Cultura, Literatura e Filosofia

O TEMPO DA GRANDE ANTÍTESE

Regina Sardoeira No livro "O pensamento complexo", Edgar Morin destaca dois possíveis factores que podem desviar as mentes do real entendimento do pensamento complexo. O primeiro refere-se ao engano de acreditar-se que a complexidade conduz à eliminação da simplicidade. Segundo Morin ela – a complexidade - realmente surge na falha da simplicidade, mas “integra tudo aquilo que põe ordem, clareza, distinção, precisão no conhecimento” (p.6). O pensamento complexo agrega todos
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A GRÉCIA ANTIGA E O SÉCULO XXI

Regina Sardoeira Penso na Grécia Antiga e nas primeiras investigações científicas e filosóficas de que há notícia, e imagino, na lonjura dos séculos VI-V a.C. , um mundo ainda jovem, uma natureza jucunda e saudável, pulsante e aberta à observação e ao deleite. 26 séculos depois, observo um mundo envelhecido, com o desgaste revelado à evidência. Um mundo onde as primeiras respostas, cuja verdade não foi desmentida mas somente adaptada
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O QUE É A FILOSOFIA? – UMA PERGUNTA EXTEMPORÂNEA

Regina Sardoeira Deparei-me há pouco com um artigo cujo desafio inicial era a pergunta: "O que é a Filosofia?" Esta pergunta, tantas vezes repetida, soou-me estranha, nas linhas dessa leitura. Como é possível, tantos séculos depois de terem sido inventados, quer a palavra, quer o conteúdo, haver uma tal ignorância, uma espécie de má vontade, um tremendo equívoco, relativamente a esta área de estudos tão densa e tão antiga quanto
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“O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO”

Quando sopros gélidos anunciam dores e causas perdidas a vida vai ficando suspensa em esperanças ardidas. [Anabela Borges, Poesia, Janeiro de 2021]   Os candeeiros da rua faziam cintilar milhões de diamantes de geada nos passeios e nos relvados. […] Quando eu era criança, sentia uma curiosa exaltação em marchar sobre a neve imaculada. Era um pouco como ser o primeiro a chegar a um mundo novo”. [John Steinbeck, “O
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«TUDO PELA MINHA MÃE»

Maria João Covas Quem me lê deve achar que começo a ser monótona, mas a verdade é que o facto de escrever estas crónicas permite-se entender que começo a ter um padrão nas minhas leituras: autores portugueses que não conhecia e estou a gostar muito de descobrir. Num momento como o que estamos a atravessar todos tentamos consumir o que é português. Todos tentamos voltar a valorizar o que é
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A HORA É DE REFLEXÃO

Regina Sardoeira Tenho pensado bastante, ultimamente, na teoria epistemológica de Thomas Kuhn.( Thomas Kuhn nasceu a 18 de julho de 1922 em Cincinatti, Ohio, Estados Unidos da América, formou-se em Física (summa cum laude) em 1943, pela Universidade de Harvard. Recebeu desta mesma instituição o grau de mestre em 1946 e o grau de doutor em 1949, ambos na área de Física. Morreu em 17 de junho de 1996.) Segundo
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OS LUGARES DO MEDO

Soni Esteves Por estes dias, quando saio à rua para o primeiro passeio do meu cão, ainda a noite se despede. Às vezes, quando a vejo deslizar, hesitante, por entre o horto, roçando o longo manto negro pelas ruínas do velho casarão de quinta antiga, sou surpreendida por um súbito ruído na ramagem, um ramo que se estende, um resto de teia de aranha orvalhada, e o meu coração ensaia
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A MAIOR ESTRELA DO FESTIVAL DE 76

David Amaral Convido-vos, caros leitores, a pesquisar vídeos do Festival da Canção de 1976, não só do tema vencedor “Uma flor de verde pinho” (J. Niza/M. Alegre), mas dos restantes, saltando à vista um denominador comum ou a estrela maior: Carlos do Carmo. A RTP decidiu fazer o Festival, “Uma canção para a Europa”, diferente do habitual, convidando diversos compositores, poetas e um único cantor para interpretar as canções, selecionadas
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A PROPÓSITO DE LIBERDADE: A ILHA DAS ROSAS DE GIORGIO ROSA, O “PRÍNCIPE DOS ANARQUISTAS”

Regina Sardoeira A palavra liberdade pode ter mais do que um sentido e igualmente a palavra servidão. Ser livre, enquanto parte do colectivo (e não, não há margem!), é respeitar e cumprir o dever. Ser livre, vivendo em sociedade, não corresponde a fazer tudo aquilo que queremos, no momento exacto em que o queremos, mas sim, interiorizando o facto de sermos indivíduos incluídos numa comunidade (e não há escapatória), cumprir
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O TEMPO DA PARCIMÓNIA

Regina Sardoeira Perante a expectativa de um novo confinamento, na sequência de um agravamento da pandemia que vem assolando o mundo, ocorre-me perguntar: aqueles três meses, desde Março a Junho, resolveram o problema? Não, apenas contiveram os números! O vírus continuou a sua "viagem" e continuará, com medidas radicais ou sem elas! Sabe-se que um vírus, qualquer um, é um parasita e que, por essa razão, necessita de hospedeiros. A