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Saúde e Vida

COVID NA CRIANÇA – TUDO O QUE PRECISA SABER

Lígia Peralta

PARTE  2

Nota: SARS-CoV-2 é o nome do novo coronavírus e significa Severe Acute Respiratory Syndrome (Síndrome Respiratória Aguda Grave) – Coronavírus – 2. COVID-19 (Coronavirus Disease) é o nome da doença e significa Doença por Coronavírus, fazendo referência ao ano em que foi descoberta, em 2019.

A decisão de encerrar as creches e escolas foi tudo menos uma decisão linear e fácil para o governo, assim como se espera que não o seja a decisão de reabrir de novo. Se por um lado as crianças necessitam de voltar às suas rotinas normais e os pais de voltar a trabalhar, também é preciso pensar que o distanciamento social, neste momento, é imperativo para que o número de novas infeções volte a diminuir.

Em Outubro de 2020, altura em que se estimava que quase 10% da população mundial já teria estado infetada, verificou-se que as crianças apresentavam uma taxa de infeção mais baixa que os adultos (1-2% dos casos). A maioria das crianças infetadas ou eram assintomáticas ou apresentavam doença ligeira, sendo raros os internamentos e formas graves de doença. A taxa global de mortalidade da COVID-19 em Portugal era, a 25 de Janeiro, de 1,67% em todos os grupos etários e <0,004% abaixo dos 20 anos de idade. Embora estes números sejam pouco expressivos em idade pediátrica, não restam dúvidas de que o impacto sobre as crianças tem sido grande. A juntar à alteração das rotinas, incapacidade para compreender os acontecimentos, aumento da ansiedade e frustração, estão as perturbações sociais, económicas e educativas cujos efeitos futuros não somos ainda capazes de prever.

Sintomas da COVID-19 são diferentes em crianças e em adultos?

Crianças de qualquer idade podem contrair COVID-19. Contudo, a suscetibilidade à infeção (só 40% das crianças ficam infetadas vs 80% dos adultos) e os sintomas (as manifestações ocorrem em 20 a 30% das crianças infetadas vs 60% nos adultos com mais de 60 anos) são dependentes da idade. A probabilidade de a doença ser grave é muitíssimo menor na criança do que no adulto, embora tal possa acontecer (menos de 2% das crianças necessitam de internamento). Por outro lado, as crianças podem ajudar a disseminar o vírus, contagiando outras pessoas, o que pode ser especialmente perigoso para os mais idosos ou pessoas com outros problemas de saúde.

Nos adultos, os sintomas  mais comuns incluem a febre e a tosse que podem, em casos mais graves, culminar em pneumonia e dificuldade para respirar. As crianças com COVID-19 também podem ter esses sintomas, mas a maioria é assintomática (não apresenta qualquer sintoma). A febre é muito menos frequente nas crianças, e por outro lado, ao contrário dos adultos, as crianças podem apresentar apenas queixas gastrointestinais, como vómitos, náuseas e/ou diarreia sem sintomas respiratórios.   Também podem ocorrer sensação de cansaço extremo, calafrios, dores de cabeça, dores musculares, dor de garganta ou nariz entupido. As crianças mais pequenas podem ainda apresentar dificuldade para se alimentar. Em alguns casos foram também observadas erupções ou sintomas cutâneos (por exemplo manchas roxas avermelhadas nos dedos das mãos ou dos pés).

Os sintomas graves (6% das crianças infetadas) são mais comuns em crianças com problemas de saúde já conhecidos, nomeadamente doenças genéticas ou neurológicas graves, doenças cardíacas, anemia falciforme, obesidade, diabetes, doença renal crónica, asma grave e outras doenças pulmonares ou deficiências da imunidade.

A COVID-19 pode causar outros problemas nas crianças?

Como já referido, a maioria das crianças e adolescentes não apresenta doença grave, mas um número extremamente reduzido de crianças apresenta uma forma rara de doença inflamatória generalizada e desregulada que parece ser associada ao vírus, cerca de 2 a 3 semanas após a  COVID-19 (muitas vezes assintomática ou mesmo não identificada previamente). Esta doença, chamada de  síndrome inflamatória multissistémica pediátrica (SIMP), tem  algumas semelhanças com a Doença de Kawasaki (uma inflamação vascular rara), e pode apresentar-se com:

  • Dor abdominal intensa, vómitos persistentes ou diarreia grave (60 a 97% dos casos)
  • Dor de cabeça, cansaço extremo, confusão ou irritabilidade (30 a 50%)
  • Febre elevada e persistente além de 3 dias
  • Manchas cutâneas
  • Olhos vermelhos
  • Dificuldade respiratória

O envolvimento cardíaco é comum nas crianças com SIMP associado à covid-19. Contudo, quando comparada com adultos, a mortalidade é incomum, apesar da gravidade da doença, das alterações laboratoriais importantes e da necessidade frequente de cuidados intensivos.

O que devo fazer se meu filho tiver sintomas?

