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Saúde e Vida

A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NA CESSAÇÃO TABÁGICA

Ana Miranda

Psicóloga – Clínica Osvaldo Moutinho (Amarante)

O tabagismo é considerado uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e está associado a múltiplas doenças, provocando efeitos no Sistema Nervoso Central (SNC), aparelhos cardiovascular, respiratório, digestivo e reprodutor; bem como efeitos carcinogénicos, manifestando-se também a nível peri e pré-natal.

Evidências atuais indicam que cada órgão do corpo humano é acometido pelas 4700 substâncias químicas tóxicas presentes no cigarro, destacando-se a nicotina (substância psicoativa que gera a dependência), o alcatrão e o monóxido de carbono.

A área da cessação tabágica foi, durante um período significativo, negligenciada, surgindo somente na década de 80, os primeiros programas multidisciplinares, envolvendo diversas estratégias terapêuticas – terapia cognitivo-comportamental (TCC), suporte social e apoio farmacológico. Uma vez implementados, a melhoria nos indicadores de morbilidade e mortalidade, a curto e médio prazo, associados ao consumo, fez-se sentir; aliada a uma melhoria sugestiva do estado de saúde individual.

O consumo de tabaco está associado, para além da dependência física, e de forma intensa, a dimensões subjetivas do comportamento e a influências sociais, responsáveis pela iniciação e manutenção do consumo. Os reforços positivos (e.g. sensação de prazer concernente à ingestão) e negativos (e.g. irritabilidade e ansiedade do craving) ofertam o automatismo ao ato de consumo, tornando-o um comportamento repetitivo e regular – ciclo de retroalimentação.

A intervenção psicológica neste campo é, à semelhança de outras matérias, um processo gradual, adaptativo e estruturado, com solidez científica, “paráclito” na manutenção da abstinência.

Considerando a dependência física, há necessidade de avaliar, simultaneamente, o construto motivacional do paciente para a erradicação do comportamento indesejado/deletério. Os fumadores que procuram o serviço poder-se-ão encontrar em 5 fases distintas direcionadas para a mudança (Modelo Transteórico de Porschaska & DiClemente, 1994): fase de pré-contemplação (sem intenção de travar a adição); fase de contemplação (postura ambivalente face ao término do consumo); fase de preparação (tentativas efetivas, a curto prazo, de mudança do comportamento aditivo); fase de ação (consumo erradicado há 6 meses, sem recidivas) e; por último, fase de manutenção (consumo erradicado há mais de 6 meses, também sem recidivas).

Assim, perscrutadas a história de consumo e clínica do paciente e, tendo em conta, a idade e estádio motivacional do mesmo, é elaborado um plano terapêutico individualizado que permita, no menor hiato de tempo possível, mutações na ação. A componente farmacológica (reposição nicotínica – TSN, vareniclina e bupropiom) adita-se, regra geral, ao procedimento; sendo que, a obstinação do indivíduo (contrária à desídia e direcionada para a cura) carreia, eminentemente, o desfecho do tratamento.

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