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Cidadania e Sociedade

A CULPA NÃO É DE TODOS

António Coito

Estou de regresso aos escritos. Para ser sincero, não era este o discurso que tinha pensado para a publicação de hoje, porém, face à situação atual, não podia ser diferente. Assim como estamos diariamente a alterar os nossos sonhos para uma altura mais adequada, também mudei o tema idealizado para outra altura mais oportuna. Estava convencido de que a situação pandémica se ia agravar no começo do ano 2021, mesmo ouvindo palavras do povo, que nos diziam ‘’2021 vai ser melhor’’ ou ‘’no próximo ano isto vai acalmar’’. Era óbvio que não! Quando me dizem que a culpa é do governo pelo alívio das medidas na época natalícia, creio que as pessoas só querem culpabilizar os outros pelas ações que praticam. Já é um hábito do povo português colocar as culpas no vizinho do lado. Ora, o governo disse-nos para haver contenção, que os casos iam disparar, mas que ficava ao critério de cada família a decisão final. Mas sejamos conscientes e encaremos a realidade tal como ela é. Passar um Natal em família era mesmo algo tão urgente? A decisão mais acertada não era cada um ficar na sua casa? A culpa não é do governo, nem daqueles que sacrificaram este Natal, para que no próximo ano volte a ser igual, mas sim daqueles que desrespeitam e desrespeitam e não têm consciência nenhuma. Não adianta escrever grandes discursos nas redes sociais de revolta e depois agir sem grande cuidado. Quantas famílias já não perderam familiares devido ao jantar de Natal que reunia todas as regras sanitárias e um número de pessoas limitado? As novas tecnologias não existem só para vir reclamar dos problemas do dia a dia. Façamos o seu devido uso! Uma sessão (zoom) com os agregados familiares nas suas casas, e assim se convivia. Com esta pequena reflexão, que ainda está a meio, só quero realçar um aspeto. O inimaginável tornou-se imaginável, e houve um novo confinamento. Tantos sofrem com isto. A nível psicológico é devastador. A nível cognitivo, para as crianças (essencialmente) é catastrófico, dado que se perdem imensas experiências e oportunidades cruciais para o seu desenvolvimento. E, depois, vem a economia. Assusta-me a forma como negócios que, aparentemente, estavam tão estáveis, no prazo de um ano, entram em rutura. Melhor nem falar mais nisso, fico completamente desolado! Ver o esforço de uma casa, sustentada pelos seus clientes, pela luta diária dos seus funcionários e patrões, que por vezes já dura há anos, de um dia para a noite, ir-se, sem mais nem menos…

Não me imaginava sentado nesta secretária, a ingressar semanalmente em dezenas de videoconferências e a adotar regras do conhecido E@D. Foi um regresso calmo, extremamente organizado e com a esperança de um regresso presencial rápido, tendo a noção que é uma oportunidade para dar tudo e aproveitar ao máximo todo o apoio disponibilizado.

Como foi fácil apreender, este texto reúne imensas reflexões, talvez um pouco misturadas, mas com o intuito de representar a nossa realidade. Uma realidade igualmente confusa, com futuro incerto e com pontos de vista distintos que têm impacto nos tempos que se seguem! Na minha mente, haverá sempre muitos que não serão culpados e que dão o seu melhor!

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