Cultura, Literatura e Filosofia

LEITURAS DE MARÇO

Anabela Borges A primavera carrega todo o seu esplendor. No ar, paira o odor de um tempo que se eleva forte das entranhas da terra, a repuxar o fulgor da natureza aos seus valores mais elevados, em flores, rebentos, insectos, pólenes. E livros. Em Março, celebra-se a leitura, os leitores, o livro. Cada vez mais, por todo o país, escolas, bibliotecas e municípios dinamizam a Semana da Leitura. Mas como
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PEÇO DESCULPA PELA MINHA CEGUEIRA

José Pedro Barbosa Calma, calma! Percebo que possam pensar que enlouqueci de vez, é uma conclusão verosímil. No entanto, talvez não seja assim tão maluco como as minhas palavras o fazem parecer. O título desta crónica, no seu sentido literal, implica que, na minha opinião, o cego que não quer ver é “melhor”. Obviamente que o Mundo está repleto de paisagens belas, de monumentos imponentes e cheio de beleza no
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O MEU PAI, LUÍS SARDOEIRA

Regina Sardoeira Guardo, do meu pai, memórias antigas e novas. As primeiras falam-me de um homem alegre e brincalhão, receptivo às mudanças, pronto a fazer qualquer esforço para garantir que a família vivesse confortavelmente. Depois do meu irmão, doente e motivo de preocupação, nasceram duas meninas com intervalos de, aproximadamente, três anos. Foi necessário, a partir de certa altura, pagar uma mensalidade elevada num Colégio de Reeducação Pedagógica, em Lisboa,
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À PROCURA DO ELIXIR DA JUVENTUDE

Moreira da Silva Nos últimos anos, a esperança média de vida tem aumentado muito, o que se tem verificado desde o início do século XX. Estamos a viver mais, nem sempre melhor é verdade, mas continuamos à procura do elixir da juventude, com diversas equipas de investigadores a proclamarem que estão perto de alcançar a fórmula tão desejada de não envelhecermos. A procura da fórmula do elixir da juventude atravessa
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SONHO PARA VIVER E VIVO A SONHAR

Rita Teixeira  Recuando no tempo até ao diagnóstico, relembro o terrível sofrimento ao escutar que padecia de Esclerose Lateral Amiotrófica, com o prognóstico de três a cinco anos e que poderia terminar a minha vida asfixiada. Quantas lágrimas derramadas no meu rosto e ainda as verto diariamente, invisíveis aos olhos dos outros. Não me quedei à apatia à espera que a doença me levasse. Familiares e amigos, em sintonia, tocaram
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A CAPACIDADE DE SE PERDOAR

Isabel Pinto da Costa Já pensou o quanto é duro consigo próprio, o quanto não se perdoou, o quanto é exigente na avaliação que faz de si próprio? Nós pensamos sempre em como podemos perdoar os outros, como os desculpar, como ajudar os outros a se perdoar e como nós nos ajudamos a perdoarmo-nos? Quando vamos pensar em nós? Cuidar de nós? Darmo-nos colo? Existem frases bonitas como: “Eu sem
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HISTÓRIA BREVE DE UM ROMANCE

Regina Sardoeira Antes de ser a professora de Jazente, a jovem Maria Constança deu aulas noutras terras. Primeiro, Fridão, a seguir, Lomba e depois, durante nove anos, na escola primária da Folhada, Marco de Canaveses. É extraordinário perceber que, ainda hoje, volvidos mais de setenta anos, a vida itinerante continua a ser uma das notas principais da carreira docente, esta instabilidade que os professores conhecem e que os impele daqui,
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APRENDER COM QUEM APRENDEU

Cidália Pinto Este final de semana,  estava encostada ao balcão,  da cozinha de lenha da minha avó,  a vê-la desfolhar um repolho, muito calmamente: folha a folha. - Vó, não seria mais depressa cortar o repolho aos pedaços? - Comecei com tempo, gosto de tirar uma folha de cada vez. Mantive-me à beira dela a apreciar os movimentos,  e a reparar o cuidado em cada acto. E ela não tem
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A MENINA MAIS BONITA DE AMARANTE

Regina Sardoeira “A menina mais bonita de Amarante”: assim se referiam a ela, nos anos 30 do século XX. Uma menina de cabelos muito loiros, caindo suavemente em ondas leves, uma menina de rosto oval e tez delicada, onde o sol não deveria poisar com muita intensidade, uma menina de porte elegante, ainda que discreto. Vestia simplesmente; mas qualquer tecido ou modelo caíam nela com uma graça tal, que ofuscava