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A MENTIRA COMO PRÁTICA UNIVERSAL

José Castro

Alegadamente, após França ter aceitado o calendário Gregoriano dois anos depois de ter sido criado pelo Papa Gregório XIII, que o dia 1 de abril foi rotulado como dia das ”mentiras”. A mentira, ou a tentativa de enganar o outro, está presente na própria natureza: na camuflagem de um camaleão, num tipo de cobras cujo movimento da cauda parece um minhoca para atrair as presas, em alguns vírus que têm mutações para enganar o nosso sistema imunitário, etc.

A mentira, também faz parte da condição humana e desde cedo é utilizada na “arte” da educação! Quem já não teve que agradecer com “entusiasmo” um presente que detestou por obrigação dos pais? Obviamente que existe uma enorme tipologia na mentira (desde a “caridosa” até à de vingança) com distintos graus de nocividade. Vamos excluir deste texto a mitomania, ou seja, a tendência de mentir compulsivamente, tida como um distúrbio mental!

Não deixa de ser curioso, que investigadores da University College de Londres, evidenciam que mentir é “viciante”. Quando se começa em pequenas mentiras e se obtém vantagem, a tendência é continuar nesse padrão, com mentiras cada vez mais “evoluídas”! Se inicialmente a mentira exige uma elevada atividade cerebral, com a prática, a atividade diminui, demonstrando que o cérebro se “adapta” à “desonestidade” facilmente!

Seria interessante mensurar a mentira que existe no mundo. Quantas repostas, do marido, da mulher, dos filhos, dos colegas, dos chefes, das instituições, dos governos, dos presidentes, estarão a ser falsas? Quantas sentenças? Quanta publicidade? Quantas promessas? Quantas “notícias falsas” estarão neste momento a ser produzidas? Quantas notícias verdadeiras, hoje publicadas, se virão a revelar falsas no futuro? Quanto software falso está a ser disseminado na internet? Etc.  A mentira, com maior ou menor gravidade está disseminada por todo o lado! Quanto se lucra com a mentira a nível mundial?

Mas, no fim de contas qual será a pior mentira? É aquela que é dita a si próprio. É aquela, que o permite “desculpar-se” de tudo aquilo que faz e que lhe traz posteriormente sofrimento, inclusive a necessidade de voltar a mentir. É aquela, em que um viciado em tabaco, alcool, jogo, café, … diz, viciado? Eu? É aquela em que alguém teimoso, grosseiro, convencido, diz…mal-educado? Eu? É aquela, em que alguém diz…mentir? Eu nunca minto!

Quem mente até pode obter vantagem económica, elevar seu ego, permitir admiração dos outros… mas, no reverso da medalha, estamos perante alguém que não aguenta a verdade! Essa incapacidade, temporária, de não aceitar a verdade (ou seja a si mesmo), traz-lhe uma enorme infelicidade, pois sabe que tudo o que faz é um embuste! Por trás do (falso) sucesso, está um ser humano em pânico de ser desmascarado! E um dia isso irá acontecer! E rapidamente passa de bestial…a besta! De idolatrado a… desprezado!

“A mentira tem perna curta” por isso, no sentido de promover a sua saúde emocional e mental, mais vale encarar a verdade. Mais vale encarar um erro e corrigi-lo. Mais vale cair e pôr-

-se de pé. Mais vale gostar de si, potenciar a verdade, a honestidade, a sinceridade e viver em paz consigo e com os outros!   Afinal, é uma questão de tempo o deixar-se enganar si próprio!

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