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O QUE A PANDEMIA NOS ENSINOU?

Raquel Evangelina

Muito boa gente, tal como eu, acreditava que os tempos pelos quais estamos a passar nos tornaria pessoas melhores. Que a pandemia nos ensinaria a ser pessoas mais solidárias, capazes de se colocar no lugar do outro, com um maior sentido de respeito e de civismo. Mas conforme se tem visto acabou por não ser bem assim.

Não deixa de ser verdade que há pessoas que têm mostrado o teu espírito de solidariedade e entreajuda. Mas será que foi a pandemia que os tornou assim? Não. As pessoas que se preocupam com os vizinhos, que ajudam os grupos de risco e que colaboram com instituições de cariz social já o fariam em tempos ditos normais. Faz parte da sua essência e do seu carisma.

Vimos em plena época de confinamento obrigatório pessoas a ir à praia. A não cumprir o distanciamento social. A não usar máscara. E agora que as usam, por uma questão de não pagar multas, descartam-nas para o chão, assim como as luvas, em vez de as colocarem no devido lugar, desrespeitando o meio ambiente. Civismo? Não sei em quê.

Recentemente vimos também um polícia a matar um homem negro, aparentemente inocente. Pessoas melhores? Como é que se pode chamar pessoa a alguém capaz de matar um ser humano? Só porque sim? E depois temos fiéis seguidores que até já fazem o desafio George Floyd, nome da vítima, em que imitam a forma como ele foi morto. A estupidez é tão infinita como o Universo. Já dizia o outro.

E depois temos os destiladores de ódio. Principalmente nas redes sociais. Há os que não gostam dos negros e defendem a polícia. Há os que não gostam da polícia, e até podem nem ligar a negros, mas aproveitaram este caso para “incendiar” todos os que consigam contra as forças de segurança. Aprendam, de uma vez por todas, bons e maus há em todo o lado. Não tem a ver com raças, estratos sociais ou profissões. E destilar ódio não vos faz melhor que ninguém. Incentivar o ódio só gera mais ódio. Nunca o amor.

Mais civismo, mais respeito, maior solidariedade? Nada disto se aprendeu. Afinal o vírus não cumpriu com a expectativa. Mas há uma coisa que a pandemia nos ensinou. Pelo menos para quem ainda não o sabia. Ensinou que as pessoas não mudam. Até podem, por um tempo, fazer um esforço mas, mais cedo ou mais tarde, acabam por se revelar. Trata-se de uma questão de carácter. E a pandemia não consegue fazer milagres.

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