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A ARTE DE “FABRICAR” PAZ

José Castro

Constato enquanto Coach, que um dos impedimentos comuns do coachee (cliente) avançar rumo ao seu objetivo pretendido é o “ruído” na sua “casa mental”. Essa enorme agitação mental está obviamente em sintonia com as excessivas emoções sentidas, pensamentos e comportamentos “desajustados” que potenciam novamente o desenrolar de todo o ciclo!

Esta situação é bem mais comum e, fruto da situação em que vivemos devido à Covid19, se intensificou. Não estou obviamente a abordar situações mentais já patológicas que obviamente necessitam de trabalho psicológico/terapêutico ou psiquiátrico especializado. Estou sim, sempre focado em atos de prevenção e esses podem (e devem) ser adotados por todos nós!

Na realidade não temos muitas saídas, se nossa mente produz em “modo automático” guerra! Temos que aprender a pazear, produzir a paz e o discernimento necessários para a manutenção da nossa boa saúde mental, ou caso contrário, deixarmo-nos arrastar nessa guerra interior e arcaremos com as respetivas consequências psicossomáticas!

Não deixa de ser curioso que o investimento que normalmente se faz na componente física e respetiva aparência é frequentemente muito maior do que na manutenção da saúde mental!

Tudo isto para relembrar que no passado dia 21 de maio foi o Dia Mundial da Meditação.

Afinal, temos um recurso que infelizmente a maioria de nós ainda desconhece, outros mesmo conhecendo ainda desvalorizam e finalmente alguns simplesmente ridicularizam! A Meditação curiosamente apresenta evidências científicas na produção da tal Paz mental e não se lhe conhecessem efeitos secundários!

Claro que em primeiro lugar é necessário conhecimento, aprendizagem e compreensão da técnica que vai escolher, entre as várias existentes! Depois de compreender o “porquê” e o “como se faz” é necessário “apenas” treinar! Lembra-se de quando começou andar de bicicleta? Conhecer os componentes da bicicleta e respetiva função era fundamental…mas não lhe garantia que soubesse andar de bicicleta. Era preciso prática, era preciso treinar…. E se calhar umas tantas vezes cair! Mas valia o esforço porque depois de adquirida essa competência ela jamais se perdia! Claro que é sempre possível saber mais, se for do ramo da física até pode calcular qual a inclinação com que deve fazer uma curva e respetiva velocidade! Contudo, isso já são outros assuntos.

Na meditação algo idêntico ocorre. Há que garantir que adquire conhecimentos e desenvolve determinadas competências, nomeadamente a inteligência emocional e espiritual. Há que aprender a saber “estar presente” ou seja focado e atento a determinada tarefa e à forma como interage com ela! A tal chamada “atenção plena!” Chegar aqui é um pequeno passo para si mas um grande passo para a sua paz interna! Mas isto ainda não é a meditação mais profunda! Depois de escolher a técnica de meditar com que mais se identifica, só falta uma coisa: prática e treino! E nunca mais esquece!

Mas afinal que é meditar? Será que é anular toda a atividade mental? O vazio? Claro que não! Os inquilinos da sua “casa mental” tais como as emoções, pensamentos, memórias e o ego (que julga e compara) vão estar sempre presentes! Só que com o tempo, o ruído que fazem transforma-se numa melodia! Afinal, é possível que o leitor diante de um piano produza ruído, enquanto um pianista produz uma bela melodia! A diferença simplesmente está no conhecimento e na prática (e inevitável talento extra!). Claro que, tal como no caso da bicicleta, é sempre possível saber mais! Se for da área das neurociências saberá qual a zona do cérebro que fica ativa, os neurotransmissores e hormonas libertados que lhe proporcionam a tal paz que procura, etc, etc. Contudo, isso já são outros assuntos.

 

Falta apenas para finalizar, uma tentativa de definição do que é meditar. Meditar é “repousar” a sua consciência (a sua componente imaterial e eterna). Esta apenas “observa” mas não interfere, interage ou julga aquilo que ocorre na sua “casa mental.” Uma possível analogia é imaginar que a sua consciência são os seus “olhos” que estão a olhar as nuvens do céu (estas representam emoções “negativas”, “positivas”, pensamentos, memórias, etc). Umas são escuras (mais negativas), outras menos escuras ou claras ! Apenas observe, não faça mais nada! Deixe as “nuvens” seguir o seu caminho… elas irão passar e depois finalmente aparecerá o “sol”!

Na meditação, ao deixar fluir o que se passa na sua “casa mental,” permitirá deixar aparecer de novo a “luz” na sua vida, a intuição e/ou inspiração mais profundas que lhe trarão mais paz, entusiasmo, sentido de Vida e compaixão para com todos os seres!

Aceite assim, o desafio de meditar…e de ser mais feliz!

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