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JOSÉ CARLOS SCHWARZ, TROVADOR QUE CANTOU A HISTÓRIA DA GUINÉ-BISSAU

Joana Benzinho

Quando se fala em música guineense, vem logo à baila o nome de José Carlos Schwarz. Este poeta de mão cheia foi o percursor da poesia escrita e musicada em crioulo nos anos pré e pós independência, criando um estilo muito rico e ainda hoje seguido pelos músicos do seu país.
Scharws, nascido em 1949 e com uma juventude que passou por Dacar e Portugal, criou no ano de 1970 o grupo kobiana Djazz com o qual começa o resgate do património musical de país, nomeadamente através do estilo guineense gumbé e nascem com ele algumas das mais bonitas músicas da cultura e história guineense. Ativista e combatente pela independência da Guiné-Bissau, usou a música como principal arma e as letras como motivação e alento para o movimento independentista do país. Foi prisioneiro político na Ilha de Galinhas e a esta ilha dedicou uma das suas músicas mais conhecidas, “Djiu de Galinhas”
Após a independência dedica-se à causa pública e em 1977 parte para Cuba, em missão diplomática onde acaba por falecer com apenas 28 anos num acidente de aviação a 27 de Maio do mesmo ano.
Mas a sua voz, a sua pena e a sua música nunca mais abandonaram a cena cultural da Guiné-Bissau e não há músico que não o invoque ou guineense na diáspora que não o cante em momentos de celebração do país.
A Schartz deve-se a conhecida música “Mindjeris di panu pretu (mulheres de pano preto) uma belíssima
homenagem às viuvas e mães de combatentes mortos no campo de batalha no período da luta pela independência ou uma outra que fala sobre o combate entre guineenses neste duro periodo da luta pela independência, “Ke ki mininu na tchora”.
Músico de intervenção e trovador de excelência que trouxe as tradições para a música moderna guineense, José Carlos cantou as dores do povo e a luta, com músicas como “si bu sta dianti da luta” (se estás na frente de batalha) ou “bu djubim” (quando olhaste para mim) e escreveu também o amor com a mestria de quem conhece e manobra as letras numa composição poética que a poucos cabe em heranca, como no texto “N disdja mil minjer na bo Pa n pudi mistiu abo son na mil mindjer” (Desejo mil mulheres em ti para poder amar-te, só a ti, em mil mulheres).
Apesar de breve, a vida de José Carlos foi densa, rica e de grande importância histórica, cultural e social para a Guiné-Bissau. E perdura para além da sua passagem por este mundo. Por isso ainda hoje é lembrado e cantado. E por isso vale a pena conhecer a sua discografia. Fica a sugestão

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