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Cidadania e Sociedade

QUE VENHA O FUTURO

Filipa Estevens e Carla Brites Lagos

Quando, no início do ano letivo 2019/2020, fomos colocadas no Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, em Rio Maior, estávamos longe de imaginar o que nos esperaria. Somos a Filipa e a Carla e fomos apresentadoras-professoras de Educação Física do 3º/4º e 9º anos do #estudoemcasa. Que desafio!
Não imaginávamos que a Educação Física constasse do leque de ofertas disciplinares. Uma questão se levantou de imediato “Como pôr em prática?”.

Mexe-te pela tua saúde!| Aula 1 Fica em forma| Aula 2

Se o Ensino @ Distância, a partir de determinada altura, se tornou uma muito possível realidade à medida que os casos surgiam no País, o desenvolvimento de aulas eminentemente práticas, através da Televisão, nunca sequer cruzou os nossos pensamentos. O Binómio Escola/ Família iria ser perpetuado numa “caixa mágica” que se queria translúcida, onde a Educação Física iria expor toda a fragilidade e especificidade de uma disciplina onde o papel e a caneta assumem papéis diferentes e secundários.

Correr ou não, eis a questão| Aula 3 Saltar e Lançar?| Aula 4

O desafio foi feito, em reunião geral de professores, através de uma das muitas plataformas de videoconferência que existem. Todos nós, incrédulos perante o tamanho da responsabilidade, ouvimos com atenção o que se propunha à Escola: organizar um conjunto de aulas, de diferentes disciplinas, para os 3.º/4.º e 9.º anos de escolaridade, por forma a podermos chegar a todos aqueles que não tinham acesso à internet. Depois de partilharmos as nossas dúvidas e anseios, chegámos à conclusão que era difícil dizer que não. Havia algo que nos movia: o poder fazer a diferença para um conjunto de pessoas que estavam no mesmo barco do que nós, apanhados pelo mesmo Tsunami Invisível que nos assolou e que precisavam de apoio. Eram alunos. Precisavam de nós.

Descobre o teu ritmo| Aula 5

Mas como operacionalizar esta coisa para a Educação Física? Os conteúdos curriculares e a exequibilidade dos mesmos, estavam sujeitos ao material e ao espaço, partindo do princípio que o material teria de ser construído com os recursos caseiros e que a área de atuação dos alunos-espetadores poderia ser muito reduzida. Assim, reinventámos toda a nossa prática pedagógica, modelámos o nosso saber, pesquisando, discutindo ideias, conceitos, recursos, em conjunto com o nosso restante grupo e membros da Direção Geral de Educação. De todo esse trabalho, foram surgindo os guiões das aulas e os nossos “episódios” foram tomando forma.

Aumenta o teu Ritmo| Aula 6

Conscientes do que nos esperava e do muito que desconhecíamos da situação particular de cada um dos alunos para adequar as estratégias, fomos desbravando o caminho e levantando hipóteses daquilo que, no meio de tanto, seria o menos complicado de implementar, avançámos. De todo esse trabalho, foram surgindo os guiões das aulas e os nossos “episódios” foram tomando forma.

3 Toques| Aula 7 Chutos e pontapés| Aula 8

Mas o mais difícil ainda estaria por vir. As câmaras, as luzes, o gerir o tempo, o medo de falhar e não poder repetir… Recordamos agora tudo com um saudosismo “leviano”, mas a inexperiência na área ditou o acelerar do coração, a falha da voz, as gafes. As perguntas sem resposta, a falta de feedbacks imediatos, a dúvida da exequibilidade dos exercícios, a exposição da imagem, tornaram esta prática ainda mais árdua.

GPT – Ginástica para Todos|Aula 9 Ases Indomáveis| Aula 10

Não foi um processo fácil. Não eramos figuras públicas nem estávamos habituados a este tipo de desafios. Estávamos completamente fora da nossa zona de conforto. Mas também não podíamos deixar-nos abater. Havia erros, sim. Claro. Não fomos preparados para isto que nos estava a acontecer. Fomos preparados para termos flexibilidade de raciocínio e jogo de cintura perante a incerteza, mas não para isto. Mas tínhamos de continuar. A par do muito trabalho que tínhamos para “montar” as aulas, continuávamos, à distância, com os nossos alunos da escola. Continuávamos “longe” dos nossos pois tínhamos receio de os contaminar. Continuávamos a ser mães, filhas, netas, esposas, irmãs e tínhamos que também dar resposta a esses muitos papéis. Não havia muito tempo para pensar nas coisas más, só no muito de bom que estávamos a fazer para alguém. Nem que fosse só um aluno, já tinha valido a pena. Os nossos, acompanhavam-nos também à distância, cheios de orgulho de termos dado o corpo ao manifesto.

Enquanto profissionais de Educação Física, consideramos que a opção de oferta de disciplina tenha sido um reconhecimento da importância da mesma e da atividade física como uma mais-valia, não só na importância do desenvolvimento dos nossos alunos enquanto cidadãos plenos mas também -e em tempos de pandemia muito mais – quando se requerem cuidados redobrados com a saúde. Esperamos ter contribuído para a consolidação de alguns conhecimentos relativos a determinadas áreas curriculares e que, principalmente, tenhamos contribuído para uma prática de exercício físico regular.

Participação na edição especial do Preço Certo – Professores do #EstudoEmCasa com a Professora Filipa Estevens.

Estamos certas de que o projeto foi uma mais-valia, independentemente do que tudo o que tenha corrido menos bem. Aquilo que sentimos é que será sempre um marco numa época em que todos nós nos reinventamos enquanto pessoas e procurámos tornar-nos melhores do que já alguma vez teríamos sido. Para nós foi uma experiência inesquecível. Uma amizade construída e um acreditar que tudo um dia poderá voltar a ficar, não tudo bem, mas tudo um pouco melhor do que era. Basta darmos o primeiro passo. Este foi o nosso. Que venha o futuro!

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