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Saúde e Vida

COVID NA CRIANÇA – TUDO O QUE PRECISA SABER

Lígia Peralta

Parte 1

Como posso impedir que meu filho se infete ou espalhe a COVID-19?

Se o seu filho tiver idade suficiente para compreender, poderá ensiná-lo a:

  • Praticar o “distanciamento social”. Isto significa manter as pessoas, mesmo as

saudáveis, afastadas umas das outras. Evitar saídas e contactos desnecessários é a melhor forma de o proteger e aos outros também.

  • Utilizar máscaras em público (acima dos 2 anos de idade). Certifique-se de que a máscara cobre a boca e nariz. O objetivo é que se o seu filho estiver doente, mesmo que não tenha sintomas, tenha menos probabilidade de infetar outras pessoas. Abaixo dos 2 anos de idade, as máscaras não devem ser utilizadas devido ao risco de “sufocação”, assim como crianças incapacitadas ou incapazes de remover a máscara sem ajuda também não a devem utilizar.
  • Lavar as mãos com água e sabão (durante pelo menos 20 segundos) com frequência, sobretudo após as saídas de casa. Caso não seja possível utilizar água e sabão, poderá utilizar álcool gel. É importante manter o gel fora do alcance das crianças mais pequenas, pois pode ser prejudicial se for ingerido ou entrar em contacto com os olhos. Lavar as mãos também ajuda a proteger outras doenças, como a gripe ou constipações.
  • Evitar tocar o rosto com as mãos, principalmente a boca, o nariz ou os olhos.

As crianças mais novas podem precisar de ajuda ou de lembretes para realizar estas tarefas.

Que mais devo saber sobre distanciamento social?

Manter as pessoas afastadas umas das outras é uma das melhores formas de controlar a propagação do vírus.

Respirar ar fresco e manter-se ativo é bom para a saúde das crianças. Também é normal que as crianças queiram estar com os seus amigos e brincar com outras crianças, mas é importante estar consciente dos riscos. Sob supervisão, neste momento, é mais seguro conectarem-se com os amigos online do que pessoalmente.

Tenha em conta que:

  1. O vírus pode espalhar-se tanto no interior como ao ar livre, mas no exterior é provavelmente menos arriscado.
  2. Quando for permitida a utilização de parques públicos ou infantis, é aconselhável procurar horários com menor ocupação.
  3. As crianças devem tentar manter a distância de 2 metros de outras pessoas (poderá ser necessária supervisão e lembrar de manter a distância).
  4. Com quanto mais pessoas o seu filho entrar em contato, e quanto mais vezes o fizer, maior o risco de contrair e disseminar o vírus.

 

E se alguém em casa estiver doente?

Se alguém em sua casa tiver COVID-19, deve ficar num quarto separado, se possível, e sempre que houver necessidade de sair do mesmo deverá utilizar máscara facial. Todos na casa devem lavar as mãos e limpar as superfícies frequentemente.

Caso esteja doente e tiver um bebé ou uma criança pequena, é importante ter cuidado sempre que o alimentar ou prestar qualquer cuidado, utilizando sempre máscara e lavando frequentemente as mãos. Não há necessidade de suspender a amamentação, desde que sejam garantidos estes cuidados. Sempre que possível, caso haja algum adulto não infetado, deverá ser este a alimentar e cuidar da criança .

Pandemia e a escola

Entre janeiro e julho 2020, os dados da Organização Mundial da Saúde mostram que apenas 1,2% das crianças entre os 0 e os 4 anos, 2,5%  dos 5-14 anos e 9,6% entre os 15 e os 24 anos, contraíram o vírus. Após a reabertura das escolas em junho, em Inglaterra verificou-se que as infeções e os surtos foram pouco frequentes nos estabelecimentos de ensino, e que a incidência era mais acentuada entre o pessoal docente e não docente do que entre crianças e jovens. Parece existir uma forte associação entre o aparecimento de surtos e o nível de transmissão do vírus na comunidade em que a escola se insere. Ou seja, é expectável que à medida que aumentam os números de infetados na comunidade, este aumento se veja refletido também nos números de infetados nas escolas.

De uma forma geral, as escolas prepararam-se e estabeleceram regras e circuitos de forma a minimizar o mais possível o risco de contágio. As crianças foram ensinadas a cumprir as regras de higiene e etiqueta respiratória, e de facto, têm cumprido. Tudo isto, aliado também à circunstância de se ter deixado de assistir à prática inaceitável mas comum, de muitos pais medicarem os seus filhos com antipirético e enviá-los na mesma para a escola/creche quando a criança se encontrava febril ou com sintomas respiratórios, permitiu que de uma forma generalizada, em todo o país se tenha assistido a uma diminuição franca e considerável do número de infeções respiratórias com consequente diminuição do número de episódios de urgência e de internamento em pediatria.

