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Saúde e Vida

VIVER COM UM TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO

Ana Miranda

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um distúrbio mental caraterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões, com impacto extensível a todas as esferas de vida. Apresenta-se, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), na listagem das dez maiores enfermidades propulsoras de incapacitação.

As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, vivenciados como intrusivos e indesejados. As compulsões, por sua vez, dizem respeito aos comportamentos repetitivos ou atos mentais que o indivíduo se sente compelido a executar em resposta às anteriores, ou de acordo com regulamentos que este sente, deverem ser, rigidamente aplicados. Ora, as compulsões ou atos mentais têm como escopo a prevenção ou redução da ansiedade/desconforto ou a prevenção de eventos/situações temidos, sendo, por via de regra, demasiado excessivas e desproporcionais à realidade que pretendem neutralizar.

As obsessões estão associadas, comummente, à contaminação por germes; fiscalização de portas, janelas, gás ou outros; pensamentos hostilizados envolvendo sexo, religião e danos, abrangendo os outros ou a si próprio; e ordem/simetria de objetos. A limpeza nímia do corpo ou espaços, a verificação e ordenação sistemáticas, assim como a contagem meticulosa, são exemplos frequentes de compulsões/rituais extensos e cansativos.

A par destes pensamentos e comportamentos caraterísticos, os indivíduos com TOC, podem também apresentar tiques motores (e.g. piscadela de olhos, encolhimento de ombros) e vocais (e.g. sons repetitivos de cheirar, grunhir).

Amplamente discutidos, os fatores de risco da TOC incluem: a genética (a probabilidade de desenvolvimento desta patologia aumenta significativamente quando um familiar de 1ºgrau a manifesta), a estrutura e funcionamento do cérebro (estudos revelam diferenças no córtex frontal e estruturas subcorticais, dos sujeitos com TOC) e o meio ambiente (a exposição a traumas, como um abuso físico ou sexual, amplificam a possibilidade de diagnóstico).

No que concerne ao tratamento, a desordem é controlada, amiúde, com recurso à medicação (e.g. fluoxetina, fluvoxamina, sertralina) e psicoterapia (e.g. terapia cognitivo comportamental, mindfulness). A primeira, sem a assistência da segunda, revelar-se-á, sempre, improfícua.

A ansiedade gerada por pensamentos instigantes, que ocupam a mente do sujeito numa escala desmedida, é motivo de forte sofrimento psicológico. Auxiliar o indivíduo a entender as causas do TOC e a examinar os pensamentos, sentimentos e comportamentos que perpetuam o ciclo de obsessão e compulsão, com vista ao desenvolvimento de estratégias de resolução do problema, são oferendas expressivas da terapia com um profissional de saúde mental qualificado, que aliviam, em proporção, as sensações molestas e complexas, filiadas ao transtorno.


Psicóloga

Clínica Osvaldo Moutinho

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