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Cidadania e Sociedade

VAI UMA DANÇA?

JOSÉ CASTRO

Vivemos numa sociedade em que “apenas” o trabalho intelectual é valorizado. E esta valorização prende-se com a maior ou menor probabilidade de no futuro se exercer uma atividade profissional bem remunerada. As crianças que têm alguma propensão para as ditas “artes” frequentemente são desanimadas a seguirem essa via académica, podendo serem discriminadas e não compreendidas. Sabemos, no entanto, que só seremos excelentes quando exercemos a “atividade” da nossa vocação e paixão. Nesse sentido poderíamos pensar quantos excelentes “artistas” a humanidade perdeu, por terem sido desviados para outros caminhos ou por não terem conseguido sobreviver exercendo a sua “vocação”. Infelizmente, a Pandemia veio a acentuar essa descriminação e a dita “bazuca” ou “vitamina” que estará para chegar, mais uma vez confirma que a atividade cultural não será muito contemplada.  

Quanto mais o ser humano investiga mais constata a sua complexidade! Igualmente se constata que todas as expressões artísticas do ser humano são parte integrante deste, sem exceção. Ele é sensível às “artes,” apesar da maioria das pessoas não perceberem científica e tecnicamente destas áreas de conhecimento. Não sei cantar, nem tocar nenhum instrumento musical (por enquanto), mas aprecio ouvir; não sei dançar, tenho “pés de chumbo,” mas aprecio diversos tipos de dança e coregrafias. Quando se conhece um dos mais conceituados crew Bboing do mundo, os “Momentum Crew” na pessoa de Max Oliveira, todos os preconceitos e crenças limitantes sobre dança, nomeadamente da “dança urbana” caiem por terra. O entusiasmo, o talento e a paixão de Max é contagiante. As aulas que tive com ele na disciplina “Contributo da Dança na Arte-Terapia” foram inesquecíveis. É nesse sentido, terapêutico, que gostaria de realçar a importância do movimento corporal através da dança. Afinal, somos uma “caixinha” de emoções, muitas vezes reprimidas e controladas que a pandemia veio intensificar! Os nossos pensamentos e sentimentos são expressos para além da comunicação verbal. O movimento do corpo fala… mas não temos consciência disso! Um desafio que lhe deixo, caro leitor, é imaginar que não se pode expressar com palavras escritas ou faladas. Faça-o através do uso do corpo ou de alguma parte do mesmo. Utilize se desejar alguma música que o inspire. Tenho a certeza que os momentos da sua dança improvisada o deixarão bem-disposto e com mais entusiasmo para Viver. 

Esta poderá ser a nossa simples homenagem a todos aqueles que nos inspiram através da sua “arte” e é certamente uma forma de comemorar o Dia Mundial da Dança. 

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