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“MAIS UM DIA PASSOU, E NEM DEI CONTA!”

António Coito

Acordar, tomar banho, vestir, perfumar, comer, dentes lavar e online ficar! O nosso quotidiano (dos estudantes) tem sido este. Mesmo havendo a necessidade de cumprir prazos de entrega de trabalhos com datas predefinidas, confesso que dou por mim, sem ter a noção do dia da semana e do mês. Só me lembro de tal sucedido nas férias de verão, quando as ocupações são mínimas e as responsabilidades são menores. Admito que sinto uma enorme transformação na minha caixa de informação. Este último ano despertou em mim formas novas de ver a vida, de encarar as pessoas que nela se cruzam (agora praticamente virtualmente) e projetar o futuro. Futuro esse que continua uma incógnita. Esta rotina não é para todos, reconheço. Quantos já chegaram ao ponto de não ter mais forças e acordar em cima da hora da aula, de não conseguirem manter um foco, de quererem desistir? Muitos…cabe aos responsáveis pelo berço, incentivarem as boas práticas, respeitarem as horas e espaço de trabalho das suas crias e entenderem que ter aulas em casa não é igual ao presencial. Queridos papás, não querendo ser indelicado, e muito menos generalizar o caso, sejam mais éticos com os professores dos vossos filhos! Deixem de reclamar de tudo, deixem de falar mal deles, tentem procurar soluções e não criar problemas, mas acima de tudo, sejam seres humanos conscientes, e sintam na pele a complicação de garantir a aprendizagem a 30 alunos neste formato, onde nem tudo chega a todos da mesma forma, onde há constrangimentos, e onde não há culpados!

Tentem apaziguar pequenos conflitos e problemas sem importância. Acreditem, a cabeça destes professores não é de ferro! É o aluno Y que não consegue submeter a tarefa do dia, é o aluno X que não tem câmara, é o aluno B que está inserido num contexto familiar propício a violência doméstica, é o aluno A que não tem acesso à internet e tem aulas na escola e são todos os alunos a pedirem ajuda. Sejamos compreensivos e pensemos que esta missão é só para heróis e heroínas!

No fim de um dia atribulado, com tarefas a submeter no moodle, outras no Classroom, outras a enviar por e-mail, outras a deixar registadas no caderno, e ouvir o professor numa aula síncrona a dar o seu melhor e a lutar pelo nosso futuro como se fosse o seu, é de um valor muito grande. No fim desse dia, só me apetece parar, mas quando dou por mim, está na hora de recomeçar!

Para terminar, e porque a semana passada foi especial para enaltecer os hábitos de leitura, deixo-vos uma foto minha a ler. Este registo fotográfico está lindo…eu estou a sentir aquela frase, naquele tempo, naquele espaço, estou a viajar pelas profundezas dos locais que este vírus não me deixa ir, imaginando um mundo perfeito (sem pandemias, pelo menos)…e a ampulheta simboliza o tempo, simboliza a força que todos teremos de ter para enfrentar todos estes obstáculos que a vida se encarrega de proporcionar. Aquele pó desceu lentamente, mas a minha força de continuar é oposta. Fiquem bem e muita saúde!

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