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O VALOR DAS PEQUENAS COISAS

David Amaral 

O momento atual fez-nos sentir falta de rotinas e hábitos que, durante tanto tempo, assumimos como adquiridos. São pequenas coisas, aparentemente triviais, que completam e dão normalidade à nossa vida, como é o caso de uma simples «conversa de café» presencial, despreocupada, banal e, contudo, tão social.

Uma reportagem televisiva mostrou-nos um Café no Alentejo antes e depois da pandemia, onde as habituais tertúlias de Cante Alentejano deram lugar ao silêncio e à ausência de clientes, retrato vivido em grande parte dos estabelecimentos, sejam ou não de restauração, com evidentes implicações económicas.

Contudo, as implicações sociais da privação das pequenas coisas não devem ser menosprezadas. As rotinas, as pessoas e os até espaços considerados ‘não essenciais’, onde se é conhecido pelo nome, e a simples saudação ou um curto diálogo nos integra num ecossistema fundamental para o nosso bem-estar: a vida em sociedade.
Quais são as pequenas coisas ou rotinas de que sente falta?

Eu sinto saudade do abraço, do beijo na face que em criança me recordo de limpar com o braço, da conversa corriqueira a menos de um metro de distância, das caminhadas à beira-mar, do café na esplanada com a leitura do jornal da ‘casa’, da viagem e do fim-de-semana fora, dos restaurantes habituais ou da descoberta de novos, dos jantares em casa com amigos e familiares, dos espetáculos, de manusear o livro numa biblioteca, do ‘choca aqui’ com os alunos, das festas de aniversários dos filhos e amigos,…

Este texto não é um manifesto sobre o que a pandemia nos privou ou uma crítica às opções tomadas. A alteração das nossas rotinas, nestas circunstâncias, por mais simples que sejam, são um ato de responsabilidade e de cidadania para o bem comum e para a diminuição do contágio.

Afirmar-se que estamos privados da nossa liberdade, utilizando a palavra ditadura, é um sinal de profundo desconhecimento, ignorância histórica e até desrespeito por quem sentiu, no corpo e na mente, a verdadeira privação física e de liberdade de expressão.

É de senso comum dizer-se que quando sentimos falta de algo ou de alguém entendemos o seu real valor. Este momento confirma que as pequenas coisas e algumas rotinas, assumem, afinal, maior importância do que imaginámos.

A bonança aproxima-se.

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