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Cidadania e Sociedade

“É A ECONOMIA, ESTÚPIDO” – HISTÓRIAS DE BURROS E ELEFANTES

Rui Canossa

A primeira vez em que se associou o burro ao Partido Democrata foi durante a campanha presidencial de 1828, quando a oposição tentou ligar a figura do animal às propostas populistas do candidato Andrew Jackson. O tiro saiu pela culatra: o democrata não só foi eleito como passou a usar o burro para representar a firmeza da sua gestão. A história ficou esquecida por uns tempos, até que em 1870 Thomas Nast rabiscou o animal na revista Harper´s Weekly e a mascote pegou. Em 1874, o próprio Nast criaria o elefante republicano, publicando outro desenho que caiu no goto do povo. Outros cartunistas gostaram da ideia e passaram a representar os animais – ora ressaltando o seu lado bom, ora o lado mau. Afinal, o jumento pode simbolizar tanto coragem, humildade e esforço quanto estupidez e teimosia. Já o elefante pode representar força e inteligência, mas também conservadorismo e pretensão. Aproveitando apenas o lado positivo, o Partido Republicano adotou o paquiderme como seu símbolo oficial. Os democratas não foram tão longe, mas, de vez em quando, usam um burro como mascote.

Outra curiosidade nas eleições americanas que se aproximam é a expressão: “It´s the economy, stupid”, popularizada pela campanha de Bill Clinton em 1992 e que o levou à vitória. A expressão, que traduzindo para português, “´é a economia, estúpido”, para justificar o estado das coisas. E parece que é mesmo a economia que está a dar vantagem a Donald Trump. E o candidato tem às costas a maior contração da economia norte-americana, 32,9% face ao ano anterior e uma taxa de desemprego em abril de perto de 15%. Mas, antes do COVID 19 aparecer a taxa de desemprego estava nos 4% e a economia crescia entre 1,4% e 3,3%, ao trimestre! E esta performance, fez com que, no início do ano, 63% dos americanos achavam que Trump tinha feito um bom trabalho na economia, e que mesmo agora esse valor é de 47%. Mesmo após o colapso económico, 8 em cada 10 desempregados republicanos, do partido de Trump, que ainda não recuperaram os seus empregos aprovam a gestão do presidente durante a pandemia.

Para se perceber bem este fenómeno, convém lembrarmos que Donald Trump surgiu na cena política com a imagem de um empresário bem-sucedido especialista em negociações duras e em ganhar dinheiro, apesar de já ter estado falido. E mesmo agora o comportamento da bolsa norte-americana tem sido um dos principais trunfos de Trump com os mercados a baterem sucessivos máximos históricos.

Apesar dos 7 pontos percentuais de vantagem de Joe Biden nas sondagens, não se admire se Trump ganhar. Qualquer que seja o presidente, ele terá de lidar com uma crise económica inédita e para uma recuperação lenta e difícil. Esperemos que não venham mais uma vez atirar as culpas para a economia!

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