Pandemia e o dia-a-dia

Em confinamento ou em isolamento, assim como previamente à pandemia, é essencial mantermos as nossas rotinas, nomeadamente no que diz respeito ao sono (hora de deitar e levantar), higiene (vestir, lavar os dentes e tomar banho), alimentação e exercício físico.

É essencial promover o exercício físico e tentar, sempre que possível, fazer atividades ao ar livre em segurança (procurar garantir os níveis de vitamina D). Tentar atribuir um horário do dia para realizar atividades lúdicas e de exercício, preferencialmente em família.

Quando em ensino à distância, não deverão ser descuradas pequenas pausas para a prática de exercícios físicos simples e pequenas refeições se necessário, que poderão contribuir para aumentar a concentração.

As refeições deverão sempre que possível ser feitas em família e nos espaços de refeição (exceto para aqueles que, tendo COVID-19, se encontram isolados no seu quarto). Evite saltar refeições e opte por confeções alimentares saudáveis, privilegiando os produtos frescos e não processados, assim como a água como bebida principal.

Ajude as crianças a manter contacto com familiares e amigos próximos; se não for possível com presença física, recorra à tecnologia.

Como posso ajudar meu filho a lidar com a ansiedade?

É normal sentir-se ansioso ou preocupado por causa da COVID-19. Mesmo para os pais, pode ser difícil conciliar o teletrabalho e cuidar das crianças. Deverá estar especialmente atento a eventuais sintomas de stress e ansiedade, e que se podem revelar através de preocupação ou tristeza excessivas, hábitos irregulares de alimentação e/ou sono, bem como dificuldade em manter a atenção.

Você pode ajudar o seu filho:

  • Simplesmente conversando sobre a COVID-19 e explicando por que o “distanciamento social” é importante;
  • Falando sobre sentimentos e permitindo que o seu filho se expresse (este poderá ter dificuldades em fazê-lo);
  • Comprando uma máscara que seja confortável e incentivando-o a utilizá-la;
  • Limitando as notícias e informação às quais ele tem acesso;
  • Descobrindo atividades que podem ser feitas em conjunto.

Se o seu filho estiver preocupado, converse com ele e tranquilize-o de que a maioria das pessoas não fica gravemente doente nem morre de COVID-19. Também pode ser útil reforçar que, ao ficar em casa e utilizar máscaras, ele também está a ajudar a proteger os outros.

Sugestão: https://www.rtp.pt/play/zigzag/p7306/ola-como-te-sentes

Pandemia e amamentação

O leite materno é o alimento ideal para o recém-nascido e lactente nos primeiros meses de vida, incluindo para os filhos de mães com COVID-19. O leite materno contem anticorpos e fatores imunológicos benéficos que poderão ajudar a proteger o recém-nascido de doenças respiratórias. O SARS-COV-2 muito raramente foi isolado do leite materno. Pensa-se que o risco de transmissão da mãe para o recém-nascido esteja mais relacionado com a transmissão do vírus através das secreções respiratórias da mãe quando não são cumpridas as medidas de etiqueta respiratória, utilização de máscara e higiene das mãos e mamas pela mãe.

Pandemia e as consultas de rotina

É importante manter a vigilância das crianças nos primeiros 2 anos de vida (crescimento, alimentação, exame físico). O pediatra ou o médico assistente poderá avaliar a necessidade de consultas noutras idades, de acordo com particularidades em cada criança. O teste do pézinho e as primeiras doses de vacinação não devem ser, de forma alguma, adiadas. Todas as vacinas até aos 12 meses devem ser consideradas prioritárias: previnem outras doenças e são uma questão de saúde pública. Quanto às vacinas dos 18 meses, 5 e 10 anos poderão ser adiadas por curto período de tempo; informe-se com o seu médico ou enfermeiro. Crianças com febre ou sintomas respiratórios não devem dirigir-se à consulta de rotina sem prévio contacto com o médico ou enfermeiro.

“Podemos superar estes tempos difíceis, mas se não formos prudentes, inteligentes e diligentes as sequelas sociais serão bem mais nocivas e duradoiras que os custos sanitários da COVID-19.”

Gonçalo Cordeiro Ferreira (Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente  in AS GRÁVIDAS, AS CRIANÇAS E A PANDEMIA COVID-19 Novembro, 2020)

Informação útil

https://www.docdroid.com/Yr2CtWU/informacao-covid19-pdf

http://criancaefamilia.spp.pt/covid-19.aspx

https://covid19.min-saude.pt/folhetos-informativos/

 

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