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POLITIQUICES – UM PREENCHIMENTO INTELECTUAL PLENO

António Coito

Não sei bem por onde começar! Talvez pelo início? Sim, mas qual início? Ora temos a política desastrosa deste país que me fura os tímpanos neste meu isolamento social, ora ficamos inundados com programações paupérrimas dos nossos canais generalistas.

 Covid(ado) e isolado, no meu singelo e simpático quarto, tenho tempo suficiente para pensar naquilo que tenho à minha volta. Tive oportunidade de rever todos os debates políticos perdidos nos últimos tempos. Não querendo tornar o meu discurso pleonástico, a verdade é que essa mesma revisão foi uma perda de tempo, ou seja, tempo perdido. Se começar pelos debates de 25 minutos, é claro que o problema é grave, isto porque, espero que os eleitores sejam conscientes e tenham a capacidade de ler atentamente os programas eleitorais, não se deixando levar pelas palavras mágicas que foram proferidas em cada um dos debates. “Tá” certo? (já agora, chegou a altura de pôr fim a esta forma aferética de “está”)

Continuando. Se falava de problemas graves nos duelos de quase meia hora, a catástrofe é maior no debate dos líderes partidários sem assento parlamentar. (Que despautério!) Estamos no século XXI, meus queridos! Imaginem-me com um martelo de um conjunto de marisco, a dar na cabeça de cada um destes líderes, a perguntar se está alguém em casa, preferencialmente que saiba pensar. Costuma-se dizer que “a mentira tem perna curta’’, mas neste debate, nem chegou a ter pernas. Visualizar aquele debate foi quase como assistir a uma conversa de tontos. Na prática, as utopias criadas por cada um dos líderes foram fabulosas, no entanto, não passaram de um devaneio – nada parece ser real ou exequível. Oh querido leitor, diga lá se não queria terminar agora com a pandemia? Íamos todos sair, viajar, sem usar máscara, colocávamos o vírus dentro de uma caixinha, como se fosse um objeto… uau, que cenário fantástico! Francamente, vou deixar de dar grande relevância a estes discursos políticos enjoativos. Na hora de averiguar a veracidade dos factos, são poucos aqueles que não são enganadores ou imprecisos.

Como podem ver, a magnificência deste isolamento está longe de atingir o seu apogeu. Após realizar algumas tarefas, ligo o televisor que tenho no meu quarto. Raramente é ligado, pelo que apenas tem os canais nacionais. (agora 7, pelo que parece) Fiquei desolado. Dois canais a transmitirem aqueles programas péssimos, com bailarinas e cantores a fazerem playback, que de cultura pouco ou nada acrescentam; noutros dois, publicidade sem interesse algum. Sobrou-me uma novela da RTP Memória e uns desenhos animados da RTP2. (não esquecendo, claro, o meu canal favorito, que agora está 24 horas com uma fotografia, onde diz ‘’Próxima emissão: em data a anunciar’’.) Confesso que tive dificuldade, mais uma vez, em aceitar esta dura realidade. Teoricamente, ao sábado e ao domingo são os dias em que não há aulas e uma parte da população está por casa, mas mesmo assim é bonito ter uma programação como esta. Deixem de insistir no que dá mais audiências e pensem seriamente em programas que estimulem a criação de um perfil intelectual da população. Se não queremos deixar afundar a cultura, arranjemos estratégias para a levantar.

Já agora, não me consigo conformar com a organização dos livros na Bertrand. O Raul Minh’alma pode ter sido o escritor mais vendido no ano transato, mas não é digno de estar ao lado das obras de Eça de Queirós e Almeida Garrett. (Fica só a nota, mesmo não sendo de rodapé)

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