Cultura, Literatura e Filosofia

NOITES COM CORES DE VIDA

Aquela noite que passou,  pincelou a memória com cores bonitas. Cor de quando era pequena  e estar na casa dos meus avós era do melhor que poderia haver. Cor do meu avô a dormir a sesta no banco de madeira, da cozinha de paredes enfarruscadas. Cor de lareira acesa com "moletes de véspera" barrados com planta (não havia cá manteigas, ou margarinas ou outras tretas. Era planta e pronto). Cor
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CEM ANOS DE SOLIDÃO E UM DIA DE NATAL

(o meu conto de Natal de 2018) À semelhança de anos anteriores, em Dezembro, deixo, neste espaço, um cheirinho do meu conto de Natal. Este é o meu sétimo conto de Natal, pois que escrevo um todos os anos, consecutivamente desde 2012, com a Editora Lugar da Palavra. Este ano, fortemente influenciada pela viagem que realizei à Colômbia, o conto tem lá a sua acção central – lá na Colômbia,
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CÉPTICA

Não só quem nos odeia ou nos inveja Nos limita e oprime; quem nos ama Não menos nos limita. Que os deuses me concedam que, despido De afectos, tenha a fria liberdade Dos píncaros sem nada. Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada É livre; quem não tem, e não deseja, Homem, é igual aos deuses. Odes, Ricardo Reis (Deixemo-nos de paráfrases, eu sei falar com as minhas próprias
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O ADAMASTOR DE BORBA – CRÓNICA DE UM POVO (IRRE)QUIETO

“Adamastor, nome conferido a um dos gigantes, filhos de Gaia (Terra) que se rebelaram contra Zeus. Fulminados por este, ficaram dispersos e reduzidos a promontórios, ilhas, fraguedos, rochedos e penhascos” O dia nasceu tímido, o povo acordou e assumiu mecanicamente aquela rotina diária de quem vive com o estranho propósito de imprimir hábitos e objectivos que o distanciam cada vez mais dos genuínos valores pelos quais se deveria reger a humanidade.
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ONDE DIABO ESTÁ DEUS?

Visitei Auschwitz duas vezes... duas vezes li um desabafo de Bella Herson: “Se existiu Auschwitz, não pode existir Deus.” Como crente pergunto(-lhe) muitas vezes: Onde diabo está(s) Deus? Nao vou falar de Auschwitz. Mas porque estamos no tempo do Advento as perguntas sucedem-se. Quem ou o que esperamos? Um acontecimento (Natal)? Ou uma pessoa (o que nasceu)? Recordo uma aula de filosofia em que se afirmava que o Homem (Humanidade)
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PODES ENTRAR…

Os domingos colorem-se, na ausência das vicissitudes profissionais, pessoais e existenciais, de vários sonhos que me alimentam desde que, bem, desde que me conheço. Podes entrar. Convido-te a afastares o portão, feito de cordas bamboleantes, que servem apenas para assinalar o local onde começa a privacidade. Construí-o há énios, entre vi(n)das e partidas, como o sítio onde começa a vi(n)da e termina a ausência. Vais encontrar um pequeno caminho, aqui
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A ALDEIA QUE EM MIM HABITA SOLDO DÉCIMO OITAVO

Emoções dispostas como parida ninhada, focinho em busca, onde só a ternura acalenta. Agustina, menina-do-tempo, paleta outonal aprofundando presença na aldeia, em mesa de pedra, em convidativo quintal, escutava, atentamente, aldeão coro, que se manifestava por musical pentagrama, sonorizando o que natalícia alma ensurdecer fazia, em ricochete, em paredes suas. Dizia que adulta nascido tinha. Mas siamesa criança não conseguira de materno ventre desligar. Como que a natural ordem das