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Cidadania e Sociedade

A GRANDEZA DAS COISAS SIMPLES

Celmira Macedo

Hoje conheci o João. Sorriu quando lhe perguntei que boneco era aquele que tinha nas mãos.

–“É um duende mágico chamado EKUI e tem amigos super-heróis. Foi a minha mãe que deu. Estava dentro de uma caixa com letras”.

Antecipando-se a um pedido de uma melhor explicação, disse-me:

– “Os super-heróis andam pelas terras a lutar contra o monstro das barreiras. Um monstro feio que não deixa as pessoas falarem umas com as outras.”

Perante o meu ar perplexo, continuou:

– “Sabias que há pessoas que não veem, que são cegas? outras que não ouvem, que são surdas? e que há pessoas que não conseguem falar?”

Ainda sem me deixar intervir, concluiu:

– “O EKUI ajuda essas pessoas com estas cartas, têm letras, sons e gestos. Assim, as pessoas aprendem e ficam felizes porque podem conversar.”

Derreti de orgulho. Como poderei alguma vez agradecer à mãe do João por lhe ter oferecido aquela caixa. Fosse qual fosse o seu objetivo, o resultado foi extraordinário: o João, aos cinco anos, deu-me uma lição de cidadania e de solidariedade. Madalena, a mãe do João, disse-me mais tarde que queria que o filho descobrisse a grandeza das coisas simples. Respondi-lhe que era um bom hábito. Um hábito de pais brilhantes segundo Augusto Cury, um reputado psiquiatra e escritor brasileiro.

Para Cury os pais podem ser bons ou brilhantes, mediante a forma como educam os filhos. Os pais bons dão presentes, já os pais brilhantes oferecem experiências para que os filhos aprendam a ser; os bons pais alimentam o corpo, os pais brilhantes alimentam a personalidade; os bons pais corrigem os erros, os pais brilhantes ensinam a pensar; os bons pais dão informações, os pais brilhantes partilham histórias; os bons pais dão oportunidades, os pais brilhantes nunca desistem de transformar os filhos em pessoas melhores.

No tempo difícil em que vivemos sejamos como a mãe do João: pais ou mães brilhantes. Ousemos educar para o humanismo e para a empatia, para a vontade e capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, sentindo as suas dores. Ousemos ensinar a dar sem esperar recompensa, o que nos tornará inesquecíveis aos olhos de quem nos quer bem. Oferecer a nossa história às crianças, irá enriquecê-las. Permitir que sejam autónomas na resolução de problemas e dificuldades, torná-las-á resilientes. Possibilitar que descubram o diverso e o respeitem, fará delas cidadãs justas.

No fim aprenderão a ser felizes com coisas simples: a valorizar um sorriso, um olhar ou a viver bem na esperança agora adiada de um abraço. E nesse caminho prosseguirão emocionalmente fortes, livres, firmes e pró-ativas. Privilégios que infelizmente, nem todos temos.

Nota: Nunca cheguei a dizer ao João que fui eu que criei o EKUI.

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