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PRESSÃO PANDÉMICA NOS RELACIONAMENTOS FAMILIARES

José Castro

Os efeitos da pandemia, infelizmente, não se resumem às vítimas mortais ou ao impacto na maioria das atividades económicas. O estado de emergência e o dito confinamento necessário para baixar quer a curva de infetados quer a de vítimas mortais, trouxe um desafio extra para todos os agregados familiares, intensificando a permanência de todos em casa. O teletrabalho e o estudo a distância, criam um ambiente de tensão extra, pois o sucesso profissional e académico estão agora dependentes de novos fatores. E muita coisa pode não correr bem! Desde condições físicas, nomeadamente espaços adequados para todos, equipamentos informáticos e software atualizados, rede da internet que suporte várias ligações em simultâneo, até ao conhecimento mínimo necessário para trabalhar nas distintas plataformas com sucesso. Tudo exige tempo e muita paciência! Assim, e como em tudo, podem ser perspetivados dois cenários.  

O primeiro, em que cada um pensa em si próprio, nas suas vontades e prioridades. Desta forma acabam todos por ser um fator de conflito entre si. Desnecessário será mencionar que no pouco tempo livre existente cada um se isola no seu mundo e normalmente alguém acaba por acumular o trabalho caseiro a todo o resto. Este relacionamento disfuncional arrasta-se ao longo do tempo com todas as consequências inerentes. Uma delas sendo a violência doméstica, que em tempo de confinamento só aparenta diminuir devido a uma maior dificuldade em apresentar queixa. 

O segundo cenário consiste no interesse genuíno em colaborar com o outro, em todas as atividades, para minimizar a carga mental e física de cada um. Tudo começa com uma planificação adequada de todas as tarefas profissionais e caseiras, organizando sempre as tarefas da mais importante e urgente até à menos importante e urgente. É necessário que, reunidos os recursos necessários, se saiba quem faz o quê, quando, como e onde! Deve existir o espírito de equipa e de colaboração, sempre que possível. Quem sabe os filhos poderão ajudar os pais mais infoexcluídos a trabalhar numa qualquer plataforma de forma mais tranquila, enquanto que os pais com mais resiliência podem pacificar e apoiar os filhos perante uma prova ou avaliação académica a distância. Sinergia em termos de conhecimentos e experiências! O mínimo exigível é todos concretizarem as suas tarefas com sucesso, mas tal, não chega! É preciso algo mais, como entusiasmo, motivação, busca da excelência em termos profissionais e pessoais. Assim sendo, estes momentos apesar de exigentes podem ser ótimas oportunidades para no agregado familiar se aprender a crescer de forma construtiva, colaborativa, fraterna, pacífica e “cimentando” o amor que constitui uma família.  

Perante os cenários apresentados é da inteira responsabilidade de cada um fazer parte da intensificação do “problema”, conforme o primeiro cenário ou da sua solução, segundo cenário. Contudo, como se costuma dizer, somos livres de escolher o que semeamos, sendo que a colheita é obrigatória! 

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