiva de achar-se e pretender ser alguma coisa. Alcançar o estatus-quo, significa quebrar todas as barreiras de impedimento que a ignorância traz por naturalidade.
    É elevar-se…é caminhar nas nuvens sem o peso brutal que a força G impõe nos obstáculos da preponderância coletiva. É libertar-se.

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