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Saúde e Vida

DOENTES CARDÍACOS E A COVID19

Antonieta Dias
O enfarte  agudo do miocárdio (“ataque cardíaco”) e os  acidentes vasculares cerebrais (AVC)  são patologias urgentes que exigem apoio médico imediato e cada segundo que passa pode  ser vital na recuperação destes doentes.
  Sinais de alerta -ataque cardíaco- dor torácica,  palpitações, falta de ar, desmaio, acidente vascular cerebral , queda/assimetria da face, fraqueza do braço,  dificuldades de fala, são sinais importantes que requerem assistência hospitalar o mais atempada possível.
Estes doentes devem recorrer de imediato ao SU de um Hospital que possua preferencialmente  via verde  coronária e via verde de AVC, porque os tempos para fazer o diagnóstico e para a instituição do tratamento são essenciais para a recuperação das  sequelas.
Os apelos para “ficar em casa» durante o COVID-19 não se aplicam aos ataques cardíacos, nem aos Acidentes  Vasculares Cerebrais.
Estes doentes devem estar atentos aos sinais de infecção por COVID -19, mesmo que esses sinais sejam ligeiros como uma  leve com dor de garganta, tosse, dores e febre.
Cerca de 5% dos doentes podem desenvolver um quadro mais grave por exemplo uma pneumonia.
 A base para contrair a infeção é a mesma para todos os doentes.
O vírus do COVID 19  é transmitido através de gotículas no ar de uma pessoa infetada, tossindo, espirrando, conversando ou tocando em superfícies contaminadas, uma vez que o vírus pode sobreviver durante várias horas ou até dias em superfícies como mesas e maçanetas.
Se um doente cardíaco é infectado pelo vírus e se tem atingimento pulmonar esta infecção,  desencadeia uma resposta inflamatória que coloca o sistema cardiovascular em stress.
Num doente com infecção pulmonar, os níveis de oxigénio no sangue diminuem e habitualmente criam hipotensão.
Estes dois fatores fazem com que o coração tenha  necessidade  de aumentar a frequência cardíaca para tentar compensar os défices de oxigénio para que os órgãos alvo não fiquem em sofrimento.
 Não existe evidência de que o vírus infete dispositivos implantados, como pacemakers e cardio-desfibrilhadores implantados, ou cause endocardite infeciosa nos doentes com doença cardíaca valvular.
Os pacientes  com Síndrome de Brugada são muito mais vulneráveis e podem ter arritmias fatais em situações em que a temperatura corporal excede os 39ºC.
Estes doentes devem tratar a febre de forma agressiva com paracetamol arrefecimento corporal.
Os doentes cardiacos com fibrilhação auricular  são habitualmente  mais velhos e podem ter  outras   co-morbilidades como insuficiência cardíaca, hipertensão e diabetes, sendo por isso mais fragilizados e quando infectados a sintomatologia é mais grave.
Os doentes  com problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca, miocardiopatia dilatada, formas avançadas de cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito e doentes com doença cardíaca cianótica congénita estão em maior risco, doentes com forma obstrutiva de miocardiopatia hipertrófica também podem ser colocados na mesma categoria de alto risco.
As medidas gerais de proteção, como distanciamento social, uso de máscara e lavagem sistemática das mãos com sabão e água tépida durante pelo menos 20 segundos são medidas universais de prevenção.
Se tossir, deve cobrir a boca com um lenço ou com a face interna do cotovelo.
Se  espirrar,  deve cobrir o nariz com um lenço ou com a face interna do cotovelo.
 Deve evitar tocar nos olhos, nariz e boca.
Limpar com frequência superfícies de contacto, nomeadamente, maçanetas, volantes ou interruptores, com desinfetante capaz de remover o vírus, são atitudes importantes na prevenção da transmissão do vírus
Sempre que possível  deve ficar em casa dando prioridade ao teletrabalho.
Algumas informações veiculadas pelos órgãos  de comunicação social  referiram que alguns fármacos usados no tratamento da  hipertensão arterial (os inibidores da ECA e os antagonistas dos recetores da angiotensina) poderiam aumentar o risco de infeção por coronavirus e a gravidade da mesma. No entanto, esta informação não tem  evidência científica.
  As principais organizações de saúde, como a Sociedade Europeia de Cardiologia, a British Cardiac Society e a American Heart Association, recomendam a manutenção dos anti-hipertensores  nas doses habituais.
Com base nas informações atualmente disponíveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) não contra indicam o uso de ibuprofeno, uma vez que não há evidência científica que estabeleça uma ligação entre o ibuprofeno e o agravamento do COVID 19.
Pessoas que apresentem  sintomas de febre (temperatura corporal igual ou superior a 37.8º), tosse ou dor torácica, devem ficar em isolamento social e contatar o mais rapidamente possível a Direcção Geral de Saúde, através da linha 24 ou do 112.
 A OMS recomenda o uso de máscaras cirúrgicas para pessoas  com idade igual ou superior a 60 anos, ou qualquer pessoa com doenças pré-existentes (como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas). Se tiver um problema cardíaco e sentir que usar uma máscara torna a respiração mais difícil, deve consultar um médico
Estão a fazer-se estudos sobre o grau de proteção de vários agentes (inclusive a vitamina C, a hidroquinona e os antivirais) cujos efeitos estão a ser testados na COVID-19, no entanto, ainda não existe evidência do seu benefício.
Em termos alimentares  recomenda-se uma dieta rica em vegetais frescos e frutas para garantir a manutenção de um sistema imunitário saudável. Estes contêm todos os nutrientes e vitaminas necessários. Assim, é melhor garantir uma alimentação equilibrada do que compensar com fórmulas de suplementos.
 Algumas pessoas podem ter deficiência de  determinadas vitaminas ou (micro)nutrientes, sendo aconselhável consulta o seu médico e seguirem as instruções recomendadas para não exceder as doses diárias terapêuticas preconizadas.
 Algumas vitaminas em doses elevadas podem ser prejudiciais e alguns suplementos interagem negativamente com os fármacos utilizados na patologia cardíaca.
 A investigação atual mostra que a maioria das pessoas que tiveram COVID-19 criam anticorpos contra o vírus no sangue mas   não sabemos ainda se um doente que foi infetado com COVID 19 pode voltar a ser infectado.
Alguns medicamentos experimentais que estão a ser testados no tratamento dos doentes com COVID-19 podem prolongar o intervalo QT e causar arritmias em alguns indivíduos. Exemplos desses medicamentos são a cloroquina, antimaláricos e antiretrovirais.
 Em muitos países, está recomendado evitar a utilização de transportes públicos sempre que possível, ou manter uma distância de pelo menos 2 metros dos outros passageiros.
As medidas gerais de prevenção incluem ainda comer bem (alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, cereais, frutas e vegetais (de todas as cores), são importantes para manter o seu corpo saudável..
Deve evitar comer alimentos com muito açucar, e  deve diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas.
Estimula-se a necessidade de  beber água e chá.
Preconiza-se a realização de  exercício físico.
Deve sair de casa para fazer a sua caminhada desde que mantenha os níveis de segurança  ( dois metros) porque é benéfico para a saúde mental.
Se tiver um jardim, caminhar à volta do jardim, fazer exercício aeróbico (de maior ou menor intensidade, dependendo das suas capacidades), saltar a corda ou dar passos ao som da música são exemplos de atividades que pode fazer para aliviar a ansiedade.
Se não tiver um jardim, faça um passeio a partir de casa optando por um trajeto  onde circule pouca gente.
É recomendável  fazer isto todos os dias.

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