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COMO SE VAI REINVENTAR A MODA NA ERA “PÓS COVID-19”?

Clara Morais

A Moda está intimamente ligada ao contexto histórico e influenciada pelas tendências que surgem através do “espírito do tempo”, também conhecido por “Zeitgeist”.

O “Zeitgeist” é uma palavra alemã que personifica o princípio da mudança na sociedade, porque permite a visualização do caminho que a humanidade está a seguir e assim “prever” alguns costumes, ou necessidades que surgirão e ajuda a formular os diversos ciclos que compreendem a criação de produtos e serviços. O “espírito do tempo” reflecte-se na criação, na confecção e mesmo na distribuição e consumo, e pode ser estudado através de acontecimentos como guerras, pandemias, conflitos, política, ideais de revolução, conquistas, alegrias, sofrimentos, condições e necessidades sociais e como estes factos provocaram mudanças no estilo de vida das pessoas.

O Covid-19 está a ter um enorme impacto na vida de todos nós e, particularmente, na indústria da Moda. Como esta se irá reinventar para responder ás expectativas do novo consumidor?

Algumas mudanças já se verificam. O conceito de “Semana da Moda”(entretanto todas foram canceladas), tenderá a ser virtual. Aliás o digital é uma realidade tanto para a indústria da moda, como para os consumidores.

Nesta fase, o e-commerce e as vendas online(que já eram uma realidade significativa) “dispararam”.  Surge uma questão:  como irão as lojas (físicas) cativar os consumidores, agora muito mais habituados a comprar confortavelmente a partir de casa? Um consumidor mais exigente e consciente, a nível de sustentabilidade das peças, a nível de segurança (vai para um provador experimentar roupa que outra pessoa já vestiu?), a nível de peças intemporais, de mais qualidade e mais duradouras. As lojas (marcas) terão de ir ao encontro dos desejos do consumidor, proporcionando-lhes, por exemplo, experiências únicas, em que o cliente vai á loja não só para comprar roupa mas principalmente para vivenciar uma experiência (pode ser um workshop com um consultor de imagem, apresentação de nova colecção, pode ser uma música num piano, e por aí….).

O conforto é também um factor importante, muitas pessoas estão a trabalhar em casa e muitas empresas irão investir nesse tipo de trabalho no futuro. Então conforto, durabilidade e intemporalidade são palavra de ordem nas roupas que iremos usar.

Pode perguntar-se: a moda é necessária? Sim, vamos continuar a consumir moda e produtos de beleza.

Claro que agora a prioridade são alimentos, remédios, produtos de higiene.

Mas as roupas são a nossa segunda pele. Através delas contamos a nossa história, falamos do nosso guarda roupa que é um acervo de memórias afectivas e demonstrativas de quem somos, e construímos a nossa identidade.

Vai haver é mudança nos hábitos de consumo: consciência, sustentabilidade, comprar menos e com melhor qualidade, peças intemporais, minimalismo, conforto.

As “tendências” irão apostar em peças que respeitem a sustentabilidade, que assegurem a segurança dos clientes (máscaras, golas grandes que também “escondam” o rosto,  peças confortáveis com capuzes que possam servir de protecção,…), intemporais.

Uma nova tendência está a surgir no mundo da Moda e da Internet, as roupas virtuais que são peças de vestuário inseridas digitalmente em fotografias. Os clientes adquirem uma roupa online e, após a compra, enviam uma foto que será editada virtualmente utilizando ferramentas de efeitos visuais e softwares de animação. Dessa forma, as roupas são inseridas nas imagens. A peça comprada não é enviada fisicamente, o único acesso que se tem a ela é por meio de sua inclusão nas fotografias.

 

Surgiu uma nova era na História da Humanidade. Todos vamos ter de nos adaptar e aprender com esta crise.

 

Apesar de tudo, a Moda continuará a fazer-nos sonhar, mas seremos mais responsáveis no seu consumo.

 

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