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Cultura, Literatura e Filosofia

VER AS PRÓPRIAS COSTAS

Regina Sardoeira 

Se só tivermos as palavras para tecer as pontes da comunicação, o universo do diálogo fica inevitavelmente truncado. Se ainda por cima ignorarmos os rostos daqueles com quem falamos ou se, mesmo conhecendo-os, usamos um processo mediato de conversa como é este da escrita e não conseguimos juntar à palavra dita a expressão do rosto, o trejeito da boca, ou as rugas que a emoção imprime na face daquele que dialoga, então nunca saberemos a verdadeira substância do diálogo. Sendo assim, digam-me, valerá a pena ainda falar para os outros, esperar que nos respondam e valorizar, como verdades, o que nos dizem?

Por mim, respondo que sim, que vale. Aderi a este espaço de comunicação com objetivos vários sendo um dos mais importantes, exactamente, o diálogo, a troca de ideias.

Senti, no entanto, vontade de fazer uma espécie de análise do que tem acontecido. Reparo que por aqui tem passado um ínfimo nímero de leitores se me ativer aos que, passando, comentam. Sei, porque me foi dito, que outros aqui têm vindo… mas esses, e eventualmente outros de quem não sei o nome, não escrevem nada… nem a isso são obrigados, é claro!
Mas atentem agora no sentido destes espaços que a web nos faculta. Eles existem para possibilitarem troca, para criarem ocasiões de diálogo e, quem sabe? fazer despontar nos outros a chama que parecia apagada e bruscamente irrompe! Quantas pessoas têm muito que dizer e não o fazem por não terem interlocutores disponíveis? Quantas pessoas vivem perdidas nos seus dramas, anelando pelo convívio e não encontrando fraternidade à sua volta?
Ainda por cima, aqui, o anonimato pode sempre manter-se! Nada, nem ninguém obriga o comentador – ou interlocutor como eu prefiro chamar-lhe – a expor-se!

Acabei, então, por tomar uma decisão.

Sou, para quem vier a ler-me, não me conhecendo de facto, uma profissional do diálogo… O que é isso?, perguntarão com toda a pertinência. Di-lo-ei então usando a designação comum: sou professora! Mais: a minha área é a filosofia e a psicologia, as quais me colocam diariamente numa postura privilegiada de diálogo. Não, eu não dou matéria, não faço semelhante atentado a uma função tão sagrada como é a minha; muito simplesmente apresento os conteúdos programáticos como proposta de reflexão e de investigação, como abertura para o momento culminante da interacção. Quem for para as minhas aulas com outras expectativas cedo se desenganará!

Então, eu convido os meus leitores habituais e os outros a encararem este espaço como um forum de análise existencial onde os textos serão pretextos para a abertura das fontes ocultas do ser e portas para a resolução de conflitos, problemas e tragédias! Se acharem que vale a pena, divulguem-no aos vossos amigos, tragam outros até aqui para que esta minha tarefa de escrever não seja um mero exercício narcísico!

Há quem diga muito mal dos contactos nascidos e alimentados por esta via… há quem faça destes foruns um espectáculo deprimente de banalidades! Por outro lado, quando o estilo é elevado, o leitor comum assusta-se ou enche-se de tédio e procura outro alimento. Mas, a solidão persiste, porque lá, nesses espaços virtuais onde se pega na vida pela rama, os interlocutores não passam de espelhos das misérias e das fraquezas recíprocas!

Hoje convido os eventuais leitores que possam aceder às minhas palavras a interagirem comigo e a falarem sem rebuço do que os aflige ou do que lhes enche a alma de júbilo… a todos aceitarei , a todos darei a minha palavra com prazer… porque é essa a minha missão na vida! E… não, é claro não vou dar aulas de filosofia… não tenham medo… a menos, é claro, que mas peçam!

Fico, portanto, à vossa espera!

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