Se o seu filho tiver febre, tosse ou outros sintomas da COVID-19, contacte o seu médico assistente ou a Linha de Saúde 24. Irão orientá-lo quanto à necessidade de observação, bem como o melhor local para o fazer, assim como para a realização de teste de despiste de infeção pelo SARS-CoV-2.

Caso haja agravamento clínico, deverá entrar novamente em contacto com o seu médico assistente ou com a Linha de Saúde 24. Se a criança necessitar de ajuda médica emergente, deverá contactar o 112 e informar os profissionais da situação de isolamento por sintomas de infeção por COVID-19.

Procure ajuda se o seu filho(a)  apresentar:

  • Persistência além de 3 dias, reaparecimento ou agravamento da febre;
  • Dificuldade para respirar ou gemido;
  • Dor ou pressão no peito;
  • Lábios ou face azulados;
  • Dor de barriga muito intensa, diarreia ou vómitos persistentes;
  • Confusão ou irritabilidade, ou um comportamento diferente do habitual;
  • Prostração, sonolência excessiva ou dificuldade em manter-se acordado;
  • Manchas no corpo;
  • Dificuldade em alimentar-se normalmente (nas crianças com menos de 12 meses)

O meu filho deve ser testado?

O diagnóstico na criança nem sempre é fácil porque a maioria dos sintomas são semelhantes às doenças infantis mais comuns (gripe, constipação, rinite, gastroenterite…), sendo impossível afirmar apenas pela presença dos sintomas se a criança tem ou não COVID-19. Por este motivo, poderá ser necessária a realização de testes específicos para deteção de SARS-COV2.  O seu médico assistente ou a Linha de Saúde 24 poderão solicitar o teste. Os testes mais indicados são os testes de zaragatoa nasal e oral para deteção de antigénios ou pesquisa do vírus por PCR.

O teste poderá também estar indicado caso o seu filho tenha estado em contacto próximo com alguém com COVID-19, mesmo se não tiver sintomas.

Os testes por picada não deverão ser utilizados para confirmação ou exclusão da doença.

Tal como no adulto, a realização do teste é desconfortável. A criança deve ter a consciência de que o teste não irá ser realizado por castigo e que é normal sentir medo, por isso, converse com ela. Pode ajudar utilizar música, uma história ou vídeos para ajudar a criança a relaxar e distraí-la durante o procedimento. Peça-lhe que realize respirações profundas imediatamente antes e durante a colheita.

Independentemente de realizar ou não o teste, o seu filho deve ficar em quarentena (geralmente até 14 dias após o último contacto) em casa após ter sido exposto. Isso significa ficar em casa e longe de outras pessoas, tanto quanto possível. Caso não tenha havido necessidade de quarentena, ou esta tenha terminado mais cedo, após uma possível exposição deve continuar a monitorizar os sintomas até completar 14 dias. Caso estes apareçam, contacte novamente o seu médico assistente ou a Linha de Saúde 24. Se possível, incentive a que o seu filho utilize máscara e mantenha o distanciamento social.

Tipos de testes

Existem neste momento 3 testes para deteção de infeção por SARS-CoV-2:

  • Os testes por PCRou testes moleculares (zaragatoa), que pesquisam material genético do vírus SARS-CoV-2 e que nos dizem, num contexto clínico e epidemiológico adequados, se há, no momento de realização do teste, infeção pelo SARS-CoV-2;
  • Os testes rápidos de antigénio para COVID-19 (zaragatoa) pesquisam a presença de proteínas da superfície do vírus;
  • Os testes serológicos (por picada), pesquisam anticorpos contra o vírus, e que nos dizem se houve uma exposição ao SARS-CoV-2 que o nosso sistema imunitário tentou combater produzindo anticorpos, tenhamos tido ou não sintomas da doença; não são úteis na deteção da doença na fase aguda (um resultado negativo não exclui a doença).

Os testes rápidos são menos sensíveis do que os testes PCR e, portanto, a probabilidade de obter resultados falsos negativos é maior (ter a doença mesmo na presença de um resultado negativo). A interpretação dos resultados deve considerar o nível de suspeição clínica para a COVID-19, pelo que num doente com quadro clínico fortemente suspeito um teste negativo só por si não deve constituir prova de exclusão de infeção por SARS-CoV-2. Cada um dos testes deve ser utilizado numa fase específica da doença de acordo com a seguinte imagem.

 

Tratamento da COVID-19 em crianças

Não existe um tratamento específico para a COVID-19. Respeite o apetite do seu filho, é normal (tal como nos adultos) haver diminuição do apetite, é importante manter a hidratação oferecendo líquidos frequentemente. Se necessário, utilize antipiréticos como o Paracetamol (Ben-U-Ron ® / Panasorbe®) nas doses prescritas pelo seu médico. Promova uma adequada higiene nasal. A maioria das crianças saudáveis infetadas recupera em casa em 1 a 2 semanas, raramente poderá ocorrer um agravamento no final da 1ª semana de doença.

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