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Cultura, Literatura e Filosofia

SÓ ME FALTA SER UM ARDINA DE JORNAIS DIGITAIS

António Coito

Um novo ciclo começou. Assumi um compromisso que faço intenção de manter nos próximos tempos. Há algum tempo que me sentia bastante entediado de ver notícias na televisão e não as ler.

Ler permite-me investigar vocabulário que não seja acessível a uma primeira leitura e mostra-me diferentes formas de escrita, que ajuda a tornar o meu pensamento rico. Sempre me lembro, desde pequeno, apreciar os senhores letrados que, ao sábado de manhã, se deslocavam ao quiosque e de lá traziam um saco cheio de jornais do dia e da semana, para se manterem informados da realidade. Foi isso que me ocorreu quando pensei na hipótese de começar a comprar jornais em papel. Deste modo, na última sexta-feira, fui comprar o Diário de Notícias para analisar a situação e perceber se realmente valeria a pena começar a ler o jornal. Adorei a experiência. Infelizmente, não tenho paciência de ir todos os dias para um quiosque buscar um jornal diário e cheguei à conclusão que não era o que pretendia. Após uma boa pesquisa, tomei uma decisão — a assinatura de um jornal online era a opção a decidir. Perguntam-se vocês qual a opção que foi escolhida, não é? Na verdade, escolhi o Expresso (semanário). Estou fascinado! Sinto que há mais rigor, mais correção, mais investigação…estou no céu! Para os conhecedores de jornais, o jornal referido é bastante extenso e impensável de ler num único dia, quando se fala de um iniciante. Assim, numa fase inicial, optei por ler os destaques da capa e, depois, escolher os artigos que me chamam mais à atenção. Confesso que ler um jornal de referência faz-me sentir adulto, mais consciente do mundo atual e, sinceramente, muito concretizado. Acordar de manhã, preparar-me, agarrar no meu telemóvel e consultar um artigo ou uma notícia da semana é uma sensação muito gratificante. Nestes 3 dias, já li alguns artigos dos mais diversos temas, tais como, a escravatura de Odemira, a imunidade das vacinas contra a Covid-19 e infeção natural, o que estava proposto ser discutido na Cimeira do Porto, entre outras questões. Mas, para vos ser franco, houve uma entrevista que apelou ao meu espírito crítico e fez-me sentir felicíssimo por tentar desvendar as palavras de um grande mestre. Falo-vos de uma entrevista feita ao Dr. Onésimo Teotónio Almeida, escritor e professor na Brown University, Estados Unidos, responsável pelo Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Brasileiros, que me contagiou com a sua coerência, com a sua capacidade de argumentação e, principalmente, pela veracidade e honestidade patente no seu discurso. Dizia ele que neste último isolamento social estivemos enjaulados num ‘’Zoomlógico’’. Aqui, mais do que nunca, constatei a importância de um título sugestivo. Desperta, sem motivo para dúvidas, o interesse do leitor. Permitam-me que partilhe convosco um pensamento deste senhor que, no meu entender, é um grande pensador, que referiu que facilmente se traduzia o substantivo ‘’vida’’ pelo adjetivo ‘’imprevisível’’. Quando li esta citação, fiquei bastante estimulado para interpretar o contexto em que tinha sido aplicada tal ideia. Depois, entendi que fazia sentido! ‘’Basta-me olhar para os 14 meses que passaram e pensar nos meus amigos e conhecidos que, entretanto, morreram’’, concluiu.

Com esta reflexão, fica no ar a questão ‘’. Será que a transição digital plena é benéfica para a aprendizagem dos estudantes?’’. Por um lado, se não fosse a versão online do jornal, indubitavelmente, que não iria ler. Mas, serão os jovens capazes de distinguir o uso destes equipamentos para apoio à aprendizagem, da utilidade que lhes-é dada diariamente?

Pensando desta forma, só me falta ser um ardina de jornais digitais!

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