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Saúde e Vida

DEIXEI DE OUVIR, E AGORA?

Carla Guimarães Cardoso

A perda súbita de audição é devida, na grande maioria dos casos a patologia benigna e facilmente resolúvel sendo que a causa mais frequente é a oclusão do canal auditivo por cerúmen. Mas como todas as excepções à regra as causas menos frequentes são graves e com diagnóstico urgente.

Com uma incidência de 5 a 27 por cada 100000 indivíduos a surdez súbita idiopática (SSI) é uma patologia cujo prognóstico está intimamente relacionado com a urgência do seu diagnóstico.

A SSI caracteriza-se por uma perda auditiva superior a 30dB, de tipo neurosensorial, isto é da parte interna do ouvido, e que abrange pelo menos 3 frequências contíguas com uma evolução de menos de 72 horas. Podem-se associar outros sintomas como zumbido, sensação de ouvido cheio e tonturas, sendo a presença de tontura um sinal de mau prognóstico.

À observação o ouvido do doente é anatomicamente normal sendo mandatório realizar um estudo auditivo que nos vai mostrar o tipo de perda, como referido anteriormente neste caso temos uma perda neurosensorial e o grau dessa perda. Este dado tem também importância prognóstica.

Assim, para além da presença de tonturas e de perdas severas é também factor de mau prognóstico a idade superior a 65 anos.

Uma vez estabelecido o diagnóstico de SSI o doente deve efectuar estudo imagiológico com ressonância magnética (RM) do ouvido interno e cerebral. A imagem vai permitir não só excluir o schwannoma vestibular como causa da surdez súbita mas também descartar outras causas mais raras como a esclerose múltipla entre outras. O schwannoma é um tumor benigno, raro com um crescimento lento cujo diagnóstico precoce permite abordagens terapêuticas mais simples e conservadoras. Para além da RM não está indicado qualquer outro tipo de investigação laboratorial ou imagiológica.

A causa da surdez súbita idiopática é desconhecida havendo contudo várias teorias, infecção vírica, compromisso vascular, doença auto-imune, patologia do ouvido interno e patologia do sistema nervoso central. Até ao momento o que está demonstrado é que há uma cascata inflamatória responsável pela morte celular que ocorre na SSI. O objectivo do tratamento é parar e reverter os efeitos desta cascata. Obviamente quanto mais rápido conseguirmos actuar menores serão os estragos e maior a probabilidade de recuperação. Idealmente o tratamento deverá ser iniciado na primeira semana, preferencialmente logo no dia em que o doente sentiu a perda. Na primeira linha estão os corticóides, administrados por via oral ou directamente ao ouvido através de uma injecção intratimpânica. Em alguns casos pode ser associado tratamento com Oxigenoterapia em Câmara Hiperbárica.

 

Assim, quando deixar de ouvir procure ser rapidamente obervado pelo seu otorrino. Pode ser só cerúmen…mas também pode não ser.

 

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