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Cultura, Literatura e Filosofia

ESTRANHO MUNDO – Parte II

Jorge Nuno

Uma visita ao site Global Firepower[1] permite-nos tomar conhecimento das maiores potências militares do planeta. Os primeiros seis países, por ordem decrescente, são: Estados Unidos da América [EUA]; Federação Russa; República Popular da China [RPC]; Índia; França e Reino Unido. Os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas [ONU], que têm direito a veto, são, precisamente, cinco dos seis países mencionados com maior poder bélico, com exclusão da Índia.

A indústria militar está a gerar três milhões de dólares por minuto, registando-se um aumento substancial das despesas mundiais com o esforço de guerra, superando, em muito, os tempos da chamada Guerra Fria, em que houve desenfreada corrida ao armamento.

Já em 2007, Joseph Stiglitz – Nobel da Economia 2001 – e Linda Bilmes – economista de Harvard – chegaram ao custo real bélico dos EUA no Iraque, no Afeganistão e num outro projeto associado ao “combate ao terrorismo”, cifrando-se nos 600 biliões de dólares[2].

Como é possível que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU queiram a paz na Terra se são eles têm interesse na promoção da guerra, e basta o veto de apenas um para abortar qualquer esforço de paz?

Líderes que querem alterar a constituição para eternizar um poder absoluto, com projetos megalómanos de globalização, sem opositores internos – que silenciam – e que, perante situações externas que ainda não controlam, compram o silêncio de outros líderes menos poderosos.

Um líder a sugerir, frente às câmeras de televisão, numa sala cheia de jornalistas, que fosse injetado um desinfetante no corpo das pessoas, como forma de eliminar o novo coronavírus, a fazer disparar o número de pessoas que acorreram às urgências, por intoxicação. Coisa menor… por se tratar de “notícias falsas”, disse.

Loucos, ganância, contrainformação, acusações de vírus criado em laboratório, seja em Kansas [EUA] ou em Wuhan [RPC], e população infetada em 195 países do mundo.  

Isto, faz-nos lembrar a peça dramática “O Rei Lear”, de William Shakespeare, em que um dos temas principais desta obra-prima – escrita com o seu ideal de justiça e humanidade[3] – é a cobiça, apresentando-nos, na parte final, um rei que enlouqueceu. Fiquemo-nos por quatro ideias:

– o bobo diz a verdade ao rei e ele não percebe;

– é uma infelicidade da época que “os loucos guiem os cegos”;

– “essa é a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem (…) coloca-se a culpa no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos tolos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas (…) sendo toda a nossa ruindade atribuída a influência divina”, e nunca o próprio assume a culpa, pois será sempre alheia;

– no bosque, o rei Lear pergunta ao cego, o conde de Gloucester: “Como é que você vê o mundo?” e Gloucester responde: “Eu vejo-o com todo o meu sentimento”.

Estranho mundo com tanta cegueira! Se o povo de alguns desses países é obrigado a não ver, noutros, mais livres, é incompreensível a cegueira.

Três dos países, considerados potências militares e que integram o Conselho de Segurança da ONU, estão no Top5 de óbitos pela Covid-19!

Ainda se vai conseguindo extrair algumas revelações, um pulsar… que apesar de intenso, acabam por ser poucos a conseguir discerni-lo com lucidez. Temos tido agora muito tempo para refletir e fazer-nos desejar, ardentemente, que surja o “milagre” da visão, em cada um de nós, e colocar essa visão e todo o nosso sentimento – positivo, espera-se – ao serviço da humanidade, para uma existência mais consciente, fraterna e justa, sem loucos ao leme.

(Continua na Parte III)

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[1] dados de 2018.

[2] um bilião equivale a 1 seguido de doze zeros [1 000 000 000 000].

[3] por volta de 1605.

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