Home>Cultura, Literatura e Filosofia>ANTES DO MUNDIAL ACABAR PARA NÓS
Cultura, Literatura e Filosofia

ANTES DO MUNDIAL ACABAR PARA NÓS

Maria João Covas

Estamos numa época em que ouvimos falar muito de futebol. Claro que sempre que a nossa seleção joga, nenhum português fica indiferente: O friozinho na barriga, as contas para ver se passamos, a ânsia que o jogo acabe se estamos a vencer.

Agora imaginem que disso dependia a sobrevivência do lugar onde morar. Imaginem que o desenvolvimento da vossa terra dependia de uma vitória. Da vitória de um jogo…de hóquei, concretizada por uns miúdos, uma equipa de juniores.

Claro que já não estou a falar do europeu de futebol. Estou a falar de “Beartown de Fredrik Backman”, o seu último livro publicado pelas terras lusas. O mesmo que escreveu “Um homem chamado Ove” ou “Britt- Marie esteve aqui”, os dois livros que li dele. E que nada têm a ver com esta terra dos ursos.

A escrita e a forma como o autor nos envolve é a mesma (senão mesmo superior), mas o enredo narrativo ou a(s) personagem (ens) principal (ais) nada têm de comum com os livros anteriores. Nesta obra o coletivo domina, a cidade funciona como um gigante que condiciona a vida daqueles que poderiam funcionar individualmente, mas têm de pensar em alterar as suas vidas para bem do clube. O clube que vai permitir a continuidade da cidade, o clube que vai desenvolver a urbe e os negócios dessas figuras abstratas mas que dominam.

E são os juniores. Os mais novos que o vão permitir. Até que… O que não era suposto acontecer. E aí é necessário pensar no umbigo, ou talvez não. Aí temos de nos colocar à frente, ou talvez não. Aí deixamos o amor pátrio pelo amor a quem está ao nosso lado, ou talvez não.

A verdade é que são gente. Gente que sofre, ama, ri, desespera, sobrevive, como qualquer um de nós. Gente que poderíamos ser nós mesmos. E essa é a grande, mas mesmo grande mais-valia da escrita de Fredrik Backman: as suas personagens são pessoas que o leitor conhece, cria amizade, ou vontade de lhes bater, mas nunca, por nunca, ficar indiferente.

Não sei se vão ler este livro, mas se não lerem este, leiam um dos outros do sueco, que não se vão arrepender. E no final que ganhe a Beartown. Errado, que ganhe Portugal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.