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Cidadania e Sociedade

SURPREENDENTE AVENTURA

Marta de Almeida

#EstudoEmCasa… Quando recebi o convite para escrever este artigo, senti-me logo muito motivada, pois iria recordar uma fase da minha vida da qual me orgulho bastante.

Texto Dramático| Aula 1

É de destacar que aos cinco anos já manifestava o desejo de ser professora, por isso digo muitas vezes que nasci para esta profissão e sou mesmo muito feliz com o que faço. Além de professora de Português, também leciono Francês e Espanhol.

No dia em que aceitei fazer parte da equipa do #EstudoEmCasa, na área de Oficina de Escrita, propus à minha coordenadora convidar a professora Joana Maria, embora nunca tivéssemos trabalhado juntas no Colégio. Isto porque no Colégio Atlântico os alunos têm a disciplina de Teatro juntamente com a disciplina de Português, no 6.º e 7.º anos. Trabalhámos tão bem juntas que parecia que nos conhecíamos há anos! Além da amizade que se criou, tive sem dúvida a melhor parceira ao meu lado.

Texto Narrativo: o escritor és tu!| Aula 2

Desde o primeiro momento, abracei este projeto com muita dedicação e entusiasmo. Era um grande desafio, em que teria de dar o meu melhor, em meu nome e em nome do Colégio. Estava consciente de que podiam surgir algumas críticas, mas, felizmente, não foi o caso. Pelo contrário, os comentários positivos e motivantes ainda me deram mais força para continuar esta experiência única. Sublinho que, enquanto professora de Português, tinha sempre receio de surgir alguma gralha num PowerPoint. De facto, os espetadores não têm noção que o PowerPoint “vai e vem vezes sem fim” e muitas vezes aparece desformatado antes da gravação. Efetivamente, foram mesmo muitas horas de trabalho para que nada falhasse, pois, entre o #EstudoEmCasa e o trabalho do Colégio, tinha o meu filho muitas vezes a chorar: “Mãe, só trabalhas!”. Ficava com o coração partido, uma vez que sabia que ele tinha toda a razão do Mundo.

Narração, descrição e diálogo| Aula 3

Voltando uns tempos atrás, recordo que as aulas que me custaram mais a gravar foram a primeira, pelo fator novidade, e a quinta, onde apresentei o Telejornal e tive de me descalçar em direto. Normalmente, ia sempre tranquila, não obstante, quando chegava ao estúdio e ouvia “Um, dois, três, começar…”, as pernas tremiam e parecia que já não sabia nada. Porém, o que me deixava mais nervosa era o facto de fazer teatro no início, no meio ou no fim de cada aula. Tinha de memorizar várias falas e não podia falhar, porque não podíamos voltar a gravar. Todavia, saliento que a ideia do Programa da Marta foi muito engraçada e, apesar dos nervos, diverti-me imenso. No total, apresentámos três Programas da Marta, onde a criatividade e a motivação tentaram despertar ainda mais o gosto pela aprendizagem da escrita e da língua portuguesa. Destaco, ainda, que adorei a aula 4, com a entrevista ao “Pirata mais famoso do Mundo”, embora a aula 6 também tenha sido muito divertida com um concurso, onde trabalhámos as sinopses dos filmes, na sequência do resumo e da síntese. É de referir que me inspirei na apresentadora Cristina Ferreira para criar as minhas personagens. Não pretendia de forma nenhuma imitá-la, mas tinha de me focar num exemplo televisivo de sucesso. Lembro-me perfeitamente de que o momento em que senti mesmo que estava a fazer teatro foi na aula 7, quando fizemos um bolo para trabalhar a pontuação e a Joana se esqueceu da caneca para fazer a medida da farinha, açúcar e óleo. Ela estava aflita, pois só tinha um prato para substituir a caneca! De repente, eu disse: “Joana, espera só um bocadinho que eu vou ali à nossa cozinha e já venho!”. Parecia que tinha sido programado, no entanto, não foi. Outro momento que recordo com entusiasmo foi o que aconteceu na aula 8, na medida em que estávamos a terminar a aula, mas faltavam ainda dois minutos e meio para os trinta minutos! Nesta aula, já tínhamos combinado com dois cameramen finalizar com as marchas populares e ficámos em pânico “Tanto tempo a dançar sem ensinar conteúdos!”, pensávamos nós.

