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Saúde e Vida

SÍNDROME PÓS-COVID 19

Carla Guimarães Cardoso

A Covid-19 é a doença mais comentada e escrutinada no último ano. O conhecimento em torno desta patologia tem-se acumulado a um ritmo sem precedentes não só pelo volume de informação mas também pela rapidez com que este conhecimento tem sido alcançado.

Já descodificamos a informação genética do SARS-CoV-2, o mecanismo de transmissão, a forma como se replica no nosso organismo e induz doença. Sabemos que os sintomas mais comuns são febre, tosse, falta de ar, fadiga, dores musculares, dores de cabeça, perda do olfacto ou do paladar, dor de garganta, congestão nasal, náuseas ou vómitos e/ou diarreia.

Sabemos qual a população de risco e a epidemiologia da infecção. Sabemos que aproximadamente 80% dos infectados são assintomáticos ou têm infecção ligeira, 14% têm sintomas graves, 5% críticos e que em 2,3% a doença será fatal.

Conseguimos detectar novas mutações.

Contudo, apesar de todo este conhecimento acumulado ainda não sabemos tratar a Covid-19. O que temos feito é manter as funções vitais do doente de forma a que ele consiga ultrapassar a infecção.

O que também nos começamos a aperceber é que muito provavelmente a Covid-19 não é apenas uma doença aguda em que tudo fica resolvido quando o teste de PCR fica negativo. Tem-se acumulado evidência da existência de uma síndrome pós-covid.

Este síndrome está definida como o conjunto de sintomas e sinais que se desenvolvem durante ou após uma infecção consistente com Covid-19, que perduram por mais de 12 semanas e que não podem ser explicados por outra etiologia. Os sintomas mais frequentes 6 meses após a infecção são a fadiga (78%), o mal estar pós exercício físico (72%) e a disfunção cognitiva (55%).

Num estudo multicêntrico em doentes não críticos constatou-se que ao fim de 30 dias 28% mantinham perda de olfacto e paladar, 37% mantinham falta de ar e 49% mantinham fadiga. Ao fim de 60 dias 23% ainda referiam perda de olfacto, 30% falta de ar e 40% fadiga. A persistência de sintomas ao fim de 60 dias estava associada à idade, entre os 40 e os 60 anos, à necessidade de hospitalização e à presença de alterações auscultatórias na altura do diagnóstico.

Já sabíamos, pela experiência com outras patologias, que a doença crítica, com necessidade de intervenções terapêuticas agressivas pode deixar sequelas a longo prazo. O que começamos a aprender é que a Covid-19 ligeira pode também deixar sequelas. A fadiga, a falta de ar, as alterações do olfacto e paladar e a disfunção cognitiva com alterações do humor, da memória e concentração são alguns dos sintomas que começam a compor esta nova entidade, a síndrome pós Covid-19.

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