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Cidadania e Sociedade

SEGURANÇA RODOVIÁRIA

José Castro

Todos os anos centenas de pessoas perdem as suas vidas nas estradas portuguesas. O ano passado resultou em 472 vítimas mortais e 2288 feridos graves. Na União Europeia, foram cerca de 23000 vítimas mortais e 120000 feridos graves. Na Europa, o número de vítimas mortais por milhão é de 49, quando a nível global é de 174. Cerca de 3300 pessoas morrem e 1,4 milhões ficam feridas diariamente nas estradas mundiais. É, pois, urgente diminuir estes números. Para isso há que apostar em três itens fundamentais: infraestruturas, automóveis e nos seres humanos.

No nosso país, se já temos uma rede de autoestradas significativa, facilitando viagens de longo percurso (apesar de portagens elevadas), por vezes encontramos pisos degradados, obras que se arrastam no tempo, criando condições de perigo acrescidas, sinalética deficiente, etc. Esta situação é potencialmente crítica para motociclistas. Constata-se por vezes, que entrar numa autoestrada acontece demasiado rápido pela ausência de uma faixa suficiente longa que permita acelerar. Por outro lado, as estradas parecem que deixaram de ter manutenção, nomeadamente no piso, marcação, etc. Após alguma intervenção por vezes a sinalética simplesmente parece esquecida!

Não há dúvida, que os automóveis nos últimos anos tornaram-se muito mais seguros, tendo os seus construtores apostado na segurança ativa, com um conjunto de dispositivos e alertas ao condutor da eminência de perigo, assim como na segurança ativa. A condução autónoma, poderá numa primeira fase, ser um fator de risco extra pelo excesso de confiança do condutor no automóvel. Basta a estrada não ter marcação lateral (e ocorre por vezes antes de uma saída em autoestrada) para baralhar o sistema! O conforto, ergonomia, insonorização, potencia (e elevado binário nos elétricos) e as exigências nos testes de “colisão” são cada vez maiores, mas nunca se conseguem ignorar as leis da física em caso de colisão! A suavidade do andamento a alta velocidade (como é mais seguro logo posso andar mais depressa) cria uma ilusão de segurança que em frações de segundo pode desencadear um acidente fatal. O custo de toda esta segurança, é elevado e a gama baixa e portando menos dispendiosa de qualquer modelo, vem sempre mais “depenada” destes equipamentos. Dos cerca de 5 milhões de automóveis que circulam em Portugal, seria interessante saber a média de idades e o grau de segurança dos mesmos, apesar da obrigatoriedade de inspeção periódica.

 Por fim resta analisar, a componente mais importante da condução (para já) que é o ser humano. Num futuro próximo, quanto mais elevada for a “inteligência artificial” do automóvel e a sua capacidade de “aprender” mais rápidas e adequadas são as decisões tomadas pelo veículo, pois não se deixa paralisar pelo pânico, nem tem picos de adrenalina, quando encontrar um camião contra a mão, desviando-se e parando em segurança (espero)! Mas por muito interessante que seja essa situação, o prazer de conduzir não desaparecerá do ser humano. E é este prazer em conduzir que é essencial para a sua segurança. Conduzir tranquilo, atento e focado no que está a fazer. Apreciar a viagem, mas a saber o que se passa em todos os lados do automóvel. Todo o nosso organismo tem que estar “unido” ao automóvel, para tomar as melhores medidas de prevenção. Estar em movimento, de tal forma que o nosso corpo não possa resistir ao impacto em caso de colisão, é uma atividade de risco! Este facto, torna-se mais evidente quando se é motociclista. Motar, motociclo e estrada tornam-se um só. Verdadeira atenção plena! Quando se vai “enlatado” no automóvel, o potencial das distrações é muito mais elevado e a probabilidade de erro ou falha sobe exponencialmente. Não dá para estar ao telemóvel, tablet, ajustar GPS,  etc. A 110km/h, numa distração de apenas 1 segundo percorre-se 30,6 metros (sem saber por onde), e muita coisa pode acontecer…inclusive o acidente. Nem sequer vou abordar a condução sob o efeito de substâncias aditivas (álcool, drogas, medicamentos) pois isso revela uma irresponsabilidade que tal não concebo como racionalmente é possível.

Espero caro leitor que nunca passe por nenhum acidente pois, apesar dos milésimos de segundo em que ocorre, temos consciência de tudo. Tinha 15 anos quando um automóvel saído de uma curva em contra a mão embateu no carro de meu pai. Como sempre apreciei automóveis, esses momentos foram suficientes para registar a sua marca e modelo. Durante semanas, em sonhos, via e revia o acidente. Quando passava numa curva e em especial aquela, imaginava aparecer alguém sempre em contra a mão. Felizmente, ninguém morreu, apenas ficamos feridos com alguma gravidade. Hoje, não passa de uma recordação e de gratidão por todos os que nos ajudaram até à chegada ao hospital.

Por fim, apenas uma “dica”: quando comprar automóvel, aposte mais na segurança do em algo meramente estético. A sua Vida e a dos outros merecem. Há, pois, que reduzir o índice de mortalidade nas nossas estradas. Uma boa viagem para si.

One thought on “SEGURANÇA RODOVIÁRIA

  1. O final é mais ou menos equivalente ao artigo: Uma pequena dica.
    Se fosse uma opinião, logo o seu início era contestável, dada a ordem dos itens:
    “Para isso há que apostar em três itens fundamentais: infraestruturas, automóveis e nos seres humanos.”
    Não consegui entender o objectivo e substância.
    Para fazer uma análise é necessário o desenvolvimento das áreas citadas, com dados e cruzamentos.

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