Entrevista e Biografia| Aula 4

Resumindo, no geral, saíamos sempre do estúdio a pensar que tinha corrido mal, mas depois víamos as aulas na televisão e parecia tudo normal. Por exemplo, lembro-me de que uma noite dormimos duas horas antes de gravar. Eram três da madrugada e ainda estávamos ao telefone de volta do PowerPoint. Com a maquilhagem não se nota muito, porém, não é nada fácil enfrentar as câmaras, sobretudo quando estamos cansadas. No momento em que me sentava a ver as aulas, dizia muitas vezes: “Não parece nada a minha voz!”, “Não olho muito para as câmaras!”… Tal como nos pediram, dava aulas naturalmente, olhava e explicava mais direcionada para a Joana, pois não tinha os alunos à frente nem sabia olhar para as câmaras. Parece fácil, mas não é… Apenas a meio do percurso aprendi a olhar para as luzes vermelhas! Como dizíamos em jeito de brincadeira (eu e os cameramen): “Mais umas aulas e fica perfeito!”.

Notícia| Aula 5

Reitero que o nosso objetivo era que os alunos aprendessem de forma divertida, ou seja, todos os pequenos e grandes desafios foram pensados para cultivar o gosto pela escrita. Não tivemos tempo para trabalhar todos os tipos de textos, por isso selecionámos os que achámos mais importantes para desenvolver a arte da escrita. Tentámos articular com as aulas de Português, todavia, nem sempre foi possível, visto que a carga horária era diferente.

Resumo| Aula 6

Apesar de o nosso Colégio ser muito tecnológico, na nossa Oficina de Escrita não sentimos muita necessidade de usar tecnologias, pois o intuito era que os alunos escrevessem muito. Os alunos lá em casa só precisavam de um caderno, um lápis e uma borracha para resolver os desafios. Os temas que selecionámos eram apenas um mote para abrir horizontes, para viajarem na imaginação e escreverem de forma criativa. No início, parecia muito estranho estar numa Oficina de Escrita durante trinta minutos sem corrigir os textos. Pensava “Como é que será isto possível?”. E foi possível! Temos muita pena de não termos lido os fantásticos textos dos alunos, contudo, acreditamos que estavam todos muito bem escritos, cada um à sua maneira, devem ter surgido histórias fascinantes.

Poesia Visual e Pontuação| Aula 7

Foram tempos difíceis para todos, não sabemos como vai ser o futuro, porém, fica o sentimento de missão cumprida. Espero ter conseguido ajudar os alunos que nos acompanharam todas as sextas-feiras. Voltaria a fazer tudo outra vez! Foi um prazer fazer parte da equipa do #EstudoEmCasa, sem esquecer a Fremantle, que foi espetacular. Agradeço também às coordenadoras da DGE pela simpatia e sábias sugestões, assim como à equipa do Colégio Atlântico e à Direção que confiou em nós e que nos deu sempre força e motivação para continuar. Seria injusto se não agradecesse, também,  ao meu marido que tanto me ajudou nestes dias, são desafios que se fazem caminhando lado a lado.

Poesia – versificação, leitura expressiva e metáfora| Aula 8

Em resumo, cresci bastante enquanto ser humano, aprendi muito profissionalmente e fui muito feliz nestes meses em que decorreu o #EstudoEmCasa – três palavras que ficarão para sempre gravadas e guardadas no meu coração. Ficam vários sentimentos por descrever, na medida em que foram tantos e tão bons…

Carta formal e informal| Aula 9

O futuro ninguém sabe, mas continuarei a remar, aceitando desafios e vencendo obstáculos, pois uma pessoa lutadora nunca deixa de sonhar nesta estrada da vida que não é mais do que um caminho que só a experiência nos ajuda a percorrer.

Teatro, dança e escrita

Termino com uma frase de Charles Chaplin, que citámos na primeira Oficina de Escrita e que me deu motivação para ver a vida de outra forma e abraçar este nobre projeto com toda a força do Universo: A vida é uma peça de teatro que não admite ensaios. Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento da sua vida, antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos.”

 

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