Home>Lifestyle>CONSCIENCIALIZAÇÃO PACÍFICA DO ENVELHECIMENTO
Lifestyle

CONSCIENCIALIZAÇÃO PACÍFICA DO ENVELHECIMENTO

José Castro

Já todos sabemos que a população portuguesa está a envelhecer, não só pela inevitabilidade do tempo “passar” mas também pela baixa taxa de natalidade. As projeções para 2080 é de uma diminuição da nossa população, nomeadamente dos jovens e um aumento significativo do número de idosos, atingindo estes os 3 milhões. Seria interessante saber no que estas projeções já resultaram (ou vão resultar) em ações práticas para o bem-estar de todos os nossos idosos. Agora que se avizinha a chegada de uns quantos milhões de euros para Portugal, era fundamental o estado demonstrar reconhecimento por todos aqueles que já serviram o país e proporcionasse condições de vida dignas, lares dignos desse nome, acesso a cuidados de saúde (nomeadamente de saúde mental), cuidados continuados e paliativos de excelência a todos os necessitados, em suma, criasse uma sociedade inclusiva para a terceira idade. Espero pois, que em 2080 com os meus 115 anos possa ser um dos contemplados com a nova visão, mais ética e humanista de entender a “velhice.”

Embora a esperança de vida estimada em Portugal tenha aumentado para 78.07 anos no homens e 83,67 anos para as mulheres, há quem diga que a nível mundial, a geração jovem deste momento poderá ser a primeira ao longo dos tempos a viver menos que os seus antecessores. A ser verdade, é obviamente preocupante, pois tal não se fica a dever à ausência de evolução científica e tecnológica do nosso tempo, mas principalmente ao estilo de vida (desligado da natureza), alimentação inadequada, ausência de exercício físico e de horas de sono renegador, aumento do (dis)stress no trabalho, dependência tecnológica, etc.

Se ainda não existe uma tomada de consciência para evitar atitudes/comportamentos que nos são nocivos, muito menos existe consciência para valorar e potenciar atitudes/comportamentos positivos que nos tornem mais imunes, saudáveis e felizes.

Saber Viver enquanto envelhecemos, deveria ser um exercício de discernimento, maturidade pessoal, social e espiritual! É saber ser proactivo, promover a salutogénese, otimizando ao máximo cada etapa da vida, apesar das debilidades orgânicas e mentais naturais no decorrer da velhice. Mas será isso que ocorre? Infelizmente não.

Muitos dos nossos idosos deixam-se levar pela sensação da inutilidade global, quando apenas algumas tarefas deixaram de poder ser executadas. Poderiam inclusive dedicar-se a outras tarefas possíveis e nunca exploradas, mas o “peso” da teimosia, do ego, do “eu é que sei,” impedem buscar novos objetivos e de voltarem a sentir-se úteis e ativos. Muito idosos deitam a “toalha ao chão” e ficam à espera que a morte os leve! Mas como nunca sabemos quando ela aparece, acabam por viver inúmeros anos em estados depressivos, sem autoestima, desleixados, presos a um passado que já não existe, religiosamente fanáticos à espera de milagres e recusando propostas de ajuda dos familiares mais próximos.

Aceitar pacificamente as fragilidades, como a dificuldade em andar ou subir escadas, o esquecimento normal, a incontinência urinária, a confusão mental ou alguns sintomas de algo mais grave e o partilhar (sem vergonha) com a família deveria ser o primeiro passo para posteriormente buscar ajuda especializada e retardar o avanço de uma possível doença. Cada situação indesejada que ocorre é sempre um desafio a superar e oportunidade de evoluir, vencendo medos internos. Se é desejável um envelhecimento ativo, em termos de reflexão interna e profunda, deve ser “super ativo”. Deixem-se ajudar, pois por vezes, parece que o desejo dos familiares verem o idoso mais saudável é superior ao do próprio idoso de se ver mais saudável e feliz. E isso jamais deveria acontecer!

Que todos nós saibamos trabalhar a consciencialização pacífica do envelhecimento, sabendo que afinal é o nosso corpo que vai atingindo o seu “limite de validade” mas que nós, a nossa essência, jamais sairá beliscada neste processo, antes pelo contrário, aprendeu, evoluiu, amou e quem sabe, talvez regresse um dia para aprender e aprofundar a prática do amor incondicional!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.