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Cidadania e Sociedade

AMARANTINALIDADE – ANTÓNIO CARNEIRO

“Os artistas da estirpe de Carneiro acrescentam ao mundo a sua alma, corrigem as suas imperfeições,  cristianizam-no, pois o Cristianismo é correcção,  emenda, aperfeiçoamento, uma acção antinatural da Natureza, o misterio dos mistérios.”, escreveu Teixeira de Pascoaes sobre António Carneiro, o pintor.
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Dália Carneiro
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Não poderia fazer uma “viagem no tempo” na minha família e não falar de António Carneiro.
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É talvez, de entre todos, o mais conhecido, o “importante”, e talvez o seja, ainda que aqui, na sua terra natal, nunca lhe tenham dada a devida e merecida importância. De tantos nomes que surgem quando se fala de cultura em Amarante, raramente se houve o seu nome. Talvez não saibam que foi o único pintor simbolista português, talvez não saibam, que foi o único pintor/poeta do seu tempo, reconhecido como “o artista mais intectual do seu tempo”, talvez não saibam tanta coisa do António Carneiro, ou talvez não importe saber, porque outros nomes sejam mais importantes, eu diria mais “comerciais”, que o dele.
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Mas eu, que pouco mais conheço dele, que aquilo que é público, digo, “explorem-no”, explorem a vida deste homem que foi enorme e dignifiquem-no.
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Não nego que é motivo de orgulho ser sua descendente, também eu sempre o achei o “importante” da família, e cada vez que, nos meus tempos de estudante, ouvia falar no seu nome, nas aulas de português, dizendo que a par de Teixeira de Pascoaes, dirigiu a Revista Águia, da Renascença Portuguesa, me sentia envaidecida por ser sua sobrinha-bisneta. Ainda hoje, sempre que alguém o refere,  faço questão,  orgulhosamente de dizer que é meu tio bisavô. Sim, sou muito vaidosa dos meus!
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Poderia dizer muito sobre este Homem, mas hoje, uma boa pesquisa com o seu nome está ao alcance de qualquer, importa muito, para mim dizer, apesar de uma infância tremendamende difícil,  de só ter conhecido o pai já em idade adulta, aos 12 anos frequentava a Academia Portuense de Belas Artes, onde cursou Desenho Histórico, Escultura, tendo como mestre Soares do Reis, Pintura e Pintura de Histórica. Ganhou uma bolsa e foi estudar para Paris, regressou, casou e teve três filhos, Carlos, Josefina e Cláudio. Carlos seguiu as suas pisadas como pintor, Cláudio foi músico e Josefina viria a falecer, acontecimento este que o marcou profundamente e que de alguma forma determinou o seu estado de alma, a sua postura perante a vida, a sua “sofrência”, que tanto marcou muitas das suas obras.
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Apesar de visitar assiduamente Amarante, a família e os amigos que então por aqui fez, nomeadamente Teixeira de Pascoaes, tinha a sua residência no Porto, onde era professor na Escola de Belas Artes.
Aí,  no Porto, numa Rua com o seu nome, existe a Casa Museu António Carneiro… em Amarante,  de onde é natural, tem uma sala no Museu Amadeo de Souza Cardoso, que ouso dizer, e que me perdoem se estou a errar, é usada como sala de exposições temporárias do Museu, das últimas vezes que lá fui, estava sempre ocupada com outras exposições e nenhuma obra dele se encontrava em exposição. Sou leiga na matéria, talvez seja essa a política dos museus,  e assim sendo peço desculpa pela minha “ignorância”, ainda que lamente que seja sempre o mesmo o “sacrificado”.
Mas, nem só de pintura se “alimentava” este homem, para este, que como ja referi, foi o único pintor simbolista português, as letras também eram uma paixão. Diz-se dele que “foi o único pintor poeta português”. A título póstumo, foi editado um livro de poemas da sua autoria, “Solilóquios”.
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Era conhecido como “o retratista de almas” ,de tão reais e expressivos eram os seus retratos. Este epíteto, diz-me muito, talvez “retratar almas”, seja uma herança familiar, ainda que sem a arte do pincel, do crayon ou do carvão na tela, mas com papel, tinta e letras, muitas letras…
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No passado dia 16 de Setembro, completaram-se 150 anos do seu nascimento, para o comemorar, o Município de Amarante inaugurou uma exposição que recorda a amizade de António Carneiro e Teixeira de Pascoaes e que estará patente até dia 2 de Outubro.
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Teixeira de Pascoaes, disse “Se os deuses sobrevivem à crença dos homens, isto é, a sua própria divindade, também tu, António Carneiro, sobrevives nos teus quadros, naquele sorriso de criança, na mística beleza da tua filha, o retrato da tua angústia humanizada”.
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Eu sou suspeita, mas as suas obras são “deliciosas”, aproveitem e visitem.

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