Cultura, Literatura e Filosofia

MAIO NUM RAIO DE LUZ

“Maio, maduro Maio, quem te pintou? / Quem te quebrou o encanto, nunca te amou […].” -  In: Zeca Afonso, 1971* Anabela Borges Vi nascer o Maio. Montado num raio de luz, trazia o amarelo das giestas, espalhando o odor amargo pela vastidão dos montes, e o dourado incandescente das trovoadas, criando massas de ar abafado suspensas na crista do horizonte. Um vento fustigante, pó e penumbra, varrendo tudo, varrendo
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AS MULHERES E O GÉNIO

Regina Sardoeira Oscar Wilde o célebre escritor irlandês, autor do extraordinário romance O Retrato de Dorian Gray, dramaturgo de grande mérito de onde destaco A Importância de se Chamar Ernesto, poeta de mérito de que pode ler-se A Balada do Cárcere de Reading, narrador cativante de histórias como O Rouxinol e a Rosa, foi julgado por sodomia e condenado a dois anos de trabalhos forçados na Grã-Bretanha puritana e hipócrita do século XIX. As
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SER LIVRE É…

Duarte Pereira  Ser livre é ter direitos e deveres, tais como a liberdade de expressão, mas também ser educado e respeitar sempre a liberdade do outro… A liberdade foi uma conquista adquirida há alguns anos atrás no 25 de abril de 1974. Nesta data, deu-se uma revolução, uma revolução sem sangue que retirou vários inocentes da prisão e também acabou com a ditadura que permaneceu durante longos e duros anos.
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O TRAUMA DE NASCER

Regina Sardoeira  Le Clésio, escritor francês que ganhou o prémio Nobel em 2006, escreve, no prefácio do seu livro "Febre": "Se querem realmente saber, eu preferia nunca ter nascido. A vida, acho-a muito fatigante. Claro, a coisa agora está feita e já nada posso fazer. Mas haverá sempre, no fundo de mim mesmo esse remorso que não chegarei a expulsar completamente e há-de estragar tudo. (...)." Reflecti sobre estas palavras,
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CHAMA-ME PELO TEU NOME : UMA ODE AO CRESCIMENTO

Regina Sardoeira "Chama-me pelo teu nome". Um livro, escrito por André Aciman, um filme realizado por Luca Guadagnino,   com argumento de James Ivory. Foi o último livro que li e quero escrever sobre esta extraordinária obra literária (com uma única reserva: a editora, Clube do Autor e o tradutor Hugo Gonçalves, usaram o designado "acordo ortográfico" o que me incomodou algumas vezes.) Porém, isso não foi suficiente para diminuir o
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CRAVOS DE ABRIL

Soni Esteves Tenho no meu pequeno jardim um vaso que há anos me dá cravos, e não houve ainda abril algum em que ele não florisse. Não são cravos grandes, daqueles que os militares, há 48 anos, espetaram nos canos das espingardas ou que atiraram ao povo em manifestação feliz. São mais pequenos, de pé curto, mas têm o mesmo vermelho intenso, e gosto de pensar que são herdeiros da
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LILASES DE ABRIL, ENGANOS MIL

“Abril é o mais cruel dos meses, concebendo Lilases da terra entorpecida, confundindo Memória com desejo, despertando Lerdas raízes com as primeiras chuvas.” In: poema “A TERRA DEVASTADA”, primeira parte –  “O Enterro dos Mortos” – T. S. Eliot (1922), tradução de Ivo Barroso, em https://gavetadoivo.wordpress.com Anabela Borges Um engano. Por vezes, a vida não é mais do que isto: um lerdo engano, como as “lerdas raízes” que despertam com as
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CHAMA-ME PELO TEU NOME : UMA ODE AO CRESCIMENTO

Regina Sardoeira "Chama-me pelo teu nome". Um livro, escrito por André Aciman, um filme realizado por Luca Guadagnino,   com argumento de James Ivory. Foi o último livro que li e quero escrever sobre esta extraordinária obra literária (com uma única reserva: a editora, Clube do Autor e o tradutor Hugo Gonçalves, usaram o designado "acordo ortográfico" o que me incomodou algumas vezes.) Porém, isso não foi suficiente para diminuir o
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GOSTO DE FANTASIA

Maria João Covas  É oficial. Afinal eu gosto de fantasia. O livro que mo provou é uma obra que não podem deixar de ler “A vida invisível de Addie LaRue” de V.E. Schwab. Este é o tipo de livro que tinha tudo para não ser um livro que me agradasse. Logo à cabeça o facto de ser fantasia. Mas comecemos pelo princípio. Addie LaRue é uma jovem que quer fugir
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GUERRA ÀS OPINIÕES

"A opinião pensa mal; não pensa: traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objectos pela sua utilidade, ela impede-se de conhecê-los. Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruí-la. Ela é o primeiro obstáculo a ser superado. Não basta, por exemplo, corrigi-la em determinados pontos, mantendo, como uma espécie de moral provisória, um conhecimento vulgar provisório. O espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre