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O PIANO QUE TOCA EM SILÊNCIO

Irredutível é o suspirar da miragem, ela que me invoca tão estranhamente no indefinido. Não tomo partido de mim mesmo, não esfrio pensamentos, não enxugo lágrimas de ninguém. Era escrita uma carta, uma carta que levava tudo dentro, até o suspiro da tua ingenuidade. Toda a gente pensava que eu era o tal, tu pensavas que eu era o tal, o tal que transparecia insignificância, egoísmo, vaidade. Nunca as minhas
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A MEDIDA DA GRANDEZA

Conversando com um amigo sobre o existencialismo,  ouvi-o afirmar que o assunto está desactualizado, que hoje não faz sentido ser existencialista ou defender o existencialismo. Disse-me ele que as preocupações de hoje são outras,  que ninguém se ocupa com as questões da existência ou do sentido da existência. Fiquei a pensar no assunto. Se, aqui e agora, começar a falar deste tema que acolhimento terão as minhas palavras,  caso o
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FRACTAL

 O avião sacode-se como se libertasse das camadas pressurizadas da atmosfera, essa amálgama de gases que se deixa abater sob a gravidade. Ser-se ar não será certamente fácil. Aliás, ar nem é ar, sabemos lá o que respiramos? Somos sôfregos como qualquer animal embezerrado, a necessidade de acolhimento em úberes, a marrada ritmada num ventre e o sorver desregrado do leite ou ar. Mas não somos só leite, nem ar,
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UM CONTO DE NATAL “O Segundo Natal do cavaleiro da Dinamarca” (O Natal do homem bom)

Todos os anos, nesta época, publico um conto de Natal. Faço-o desde 2012, sendo este, portanto, o meu sexto conto de Natal. Aqui fica um excerto: No Inverno, a floresta da Dinamarca reinava num reino de frio e penumbra, ficava *“presa em seus vestidos de neve e gelo”. Mas em casa do Cavaleiro a maior festa do ano era precisamente no Inverno, “no centro do Inverno, na noite comprida e
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E NÃO SE SAUDARAM NA PAZ DE CRISTO – VII (Por fim, não se saudaram na paz de Cristo)

ANABELA BORGES Chegamos agora ao fim da publicação, em tranches, do conto “A Tundra”. Nesta saga, Lisinha, a personagem principal, vai-nos guiando através das suas memórias. Desta feita, levanta-se o contingente da Gripe-A, que impunha novos comportamentos à população, mas não é desta que a missa voltará ao normal. Tudo pode acontecer neste cemitério de memórias de uma povoação do Norte de Portugal, memórias atestadas de crenças, vícios, amizades e