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PROFESSORES E “ENSINADORES”

José Castro 

Foi com alguma perplexidade que li nas notícias que qualquer licenciado poderia ser Professor, mesmo antes de ter a componente pedagógica concluída. Mais uma vez se confunde o papel de Professor com Formador. Mais uma se vez de confunde Educação com Formação. Mais uma vez se confunde “ensinar a saber Ser” com “ensinar a fazer”. Sabendo que a primeira inclui a segunda, mas não o inverso.

A Profissão fonte de todas as outras, a de Professor, deveria ser reconhecida, apoiada, valorizada e os seus profissionais, que infelizmente estão numa situação generalizada de Burnout, onde “ensinar” passou quase a ser secundário face a toda a “papelada informática” que é “necessária” e repetidamente preenchida, deveriam ser mais acarinhados. Dado o contínuo aumento da idade da reforma ao longo dos últimos anos, é natural que o índice de envelhecimento seja elevado dada a ausência de renovação. Professores imploram mentalmente que a idade de reforma diminua, que não haja uma discrepância monetária tão acentuada entre o início e fim da carreira, que se eliminem cotas para a subida em determinados escalões, lutando por uma avaliação justa e ética, feita por profissionais competentes e neutros.

Em Portugal, os tais problemas estruturais, que ninguém “pega de frente,” vão agudizando até chegarem ao ponto de rutura. No decorrer da minha licenciatura via ensino já se abordava a ausência de uma “ordem dos professores,” os programas curriculares abstratos para determinados níveis de ensino, etc. Hoje, dezenas de anos depois a situação matem-se praticamente inalterada. Aliás, na minha opinião, a proliferação de sindicatos, provavelmente agudizou este problema (é preciso dividir para reinar). Chegados à situação de quase rutura, a necessidade de arranjar a toda a força quem “vá para a sala de aula” obriga a criar “situações extraordinárias”. Mais uma vez se esquecem de algo fundamental: A vocação! O sonho de ser professor! Uma coisa é ter uma licenciatura e “tirar um apêndice rapidinho” de filosofia/ psicologia da educação e pedagogia, fruto de uma vocação repentina. Outra é tirar um curso com esse objetivo (via ensino), em que ao longo do mesmo ou paralelamente, se vai instruindo e refletindo sobre as distintas teorias de aprendizagem, métodos de ensino, etc. Um profissional, seja do que for, por muito competente que seja, jamais chega a ser excelente se o que faz não se insere no seu sonho e na sua realização profissional.

Posso-me enganar (e espero que sim), mas aqueles que vão optar por esta modalidade para serem “ensinadores,” vão-se dar conta que os espinhos que os professores aguentam (muitos em silêncio) para no fim contemplarem as rosas, não são para qualquer um. Temos excelentes professores que estão desiludidos, não com os alunos, mas com a ausência dos pais na formação dos filhos (presos ao mundo digital), ausência de apoios na sala de aula, ausência de soluções reais e céleres para os problemas mais graves (pois falta um conjunto de outros profissionais de apoio), etc. Quando estes profissionais de ensino jamais aconselham esta profissão para os seus próprios filhos, infelizmente, fica tudo dito!

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