Cultura, Literatura e Filosofia

“SERÁS UM HOMEM, MEU FILHO!”

Regina Sardoeira Vencer o desejo de avançar no tempo e assistir à abertura de novos horizontes, em vez de continuar a desdobrar as páginas infindáveis da desgraça, parece-me ser uma tarefa inglória. Oiço muito aquela expressão de conformismo, usada a propósito de dramas individuais e colectivos : Vamos viver um dia de cada vez., e reflicto acerca da possibilidade da sua aplicação, na prática. Vejo que, sem nos darmos conta,
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SÓ ME FALTA SER UM ARDINA DE JORNAIS DIGITAIS

António Coito Um novo ciclo começou. Assumi um compromisso que faço intenção de manter nos próximos tempos. Há algum tempo que me sentia bastante entediado de ver notícias na televisão e não as ler. Ler permite-me investigar vocabulário que não seja acessível a uma primeira leitura e mostra-me diferentes formas de escrita, que ajuda a tornar o meu pensamento rico. Sempre me lembro, desde pequeno, apreciar os senhores letrados que,
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O VALOR INTRÍNSECO DA VIDA

REGINA SARDOEIRA Pergunto a mim própria: por que razão a vida do homem é mais importante que a vida de um pássaro? Há umas horas atrás observei um desses pequenos animais que volteava, em minúsculos saltos, por um rectângulo de terreno junto ao estacionamento de um supermercado. Era ao entardecer e, enquanto os humanos saíam e entravam das portas do estabelecimento, com o seu passo rígido, sérios no semblante, carregando
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QUANTOS TORDOS, PEIXOTOS OU M. TAVARES PASSARAM DESPERCEBIDOS?

Maria João Covas João Tordo, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares são escritores consagrados, consensuais, como sendo dos melhores escritores da sua geração. Aliá, João Tordo ganha o Prémio José Saramago com o seu terceiro livro. Mas… e o primeiro? Como foi publicar o primeiro livro? Quem leu? Quem fez opinião? São estas as questões que ponho a mim mesma sempre que me deparo com um primeiro livro de um
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HOMEM – O GRANDE EQUÍVOCO

Regina Sardoeira Abre-se a Primavera pelos interstícios nublados e chuvosos de um Abril exactamente igual a si próprio. Cansados da época sombria de frio e desnudamento da natureza hibernante, desejávamos  o sol esplendoroso de manhã à noite. E lidamos mal com o contratempo das nuvens e da chuva. Somos estes seres inconformados, subversivos em relação ao fluir natural da vida, ávidos de submeter ao poder da nossa vontade tudo o
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SEGUNDAS OPORTUNIDADES

Soni Esteves Não costumo planear os temas das minhas crónicas, não tenho como princípio escrever sobre assuntos da atualidade. Pode acontecer, mas não é objetivo meu. Os meus temas nascem de reflexões que vou fazendo no dia a dia. Podem surgir de um livro, uma notícia, uma palavra, uma imagem, uma pessoa... Acontece, por vezes, que as ideias surgem breves, espontâneas, e logo voam e dispersam, sem me darem tempo
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VIAJAR COM GIL VICENTE NA ATUALIDADE

António Coito Realmente, ler obras de Gil Vicente de forma autónoma tornar-se-á cada vez mais difícil, principalmente pela camada mais jovem. Eu fi-lo pela primeira vez e gostei! Antes de introduzir aquilo que me levou a escolher este título, será mais fácil dar algumas indicações sobre o nome Gil Vicente, que muitos já ouviram falar certamente… Gil Vicente foi o ‘’Pai do Teatro Português’’. Conseguiu ele, com recurso a linguagem
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VIRTUDE

Antonieta Dias “ Virtude do latim: virtus é uma qualidade moral destinada à prática do bem e que traduz mais do que uma caraterística ou uma aptidão, cuja chama simboliza a alma, ilumina a vida, enriquece o amor espiritual que conduz à purificação, determina a evolução, frutifica e enriquece o saber. Segundo Aristóteles a “virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem e se aperfeiçoa com o hábito.” É
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PURIFICAR VALORES DA NOSSA SOCIEDADE?

Parte III (englobada numa crónica com quatro partes) Jorge Nuno No livro “Mário Soares – Uma Vida[1]”, onde condensa vários testemunhos na primeira pessoa, o autor refere que Mário Soares, como ministro dos Negócios Estrangeiros, estava encarregado por Spínola, para “negociar”, no primeiro encontro em Dakar, com Aristides Pereira – que representava o PAIGC[2], na qualidade de secretário-geral –, mas pretendia que representasse apenas um gesto de boa vontade e
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NORMALIDADES

Regina Sardoeira A normalidade é um conceito abstracto e, de certo modo, de cariz subjectivo. Diz-se que um facto é normal quando se ajusta, obviamente, às normas, cujo valor depende da circunstância; ora, a circunstância muda por força de factores, previsíveis ou fortuitos, que invadem o quotidiano abrindo novos paradigmas. Um fenómeno tão comum como a mudança climática, produzida pela entrada de uma nova estação, implica uma alteração significativa nos