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Cidadania e Sociedade

COMO ESTAMOS DE CONFLITOS?

José Castro

Os conflitos são uma constante nas relações humanas. Estes decorrem dada a especificidade de cada ser humano, suas vivências, crenças (limitantes!), “sombras”, virtudes, emoções, enfim, sua forma de ser, sentir e pensar! Conflitos ocorrem entre os casais, na família, no trabalho, nas organizações, no governo, etc, ou seja, em qualquer lugar onde estejam pelo menos dois ser humanos. Conflitos não resolvidos geram violência mental, verbal e mesmo física, originando inúmeros homicídios. Ocorrem conflitos internacionais originando sansões, retaliações e muitas vezes a guerra! Conflitos não resolvidos, são como os fogos que se não forem “eliminados” na fase inicial se convertem em incêndios descontrolados causando inúmeros danos. Perante isto, a solução imediata seria eliminar os conflitos a todo o custo, quer nos nossos relacionamentos interpessoais quer entre países. O conflito é normalmente visto qual “vírus” que penetra nas relações e as destrói e que tem de ser contido! Perante esta visão do conflito, que ocorre frequentemente entre casais, nas organizações (entre a gestão de topo e os diferentes setores), etc, e que promove um ambiente “explosivo” onde o que tem mais poder na relação (chefe, marido ou mulher dominantes…) impõe o seu ponto de vista. Por seu turno, o outro guardando um conjunto de emoções negativas aparentemente aceita e parece que o conflito está eliminado. Mas será que é mesmo assim? Mais uma vez, fazendo analogia com os incêndios, quando este parece eliminado, ocorre bem longe um outro foco que se originou através da queima subterrânea das raízes das árvores. O fogo estava lá…mas não se via! O evitar (ignorando que existe conflito) ou acomodar-se (cedendo sempre), nada resolvem a longo prazo, e competir com o parceiro, apenas leva a uma intensificação do conflito!

Não é a ausência (visível) do conflito que prova a sua não existência. Como resolver este paradoxo? A eliminação do conflito só se prova pela tomada de consciência da existência do conflito! De que forma ocorre este processo?

Em primeiro lugar há que desativar a crença de que os conflitos são sempre negativos!

 Curiosamente, os conflitos também possuem as suas vantagens como elementos impulsionadores, criativos, indutores de novas ações, de novos “mapas mentais”… que se consideram mais eficientes. Já imaginou se todos pensassem e agissem exatamente do seu modo? E se o seu par fosse, em termos mentais uma fotocópia sua? Como evoluiria a sua relação? Como lidaria com o tédio? Para se relacionar com alguém que pensa exatamente como você (ou si!), já tem o seu “autorrelacionamento” ou relacionamento intrapessoal, que também não está isento de conflitos, vinte e quatro horas por dia!

 Como se eliminam conflitos?

O antídoto para os conflitos é saber negociar de forma colaborativa. Essa negociação tem de ocorrer num clima de paz (interna e externa), onde a escuta ativa, empatia, compaixão e assertividade estão presentes. Não existe negociação sem uma eficaz e pacífica comunicação!

Como quer eliminar um incêndio, com material extintor ou com adição de mais combustível? O ambiente em que ocorre a negociação, a clareza e qualidade da comunicação, onde cada ponto de vista, com respetivas vantagens e desvantagens, é conjuntamente analisado é crucial para gerir um conflito. Comunicar de forma eficaz, significa “tornar comum”. Vamos simular um conflito entre duas pessoas a nº 1 e a nº 2. Obviamente que a pessoa nº 1 vai emitir a sua opinião que denominamos de A. As pessoas 1 e 2 vão analisar tranquilamente as vantagens e desvantagens da proposta A. De seguida a pessoa nº 2 vai dar a sua opinião que denominamos de B. Igualmente as duas pessoas vão elencar vantagens e desvantagens dessa proposta. Feita esta análise no ambiente pacífico descrito acima seria interessante que os dois conseguissem chegar a uma nova proposta surgida da reflexão das propostas A e B, que vamos denominar de C. Esta proposta conjunta, C, (tornou-se comum aos dois) vai à partida apresentar mais vantagens que as propostas iniciais A e B. Como toda a negociação, além de uma preparação e fecho possui a fase da implementação. Neste caso, consiste em colocar em prática, fruto da sinergia gerada entre os envolvidos, a proposta selecionada C.

Temos assim três fases fundamentais: a fase do conflito (que não tem que ser negativa), a da gestão de conflito que ocorre na negociação e finalmente a da eliminação do conflito, quando se implementa uma proposta mais profunda (que todos comungam) permitindo a evolução dos envolvidos.

Neste sentido, no Dia Mundial de Resolução de Conflitos, desejo a todos que tenham muitos conflitos, mas que sabiamente os reconheçam como oportunidades de aprender, crescer, sentir, mudar e pazear.

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