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O PLANETA E O PORTUGAL QUE QUERO

José Castro

No decorrer da fase “dura” da pandemia a frase “ Vai ficar tudo bem” ou “ Vamos ficar todos bem” pode ter criado uma empatia emocional global, de união, mas não resultou na tão esperada evolução (ética) da sociedade. Exemplos disso são, infelizmente, o aumento em Portugal da violência doméstica, violência juvenil e a nível global a guerra (ou a tal operação militar especial) na Ucrânia, que (ainda) pode desencadear uma terceira guerra mundial. As consequências são globais e intensas, um litro de gasolina a mais de 2€!, a não circulação de cereais e consequente agravamento da fome no mundo, etc. Claro que “alguns” ficaram ou vão ficar muito bem, pelos negócios feitos no decorrer da pandemia e agora na venda de material militar ou de energia, para além dos negócios ”escuros” paralelos, tráfico de armas, seres humanos, drogas, etc. 

Se “nunca esteve tudo bem” agora “está tudo bem pior”! Ou na realidade sempre esteve! Em Portugal, o desespero é tanto que no setor da saúde os mais altos representantes do país, nos dizem para não adoecermos em agosto ou não comermos bacalhau à Brás (felizmente sou vegetariano!) e, quem sabe, um dia destes dirão às grávidas para não terem os seus bebés ao fim de semana. A nível social, vemos crianças sinalizadas a serem mortas, violência nas ruas, nas escolas, em hospitais, etc. A nível profissional, na educação, saúde, justiça, agentes de segurança e nos trabalhadores em geral começa a fazer-se sentir, um descontentamento generalizado e um estado de exaustão mental elevado ou mesmo burnout. Finalmente, referir o ambiente familiar das nossas crianças, abandonadas afetivamente nas suas próprias casas e desde cedo viciadas em equipamentos eletrónicos (razão tem o neurocientista Michel Desmurget que nos diz estarmos a criar cretinos digitais) e jovens/adultos viciados em jogos on-line (gastam-se 28 milhões de euros por dia em Portugal!). Infelizmente, mesmo quem chegar à terceira ou quarta idade não vai encontrar ambientes realmente humanos, dignos e acessíveis para ainda Viverem! 

Claro que sou realista/otimista! Mas antes de se ser otimista tem que se fazer uma análise realista, do que está mal e muito mal, sem esconder nada debaixo do tapete. E depois vem a parte otimista, o acreditar sempre que é possível a mudança, a evolução do ser humano, enquanto pessoa (de dentro para fora). Que é possível a construção de uma sociedade efetivamente feliz, assente em valores mais éticos e profundos. Que é possível felicidade organizacional, onde as organizações não buscam o lucro pelo lucro. Organizações éticas, de elevada responsabilidade social, onde o trabalho deixa de ser trabalho, mas sim uma paixão! Acredito que o ensino cada vez será menos ensino e mais descoberta, colaboração, emoção, compaixão, ligação ao mundo e natureza, onde o prazer de aprender será uma realidade e onde se eduzem os verdadeiros talentos.   

Acredito que o ser humano por amar mais (e amar-se mais) ficará menos vezes doente (deixemos o bacalhau livre e em alto mar) e que gerar um filho (mesmo que não planeado) possa ocorrer em qualquer dia e sem qualquer violência obstétrica! Acredito que os grandes decisores da sociedade (políticos, economistas, investigadores…) independentemente da sua ideologia, estarão decorrente do conhecimento científico da altura, a agir da forma mais ética possível para o bem-estar geral da população. Acredito que se isso é possível num país, o mesmo se possa replicar em todos os outros. Acredito que numa sociedade assim evoluída, a interconexão das pessoas, animais e natureza será tão intensa que o Planeta finalmente poderá “descansar” e apenas “Viver”.  

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