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Saúde e Vida

A SAÚDE MENTAL E O COVID-19: PONTOS DE EQUILÍBRIO

Ana Miranda

Não sou de me pronunciar, por esta via, no que diz respeito a matérias amplamente discutidas; não só porque se são excessivamente exploradas, já todos possuímos sobre elas conceções estáveis, mas também porque considero ser crucial a abstração momentânea (travo, inclusive, querelas diárias para conseguir manter o desfoque de toda a conjuntura atual, ainda que por escassos minutos, em prol da minha sanidade mental).

Não obstante, à data de redação desta crónica, os números de mortalidade e novos casos de infeção no país são, de tal maneira, terrificantes, que me senti compelida a abordar a temática, conexa à saúde mental.

A esmagadora maioria da população (quero acreditar!), já percebeu que este vírus diuturno é real, e não oriundo de teorias da conspiração, como outrora muitos estultos anarquistas defendiam (e defendem!).

O quesito é: estando nós a passar por um período difícil e, se nos permitimos entender que a nossa existência (e a dos que nos são queridos) não é superior à de outrem, o que fazer para evitar o desvario movido por receios válidos e axiomáticos?

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) criou um conjunto de informações relativas ao COVID-19, baseado em conteúdos já divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de extrema utilidade aquando de situações de isolamento, e que pode ser consultado por todos. De um modo geral, as recomendações passam pela limitação (não alheamento) de exposição às notícias que amplifiquem a ansiedade e preocupação; utilização consciente das redes sociais e telefone, como forma de driblar o afastamento social; a prossecução das rotinas habituais, dentro do exequível; a ingestão de uma alimentação saudável; a ativação de estratégias de coping, utilizadas no passado, para a superação de situações adversas; e a visão positiva da pandemia, que passa pela oportunidade de abrandamento/instrospeção.

No site do Hospital de São João, podemos encontrar, de igual modo, estratégias para o processo de organização das rotinas diárias, em fase de quarentena.

A linha Saúde 24 (808 24 24 24) disponibiliza também um serviço de aconselhamento psicológico (opção 4), efetuado por psicólogos especialistas em intervenção psicológica em situações de catástrofe, destinado a toda a população, e que pode mitigar algumas sensações de conturbada gestão emocional.

Adstrito ao mencionado, foi desenvolvida uma parceria entre a empresa OutSystems, a Associação de Psicologia da Universidade do Minho (APsi – UMinho) e investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), que resultou na criação de uma aplicação gratuita (APP), disponível para iOS e Android, de auxílio em contexto pandémico – Psicovida. A plataforma coloca os utentes em contato, através de videochamada, com psicólogos credenciados, e está organizada em módulos: stress e ansiedade, perda e luto, idosos e seus familiares, gravidez, apoio na carreira, violência, gestão de dinâmicas e cuidados familiares. Trata-se de uma intervenção em crise breve, imersa na estabilização psicológica imediata, não substituindo, obviamente, uma intervenção psicológica mais regular e profunda.

Em conclusão, a saúde mental, que sempre fora considerada o parente pobre das doenças, nesta insólita era, assume um vigoroso protagonismo. Neste campo, os comportamentos de proteção exigidos pela Direção Geral de Saúde – DGS (que sistemáticos/repetidos no tempo, mais se assemelham a um Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, atinente à misofobia), não nos protegem da psicopatologia. Compete a cada um de nós, doravante, manter a calma e encontrar o senso, promovendo o autocuidado, e testando as estratégias de sobrevivência que nos aprouver (mesmo que se trate de um solilóquio!), sem nos curvarmos ao desânimo e à descrença. Se dá trabalho? Dá! Mas a nossa saúde mental é, por demais importante, para não legitimar essa pertinácia!


Psicologia - Clínica Osvaldo Moutinho

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