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TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO (TEA) – AINDA HÁ MUITO PARA APRENDER

Isabel Madureira

O termo autismo provém da palavra grega autos que significa próprio/eu e ismo que traduz uma orientação ou estado. Daqui resulta o termo autismo que, em sentido lato, pode ser definido como uma condição ou estado de alguém que aparenta estar invulgarmente absorvido em si próprio.

Segundo a definição dada pelo DMS-5,  transtorno do espectro do autismo  é um transtorno neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não verbal e comportamento restrito e repetitivo. Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.

Nos anos 40 e 50, os cientistas achavam que as causas do autismo estavam relacionadas com a qualidade das interações entre os pais e filhos. Quase que culpavam os pais, especialmente as mães, por não saberem/ conseguirem dar respostas afetivas aos seus filhos.

Foi só a partir dos anos 60 que a investigação científica, baseada em estudos de casos e nas doenças genéticas associadas ao autismo, como X-Frágil, esclerose tuberosa, neurofibromatose, mostrou a existência de um fator genético multifatorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem.

Daí se explica a incidência de casos de autismo nos filhos de um mesmo casal. É possível existirem fatores hereditários com uma contribuição genética fatorial multidimensional. Assim, por exemplo, a rubéola materna, hipertirodismo, prematuridade, baixo peso ao nascer, infeções graves neonatais, traumatismos de parto, podem ter grande influência no aparecimento das perturbações do espetctro do autismo.

Contudo, não é possível diagnosticar o autismo à nascença porque os comportamentos característicos não aparecem antes 18 a 36 meses de vida.

No final dos anos 70 Wing, Hermelin e O’Connor sugeriram a existência de um problema central, em todos os indivíduos autistas: uma tríade de incapacidades, nomeadamente: uma incapacidade ao nível da interação social com os outros, ao nível da comunicação verbal e nãoverbal e finalmente uma incapacidade ao nível das atividades lúdicas e imaginativas.

Wing considera que o quadro de autismo pode variar consideravelmente pelo que propõe a introdução do conceito “espectro do autismo” que inclui a ideia de uma gama variada de manifestações do comportamento do mesmo distúrbio.

Assim, a tendência atual aponta para uma classificação em termos globais de todas as perturbações do espectro do autismo, incluindo: autismo clássico ou síndroma de Kanner, síndroma de Asperger, perturbação desintegrativa da infância, autismo atípico e traços autistas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os distúrbios de desenvolvimento neurológico, como a dificuldade intelectual, distúrbio específico da linguagem, défice de atenção, hiperatividade, epilepsia e autismo afetam uma em cada seis crianças em países industrializados e os estudo demonstram que há cerca de 30% a 50% mais de meninos que sofrem destas doenças do que as meninas.

Um dos objetivos da equipa de investigação liderada pelo investigador Miguel Castelo-Branco é perceber o porquê da maior prevalência do autismo nos meninos, que para já ainda é um enigma. Para já sabe-se que se trata de uma vulnerabilidade do sexo masculino ou de alguma proteção do sexo feminino face à doença. O investigador está a estudar quais os determinantes biológicos que originam esta doença. Refutando que se trata de uma lei universal, lembra que normalmente, quando é diagnosticado numa menina, o autismo tende a ser mais grave.

As características mais evidentes, além da dificuldade de interação, estão os comportamentos repetitivos, movimentos estereotipados, interesses restritos, alteração sensorial (principalmente tato e audição), isolamento social, dificuldade em receber e executar ordens, pouca concentração, mas capacidade para ficar muito tempo a observar o mesmo objeto, atraso no desenvolvimento da fala, certa insensibilidade afetiva e, por vezes, comportamentos explosivos e violentos, apego à rotina e, por isso, muita dificuldade em aceitar as mudanças.

Na escola, os professores não devem esperar um perfil padrão. Cada autista possui as suas especificidades e nenhuma delas é igual, embora haja comportamentos comuns. Assim, torna-se importante conhecer as necessidades do aluno para desenvolver uma aprendizagem de qualidade e favorecer o processo de adaptação, que nem sempre é fácil. A dica fundamental é deixar o aluno falar, expor os seus gostos e as suas dificuldades. Se ele não quiser falar, não imponha a sua participação;

É também importante que fale com os pais. Eles conhecem melhor do que ninguém as facilidades e dificuldades do seu filho; Adapte o espaço da sala de aula. Os autistas desenvolvem uma hipersensibilidade e têm os sentidos muito aprimorados, nomeadamente, o auditivo; Por último, e mais importante, é necessário estabelecer uma relação de confiança com o aluno e estimular a socialização.

Resta dizer que as aprendizagens são muito lentas e, a partir de certa idade, normalmente, há lugar à regressão. Por isso, insista no desenvolvimento da autonomia, segurança e socialização.

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