Cultura, Literatura e Filosofia

VER AS PRÓPRIAS COSTAS

Regina Sardoeira  Se só tivermos as palavras para tecer as pontes da comunicação, o universo do diálogo fica inevitavelmente truncado. Se ainda por cima ignorarmos os rostos daqueles com quem falamos ou se, mesmo conhecendo-os, usamos um processo mediato de conversa como é este da escrita e não conseguimos juntar à palavra dita a expressão do rosto, o trejeito da boca, ou as rugas que a emoção imprime na face
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99 ANOS DO NASCIMENTO DE AGUSTINA BESSA-LUÍS

Agustina Bessa Luís nasceu em Vila Meã, a 15 de outubro de 1922, descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família espanhola de Zamora, por parte da mãe. Neste dia, em que se assinala o 99.º aniversário do seu nascimento, evocamos outras personalidades da cultura literária e cinematográfica: “Se há, em Portugal, um escritor que participa da natureza de um génio é
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ÁRIA OUTONAL

“Assim como as ondas ao retraírem-se descobrem; como a neblina ao levantar-se revela […].” In “Entre os Actos” –  Virginia Woolf (1991) Anabela Borges Observo o pequeno bosque dos carvalhos. Demoro o olhar na massa de folhinhas verdes dançando na brisa, conjunto etéreo. Cerebral. Ao longo do ano vou tendo clara percepção da sua transformação. Não é no dia-a-dia, mas em muitos dias – x em x tempo – que percebo as
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NOBEL DA PAZ DE 2021 VAI PARA OS JORNALISTAS MARIA RESSA E DMITRY MURATOV

O Nobel da Paz foi entregue, em 2021, aos jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, que lutam pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia. Estes jornalistas “corajosos” e “notáveis” foram premiados “pelos seus esforços na salvaguarda da liberdade de expressão, que é uma condição imprescindível para a democracia e para a paz duradoura”. Maria Ressa é uma antiga jornalista da CNN que “usa a liberdade de expressão para trazer
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NOBEL DA LITERATURA 2021

Nobel da Literatura 2021: Abdulrazak Gurnah. a Academia sueca volta a surpreender. Gurnah, tanzaniano, é autor do romance "Junto ao Mar", publicado em Portugal pela Difel, em 2003. Vive em Londres e escreve em inglês. Nasceu em 1948 em Zanzibar. Chegou a Inglaterra, como refugiado, aos oito anos. Escreveu dez romances e o júri da Academia sueca considera-o um dos mais proeminentes escritores da literatura pós-colonial. A respeito do Nobel
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O QUE É UM CLÁSSICO?

Maria João Covas O que é um clássico? Um livro que ficou para além do seu tempo? Uma obra-prima da literatura mundial ou do país? Um livro que seja original na sua história? Se estas forem as premissas para a classificação de um livro como um clássico então hoje vamos falar desse género de obra. No entanto foi um livro, ou melhor, um conjunto de livros, que perdurou para além
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A OBRA DESTRUIDORA DO HOMEM

Regina Sardoeira O homem, esta massa indistinta a que chamamos humanidade, é fundamental e intrinsecamente, mau. Não me refiro ao Indivíduo, à célula do todo a que se deu o nome de sociedade, porque nele, e somente nele, reside a verdade . Porém, isso a que chamei verdade e que, escrito assim, parece um mito, só pode revelar-se quando a célula puder desapegar-se das demais, tomando -se a si própria
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ANTES DA “QUEDA APRENDI A VOAR”

António Coito Perdoe-me se estiver a ser muito vago com o título que proponho, caro leitor. Para alguns, certamente que esta expressão já é familiar - parte do título de uma das obras mais procuradas, nos últimos tempos, de Raul Minh'alma, " Durante a Queda Aprendi a Voar". Se é o meu escritor favorito? Não, nem perto. Se gostei da sua escrita? Sim, fez-me refletir bastante, com uma nova forma
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AS LEVIANDADES DO TEMPO

Soni Esteves Chegou setembro. Entrou anunciando chuva e, pela noite, fez-se ruidoso, troando pelos montes, ao longe, como se quisesse já afirmar uma outra estação, um outro ciclo que o fim de férias nos impõe. Foi noite de tempo impiedoso, tão impiedoso quanto o Tempo que contamos dia a dia, que medimos pelo relógio ou pela emoção, quase sempre em desacordo com o nosso querer. Uma hora deixa-nos sem saber
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A CEGUEIRA

Regina Sardoeira Não tenho nada para dizer ao mundo porque o mundo é uma abstracção, sem ouvidos sem olhos, sem mãos, o mundo é uma fera de milhões de corpos, desnaturada, enviezada, arrevezada; e nada pode dizer-se a semelhante utopia. Não tenho nada que dizer ao mundo, já não me agrada enunciar-me perante ninguém. Se procuro o indivíduo, encontro uma fera de tamanho menor que essa, a que chamei mundo,