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Saúde e Vida

A ALIMENTAÇÃO NAS ÉPOCAS FESTIVAS: ADEUS VIDA SOCIAL NO VERÃO?

Rafael Varejão 

Com o mês de junho quase a terminar e com praticamente uma semana de solstício de verão, começa-se a sentir o calor (embora tímido, nos últimos dias) e o aproximar das tão merecidas férias. Os dias estão mais longos e as pessoas sentem maior vontade em sair. É a estação do ano mais propícia aos convívios sociais, pelo que os fins-de-semana se tornam mais atribulados. Passam a acontecer, com maior regularidade, os churrascos em família e entre amigos, as festas populares, os casamentos (e respetivas despedidas de solteiro/a), os batizados, os festivais de verão, entre outros. Embora se celebrem, durante o ano, outras festividades como o Natal, o Carnaval e a Páscoa, é verdade que, em Portugal, estes convívios concentram-se principalmente no verão. A prova disso é que, só neste mês, já conto com as festas do junho (festas populares de Amarante), dois churrascos, o jantar de São João em família e dois aniversários e, nos próximos meses, avizinham-se ainda mais uns quantos aniversários, jantares de família e de amigos e dois casamentos.

Até aqui, tudo bem… O convívio com as pessoas e as conversas que surgem, sobre os mais variados temas, permitem passar um bom bocado. Contudo, além da parte social, o que é que estes eventos geralmente têm em comum? Comida e bebida que “chega e sobra”, pois o típico português não pode deixar que falte nada…

Esta questão da alimentação nas festas é muito importante, principalmente quando falamos de pessoas com o objetivo de perda de peso corporal. Digamos que são colocadas à prova, mas porquê?

Ora bem, para se perder peso é necessário existir restrição calórica, isto é, ingerir menos calorias do que aquelas que se gastam. Se, durante a semana, uma pessoa comer menos “x” calorias, mas, nas festas de fim-de-semana, ingerir “x+y” calorias, pode, nessa semana, passar a ter um excedente calórico que compromete a sua perda de peso. Esta situação acaba por acontecer com facilidade, pois há uma maior tendência para que a ingestão alimentar seja superior àquela que se teria num dia “normal”. Além disso, nestes convívios, existe uma maior variedade e disponibilidade de alimentos e bebidas densamente energéticos e pobres do ponto de vista nutricional, desde entradas/aperitivos e sobremesas até aos refrigerantes e bebidas alcoólicas. Com toda esta comida e bebida “à mão de semear”, torna-se difícil dizer que não e, por isso, todo o sacrifício feito durante a semana pode ir por água abaixo.

Não querendo que me interpretem mal, aquilo que pretendo transmitir é que estas festividades são efetivamente necessárias, tanto do ponto de vista sociocultural como do psicológico e emocional, pelo que as pessoas não se devem privar dos mesmos. No entanto, é importante ter em mente que estas podem ser a razão do insucesso na evolução ponderal, caso sejam recorrentes e o planeamento alimentar (que deve existir) não seja o adequado.

Assim sendo, o que se pode fazer para minimizar os possíveis danos destas festividades?

Se prevê um fim-de-semana de doces (e salgadas) tentações e de copo na mão, aquilo que tem de fazer é uma boa gestão da sua alimentação, nos dias anteriores ao evento, de modo a guardar o máximo de calorias que possa. Em termos mais concretos, para quem quer perder peso, isto traduz-se numa maior redução de calorias ingeridas por dia, de modo a que no final da semana consiga a restrição energética que precisa para emagrecer, mais um pack de calorias extra que pode utilizar na festa.

Para atingir esta restrição extra, pode começar por limitar gorduras (a saudável também) presentes no azeite e nos óleos alimentares, nos frutos gordos (amendoim, avelã, caju, noz, …) e sementes oleaginosas (abóbora, girassol, …), nas manteigas, margarinas, cremes vegetais e pastas de frutos gordos, no abacate, nas carnes e pescados gordos, no ovo e nos laticínios meios-gordos e gordos (opte por versões magras).

Também deve evitar os refrigerantes e as bebidas alcoólicas, durante a semana, principalmente se no fim-de-semana prevê que vai estar rodeado por elas. Não se esqueça que são bebidas calóricas e que tudo conta!

Por outro lado, considere diminuir o consumo de alimentos fornecedores de hidratos de carbono como o arroz, a batata, a massa, o pão, os cereais, as bolachas e as leguminosas (feijão, grão, …), dando preferência à fruta (de todos os alimentos anteriores, é a que tem menor concentração de hidratos de carbono).

Além disto, escusado será dizer que alimentos como o açúcar, o mel, a marmelada, os produtos de pastelaria e confeitaria, os chocolates e as guloseimas, os gelados, os salgadinhos, os enchidos, os fritos e os alimentos “prontos-a-comer” e fast foods pertencem à categoria “Nesta altura, nem pensar!”.

Se realmente quer usufruir destes momentos por completo, certamente que é da opinião que existem outras alturas onde pode consumir, mais “à vontade”, estes alimentos e bebidas.

Dito isto em relação ao que deve fazer antes das festas, passemos para qual deve ser a sua postura durante e após as mesmas. Na verdade, é simples… No momento da festa, aproveite! Conviva com as pessoas, divirta-se e, acima de tudo, prove o que lhe apetecer, mas lembre-se que “à vontade não é à vontadinha”, isto é, atente nas quantidades (em vez de comer uma fatia de bolo que parecem duas ou três, coma uma fatia fina ou apenas uma colherada do vizinho do lado). Depois da festa, volte à sua rotina alimentar e de atividade física. Se achar por bem continuar com uma restrição “reforçada”, durante 1 ou 2 dias, pode fazê-lo.

De facto, não é fácil conciliar objetivos de manutenção ou perda de peso corporal com o leque de “coisas boas para comer” que estes eventos oferecem, principalmente quando acontecem fim-de-semana sim, fim-de-semana não. No entanto, é importante perceber que tem de haver cedências da sua parte, para que possa minimizar os danos, ou seja, deve poupar-se nos tempos certos. Acima de tudo, não se arrependa destes momentos, só porque exagerou um pouco durante as festas. O segredo para o sucesso reside na capacidade de aceitá-los e de ter a força necessária para voltar a ir de encontro ao objetivo. Lembre-se que a consistência é a base para resultados a longo-prazo…

Adeus vida social no verão (ou outra época do ano)? Óbvio que não!

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