Cultura, Literatura e Filosofia

INSIGNIFICÂNCIAS

Regina Sardoeira Todos os dias, a todas as horas, as insignificâncias abatem-se sobre nós, perturbando ou anulando a intrínseca e verdadeira razão de sermos humanos e de estarmos vivos. Insignificâncias, tornadas histórias dos outros esses, que por uma insignificância, subiram à ribalta do mundo, e por lá vão ficando, enquanto despertarem o apetite das multidões, mas apenas rasando a superfície do ser, a essência de nós, o fluxo vital da
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DOIS PAPAS

Raquel Evangelina Fernando Meirelles, depois de já me ter feito ficar fã com "Cidade de Deus" e "O Fiel Jardineiro" e de me ter desiludido com o "Ensaio sobre a Cegueira", volta a surpreender-me pela positiva com "Dois Papas". E a Netflix novamente a mostrar que cinema de qualidade é com eles, tal como já tinha feito com "O Irlandês". "O cardeal argentino Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce) está decidido a
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ADJECTIVO – O NOME QUE SE JUNTA A OUTRO

Regina Sardoeira O Adjectivo. O Nome que se junta a outro. Aquele género de palavras, transversais a todas as línguas, úteis para atribuir qualidades a outras permitindo-lhes uma clarificação superior. Suponhamos que no nosso texto íamos falar de uma MESA. Como resulta evidente, ao lermos a palavra «mesa», somos, de imediato, invadidos mentalmente pelo respectivo conceito que, ao nível ideal, corresponde à imagem de uma mesa concreta, uma, entre as
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ANIVERSÁRIO DA MORTE DE INÊS DE CASTRO

Anabela Borges [ANIVERSÁRIO DA MORTE DE INÊS DE CASTRO] Rainha póstuma 👑 (morreu em 07 de Janeiro de 1355, sempre VIVA para o AMOR). ❤️ Inês viu-se num espelho baço, com manchas e veios de cor sépia, redondo e saliente como uma bolha, o seu rosto aproximado, desfocado como numa lente, e os seus olhos espavoridos a crescer à medida do terror, os lábios aumentados num espanto que parecia querer
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DEPOIS DO NATAL

Regina Sardoeira Depois do Natal, observo um mundo idêntico , nem melhor, nem pior, o que prova, se provas fossem necessárias, que estes intervalos no tempo profano deveriam ser sagrados e não são. Os homens baniram a atmosfera mágica que os reenviaria para um novo mundo, um novo agora, um novo ser, transformando estas épocas de um culto ancestral em ocasiões únicas de banalidade, ainda que enroupada de atavios festivos.
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DE JORGE PARA GEORGE

[caption id="attachment_12472" align="aligncenter" width="406"]                                «De Jorge para George»[/caption] Jorge Nuno Pois é, George, sei que partiste cedo, no Ano Internacional do Sol Calmo, mas tu desconheces que eu nasci no mesmo ano. E como haverias de saber, se partiste dez meses antes de eu chegar? Bem, deixa-me já avisar-te: espero não ter de fazer contigo,
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O EXCEDENTE E O NECESSÁRIO : UMA DICOTOMIA DESTE TEMPO

Num tempo e numa época em que todos querem fazer o bem - quando escrevo tempo, falo do século XXI, quando digo época, falo do Natal - espanta-me, sobremaneira, que ainda haja necessidade de caridade, solidariedade, beneficência. A humanidade evoluiu muito, é verdade. Mas evoluir não significa melhorar, está demonstrado. Se desta evolução houvesse resultado benefício para todos e para cada um, poderia dizer-se que evoluir é melhorar ; pelo
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OS DIAS PEQUENOS E OS LIVROS NASCIDOS DE NOITE

Regina Sardoeira Os dias comprimem-se nesta abordagem do Inverno, quando o sol esmorece a meio da tarde e, de repente, olhamos pela vidraça e o negrume instalou-se, iludindo o horizonte. Viramo-nos, então, para dentro, seja de casa, na quentura de um interior aconchegante, seja em nós mesmos, nestas noites prolongadas, propícias à introspecção. Foi por estes dias que decidi, vigorosamente, encarar as páginas de dois dos meus livros, já escritos
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SORTILÉGIO ALQUÍMICO

Regina Sardoeira A noite tem um movimento próprio, mesmo quando nada se mexe, e chama-nos a todos para um deserto líquido  onde flutuam embarcações, serenos mensageiros de outros territórios onde a luz esculpiu  memórias e mitos. Eu sei (sempre soube) que a verdade não tinha qualquer poder, essa verdade que os corvos levantam na poeira dos trigais, se poeira houvesse, e, enquanto escutávamos a voz irremediável de qualquer ente desabrido nas esferas de
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A NECESSIDADE DE DAR VOZ À INTELIGÊNCIA

Regina Sardoeira A inteligência é "a resposta criativa ao agora". Li esta definição num livro que acabei de ler, de Osho, guru indiano, intitulado "Inteligência" e que é a transcrição das inúmeras conferências e palestras que ele foi fazendo ao longo da vida. Reflecti sobre a especificidade desta definição de inteligência. Percebi que confundimos, demasiadas vezes, a inteligência com o conhecimento e ainda que o conhecimento resulta de uma acumulação