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Cidadania e Sociedade

RE|PENSAR O ESPAÇO PÚBLICO

Mateus Oliveira

O ano que agora findou transformou, de forma tão drástica quão imediata, a nossa relação com os espaços. As vivências no espaço exterior ficaram fortemente condicionadas e fomos “obrigados” a repensar e redefinir a relação com a nossa casa [uma reflexão que me exijo fazer, com o tempo e o estudo que merece]. Percebemos que ter um quintal, um pequeno logradouro ou até uma varanda passou a ser um privilégio. Mas percebemos, também, que a organização espacial do espaço urbano é completamente deficitária e que a relação “higiénica” com o espaço envolvente às habitações, sobretudo multifamiliares, é deficiente. Porque, de forma muito taxativa, não há planeamento urbano.

De facto, a intervenção no território é definida por ações a retalho, sem objetivos claros, sem conhecimento efetivo das zonas de intervenção e “sem tempo”. No fundo, exatamente o oposto do que definem as premissas mais básicas do planeamento. Urgem, por todo o lado, planos estratégicos multidisciplinares cujo tempo de materialização não seja definido por atos eleitorais. Pensar e planear o território da escala macro à escala micro exige bem mais que 4 anos. Exige 10, 20 ou mais! Tendo inerente à mais valia técnica de quem o pensa, a flexibilidade necessária a novas circunstâncias.

Hoje, mais do que nunca, temos a obrigação de perceber que a nossa relação com o espaço público é – e de que maneira – uma questão de saúde pública. Como tal, a atenção que lhe é dada deve ser – para todos nós – uma preocupação constante. Em breve, como tudo indica e como todos desejamos, voltaremos a encher as ruas, e é fundamental que saibamos exigir (também de nós próprios) um ambiente urbano melhor. Devidamente pensado, com espaço para as pessoas e as suas diferentes vivências, com zonas verdes, com infraestruturas adequadas aos modos de mobilidade suaves, com exposição solar adequada (e que falha há, quer no espaço público quer na habitação, no que respeita à relação com o sol)… no fundo, tendo a ecologia, a sustentabilidade, a inclusão e a dimensão “friendly” do espaço urbano como pressupostos de base do planeamento, projeto e materialização do espaço que todos partilhamos.

Teimamos em agir por reação. Hoje, na sequência daquilo que passamos (e infelizmente continuamos a passar), é hora de passar à ação.

 

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