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Saúde e Vida

AFTAS – QUE SITUAÇÃO DESAGRADÁVEL

Carla Guimarães Cardoso

Pelo menos uma vez na vida, todos nós tivemos uma afta. A afta é uma úlcera da cavidade oral. Uma úlcera caracteriza-se como uma solução de continuidade de uma superfície mucosa ou cutânea, isto é há uma perda de substância com desintegração e necrose dos tecidos. Quando ocorre na cavidade oral observa-se uma perda de mucosa formando-se uma escavação coberta por uma fina camada de fibrina (o que confere o aspecto esbranquiçado à afta) com um halo eritematoso, ou seja vermelho.

Há 3 tipos principais de úlceras orais, as minor que tendem a localizar-se na mucosa labial ou bucal, palato e pavimento da boca. Podem ser únicas ou múltiplas e em regra são superficiais e menores do que 1 cm. As úlceras orais major são maiores e mais profundas com uma localização mais posterior podendo deixar uma cicatriz e as úlceras herpetiformes são em regra múltiplas, mais dolorosas e têm uma aspecto vesicular podendo coalescer formando úlceras gigantes.

A causa do aparecimento das aftas permanece desconhecida. Nos casos de úlceras orais recorrentes pensa-se que haverá uma alteração no processo imunitário local e provavelmente alguma alteração genética, uma vez que se observa uma tendência familiar para o seu aparecimento.

Sabe-se que as aftas são mais frequentes nas crianças e nos adultos jovens e que alguns factores tornam o seu aparecimento mais provável, nomeadamente o stress, as lesões traumáticas físicas, o traumatismo químico, alergias/intolerâncias alimentares, défices nutricionais e infecções.

Embora para a maioria de nós a experiência de ter uma afta seja pontual algumas patologias caracterizam-se pelo aparecimento recorrente de úlceras orais.

Dentro destas a estomatite aftosa recorrente é a mais comum atingindo 20 a 40% da população. Surge em regra na adolescência com o aparecimento repetido de uma ou várias úlceras dolorosas de pequeno tamanho na cavidade oral durante 7 a 14 dias. Em 10% dos casos surgem úlceras major e em 5% úlceras herpetiformes. Nos casos mais graves o doente pode nunca estar sem pelo menos uma afta activa. Há em regra uma história familiar e normalmente resolução do quadro na 3ª década. A etiologia da estomatite aftosa recorrente é desconhecida pensando-se que haverá uma alteração da resposta imunitária em doente geneticamente susceptíveis á ulceração da mucosa e que essa resposta será desencadeada por factores externos como o stress, intolerância alimentar, défice nutricional.

O tratamento passa em primeiro lugar por identificar e evitar os factores precipitantes. Quando a úlcera surge o tratamento local é o mais indicado com a aplicação de corticoide. Este reduz a dor associada mas não altera a frequência de recorrência das aftas ou o seu número. Os anti-inflamatórios de aplicação tópica também ajudam no controlo da dor bem como os agentes anestésicos e os agentes de revestimento. Em casos graves pode ser ponderado o uso de imunomodeladores sistémicos.

Embora a estomatite aftosa recorrente seja a causa mais comum de úlceras orais recidivantes existem múltiplas outras causas para o seu aparecimento com complexidade e gravidade diferentes.

Assim o aparecimento periódico de úlceras dolorosas da cavidade oral implica a observação por um médico.

No caso de uma úlcera não dolorosa o doente deve ser observado o mais rapidamente possível porque aí já não estamos a falar de aftas.

 

 

 

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