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SAUDADES DAS VIVÊNCIAS COLETIVAS…

Isabel Pinto da Costa

Tenho saudades de andar descalça, de beber duma fonte, de apanhar folhas, de dar um passeio à beira rio, de levar com o vento na cara, de respirar sem ter a boca tapada por uma máscara, de sentir o cheiro das coisas, de sorrir, que saudade!…

Tenho saudades da normalidade, da espontaneidade, de ir para a praia sem medos, de brincar na areia sem desinfetar as mãos, de me sentar nos bancos de jardins, de abraçar e ser abraçado.

Gestos, atitudes, ações tão simples que deixamos de fazer e o tempo passa e cada vez mais a normalidade está a demorar tanto a chegar.

O verão chegou e com ele não chegou o que era habitual, a liberdade de correr na praia, de ocuparmos o espaço que pretendíamos com as nossas famílias, de nos juntarmos, de jogarmos voleibol, futebol de praia, de almoçarmos na praia, de ver os pescadores chegar com o peixe. Todas as nossas ações são controladas, para bem da nossa saúde pública, mas perdemos a nossa espontaneidade.

Com a ida da espontaneidade, também foi embora o verdadeiro, leve e gratificante para a alma, pois, qualquer ação que tem que existir obriga a um cansaço mental e atualmente esta conjuntura da COVID exige uma maior responsabilidade.

Dissemos adeus aos pensamentos calmos, às despreocupações, às vivências tranquilas para darmos lugar aos pensamentos acelerados, às preocupações constantes, à organização permanente.

As vivências coletivas passaram a ser cada vez mais vivências individuais até porque mais uma coisa que perdemos, o podermos estar juntos, e isso contribuiu para cada vez vivermos mais para nós e vivermos mais um isolamento sociofamiliar.

É assim caso para dizer “que saudades tenho da despreocupação, da espontaneidade das vivências coletivas, da normalidade social”.

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